terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

"Mesmo com ações dos mercados emergentes extremamente baratas, não vale a pena comprá-las...fiquem longe delas por conta de 4 grandes riscos na China, México e Brasil", diz Howard Gold, colunista do "MarketWatch"

"Mesmo com ações dos mercados emergentes extremamente baratas, não vale a pena comprá-las...

Fiquem longe delas por conta de 4 grandes riscos na China, México e Brasil", 

Basicamente, esse é o resumo do artigo escrito pelo colunista do "MarketWatch", Howard Gold, e publicado hoje no site do "MarketWatch"

O colunista começa o artigo explicando que, mesmo diante de uma relação de 12, segundo o "CAPE Ratio Shiller", ou "PE Shiller Ratio", que indica o atual estágio de "ganhos-lucros por ação" dos mercados emergentes, os mercados emergentes não estariam baratos.....

Isso mesmo, segundo ele,, se compararmos com o atual estágio de 28 para as maiores ações americanas, segundo o mesmo " PE Shiller Ratio".

Mas, por que 12 pra 28 não seria barato, segundo ele ?

Primeiro, segundo ele, os mercados emergentes ainda estão em um "Bear Market secular"....o recente rally, ainda segundo ele, ainda faz parte de um "Bear-Market secular"

Opss.....vamos dar uma pausa aqui .....

Notem que tal discussão é uma discussão que eu venho tentando colocar em debate já há algum tempo....o Bovespa ainda estaria em um "Bear-Market secular" ou não ? O atual rally ainda é uma perna de alta dentro de um grande "Bear-Market secular" ? Isto é......lembram daquele meu artigo em que exponho as quedas em dólar dos últimos 4 Bear Markets , incluindo o atual ?....2 deles, com quedas aproximadas de 80% em dólar, 1 de aproximadamente 90% e o atual, que, ao bater os 37.000 pontos no início de 2016, chegou a finalizar uma queda aproximada de 80% em dólar......

Se esse rally for ainda uma perna de alta, isto é,uma correção dentro de um "Bear-Market secular", ainda veremos uma queda acima de 80% em dólar desde o topo de maio-2008.....ou seja....ainda veremos um Bovespa ir abaixo dos 37.000 nos próximos 2-3-4 anos

Sigamos com o excelente artigo de Howard Gold

Mas, não apenas por estarem em mercados em "Bear-Market seculares"

Por conta de 4 grandes riscos à frente:

São eles:

1 - Segundo o autor, partindo do princípio que o FMI trabalha com um crescimento dos lucros das empresas dos mercados emergentes de 10% anuais para os próximos 5 anos,e 9% anuais para os lucros das empresas americanas para o mesmo período, a diferença não compensa, dada a forte volatilidade intrínseca dos mercados emergentes; esses seriam 50% mais voláteis do que outros mercados. Assim, o risco não compensa

2- Força do dólar que, historicamente, tende a enfraquecer o barril de petróleo e commodities em geral, importantes fontes de receita para os mercados emergentes; Rússia, Brasil e México, principalmente. O quadro seria mais delicado ainda se a dinâmica de 3 aumentos de taxa de juros americana se mostrar verdadeira para esse ano.

3 - Guerras Comerciais que podem se intensificar a partir da atual política industrial vislumbrada por Trump, onde uma visão nacionalista tende a enfraquecer players globais, em especial , aqueles dos mercados emergentes

4 - Por fim, o quarto grande risco responde pelo nome de "China"; mais especificamente, a instabilidade da China

Abaixo, o texto completo com os 4 grandes riscos muito claros


Opinion: Incredibly cheap emerging-markets stocks still aren’t worth buying
By Howard Gold
Published: Feb 28, 2017 10:00 a.m. ET

Stay away because there are four big risks in China, Mexico and Brazil, among other countries

Whenever markets underperform for years, some people go bottom fishing. It’s part of a natural human impulse to find bargains by buying low, being greedy when others are fearful, etc.

