domingo, 30 de julho de 2017

Pra quem não teve a oportunidade de ver o filme sobre o Plano Real no cinema, já está disponível na plataforma do "Youtube filmes" o filme completo a partir de R$ 6,90

Pra quem não teve a oportunidade de ver o filme sobre o Plano Real no cinema, já está disponível na plataforma do "Youtube filmes" o filme completo a partir de R$ 6,90

Abaixo, o link para a aquisição do filme completo para locação ou compra. Depois do vídeo, faço alguns comentários do contexto geral

https://www.youtube.com/watch?v=q6a3ainXZC8






Primeiro ponto, importante dizer que foram feitos 2 excelentes livros sobre o Plano Real e publicados ali por volta de 2005.

O primeiro , ' A Real História do Real" , da Maria Clara do Prado, que foi relações públicas (mas economista de formação )do Ministério da Fazenda na época.

O segundo,  "3.000 dias no bunker", de Guilherme Fiuza, um jornalista que já havia escrito um ótimo livro chamado "O Meu nome não é Jhonny", livro que virou filme também.

Segunda questão.......quando o PSDB foi fundado em junho de 1988, o então Senador por São Paulo, Mário Covas, escreveu um texto , que depois foi lido no Congresso, chamado "O Choque do Capitalismo"....Esse texto balizou todo o PSDB dali em diante, considerado um marco na época, já que o Brasil, como todos sabemos, era um país fechado, etc......

Por conta disso, alguns economistas que trabalhavam e davam aula na PUC-RJ se identificaram com o texto.......dali, para a filiação de vários deles ao PSDB foi um pulo....Gustavo Franco e Edmar Bacha foram alguns desses.

O livro do Fiuza e o filme por tabela, curiosamente, não focam em 2 personagens principais do Plano Real, aqui entendido como o PLANO EM SI.....O PLANO como foi concebido....

A essência do Plano foi criada por André Lara Resende e o Persio Arida, 2 economistas que voltavam do Doutorado nos EUA e davam aulas na PUC-RJ.....os 2 tinham escrito um paper em 1984 (há uma confusão no ano que teriam publicado) e que havia sido distribuído no meio acadêmico onde se discutia a adoção de 2 moedas em paralelo para acabar com uma hiperinflação....

Abaixo um texto retirado do portal da FGV dá a idéia do que era esse "rascunho do Plano":

http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico/arida-persio

" Nesse contexto, Pérsio Arida divulgou, juntamente com o economista André Lara Resende, seu colega na PUC-Rio, idéias que constituiriam o núcleo do artigo “Inertial inflation and monetary reform in Brazil”, publicado pelos dois em 1985 na coletânea organizada por J. Williamson, Inflation and indexation: Argentina, Brazil and Israel (Boston, MIT Press). Os dois autores contribuíram para o debate de alternativas à crise econômica brasileira de um ponto de vista “heterodoxo”, isto é, divergente da tradição liberal-monetarista, afirmando que a crise resultava de uma inflação “inercial”: os sucessos alcançados no combate à inflação eram neutralizados pelo efeito de uma “memória inflacionária” que fazia com que a revisão dos contratos incorporasse as taxas mais elevadas do período anterior. Para interromper esse ciclo, os dois economistas conceberam um plano, apelidado “Larida”: seria adotada uma moeda indexada — a OTN (Obrigação do Tesouro Nacional) —, que circularia juntamente com o cruzeiro e, como moeda forte, a ele acabaria se sobrepondo, eliminando-se dessa maneira o fator de propagação inflacionária. A indexação total da economia conduziria, portanto, à sua desindexação definitiva."

Voltando.....

Porém, como vocês podem conferir no filme, o foco é a figura de Gustavo Franco, economista que entra na equipe principal que discutia a elaboração do "Plano final" como uma peça importante, mas com expectativas maiores à frente; pouco tempo depois, já era incorporado como Diretor da Área externa do Banco Central, cargo abaixo apenas do Presidente, naquela altura dada a Pedro Malan

E por que esse foco  ?

É inegável que se houve no governo um cara que defendeu com ferro e fogo o REAL , esse cara foi o Gustavo Franco....

Como toda a sociedade brasileira tinha uma memória fortemente dolarizada da economia, mexer no câmbio em 94,95,96 era extremamente perigoso e arriscado.....como a economia reagiria se mexesse no câmbio ? a inflação voltaria com toda a força ? essa era a discussão na época....e o Gustavo era irredutivel dentro do governo dizendo.....não....não....não....não era hora de mexer no câmbio...

Tal discussão se revelara naqueles tensos anos uma discussão eterna.....mesmo dentro do PSDB.....Serra, por exemplo, discordava da manutenção do câmbio por mais tempo.

O filme acaba colocando o Gustavo numa posição de destaque.....A manutenção do câmbio vai até março de 1999......diga-se de passagem, o estopim não foi a quebra da Rússia....e sim, a moratória da divída externa do estado de Minas Gerais imposta pelo Itamar Franco, recém eleito Governador, que já estava de "birra" com o então reeleito Presidente, Fernando Henrique Cardoso.

Se não fosse Gustavo Franco, talvez o Real não se mantivesse firme......talvez o limite da desvalorização do câmbio fosse 97-98.......desvalorizou-se em 99.......mas ninguém tem bola de cristal pra saber como o país reagiria a uma desvalorização em 95 ou 96.....o risco era enorme.......

Posso dizer a minha opinião que a mantenho até hoje:

Tenho absoluta certeza de que Gustavo Franco estava certo em ampliar esse prazo.....

O FILME é muito bom......não sei se é antológico....faltariam ajustes pra isso.....

Mas, vale a pena ver.