Lately we’ve seen that with emerging markets (EM), which have underperformed for years and which I have written are in a secular bear market.

The largest EM exchange traded fund, Vanguard FTSE Emerging Markets ETF VWO, -0.64% has outperformed the S&P 500 Index SPX, -0.31%  since last February’s lows by 34% to 29%.

But since the election, VWO has risen only about 3%, trailing the S&P’s 10%-plus gain. That makes me think the latest emerging markets pseudo-rally (one of several in this secular bear market) is running out of steam.

Yet pundits and commentators are once again recommending emerging markets. According to Research Affiliates, emerging markets trade at a Shiller cyclically adjusted P/E, or CAPE, of only 12 times the last 10 years of earnings, adjusted for inflation. U.S. large-cap stocks have an elevated Shiller P/E of 28. (Lately, the Shiller P/E has been too pessimistic about future U.S. stock returns.)

Yes, valuations of emerging markets look attractive. But though I’d like to buy again at some point, right now I’m staying away for four reasons.

1. EM earnings growth ain’t that great. Morningstar estimates earnings for emerging markets companies will grow at 10% annually for the next five years. The S&P 500, it projects, will grow 9% a year during that time. That’s not a big premium for markets that are roughly 50% more volatile.

Meanwhile, the International Monetary Fund has revised its GDP growth estimates down for major EM economies like Mexico, India and Brazil. The World Bank expects EM GDP growth to accelerate to 4.2% annually, from 3.4% in 2016, but worries that investment in these countries is at a multiyear low, which “can have insidious and corrosive results.”

Also, research by Elroy Dimson, Paul Marsh and Mike Staunton of the London Business School, among the world’s leading authorities on global equity returns, found little correlation between GDP growth and stock market returns. So, it’s a fallacy to buy EM stocks “because their economies are growing faster.”

2. The U.S. dollar should remain strong. If the Federal Reserve hikes the federal funds rate at least three times this year while other central banks stand pat or cut rates, how can the dollar not strengthen? And if President Donald Trump carries out the policy miracles his ardent followers expect (shredding regulations, cutting business and personal taxes, passing a big infrastructure package), inflation will pick up and the Fed would raise rates even faster, boosting the dollar more.

A stronger dollar is bad for oil and other commodities in which emerging markets specialize (Russia, Brazil and Mexico, for example). Greater dollar strength would likely clobber Latin America, which depends heavily on commodity exports and whose MSCI EM Latin America index surged 31.5% in 2016. Russia’s RTS index soared by more than 50% in dollar terms last year; it’s off 0.5% so far this year. These stocks have come a long way in a short time and are ripe for correction; greater strength in the dollar would do the trick.

3. Trade wars would hurt emerging markets most. Wall Street is betting heavily on the “good” Trump prevailing, he of the tax cuts and fiscal stimulus. But what happens when the “bad” Trump shows up? Border walls, mass deportations, and punitive tariffs play well in the heartland, where his supporters actually think he’ll bring back the well-paying manufacturing jobs of the 1950s.

But stiff tariffs and trade wars would hit emerging markets particularly hard, especially China and Mexico, the top two exporters to the U.S. We might tip into recession, too, but there’d be absolute carnage in emerging market economies and markets.

4. China’s economy is shaky. China may be the world’s second-largest economy, and it’s the biggest emerging market, so what happens there profoundly affects emerging market economies and stocks.

But China, which posted 10% annual GDP increases in the mid-2000s, could see growth drop to the IMF’s projected 6.5% this year and 6% in 2018. Meanwhile, the country’s debt load is enormous, and its real estate may be in “the biggest bubble in history.”

As 2015’s stock market melt-up and crash showed clearly, China is a rigged market utterly lacking in transparency and manipulated by the government. No investor should trust it. And yet leading providers are considering boosting China’s weighting in the big EM indexes, which means that more than ever, buying emerging-markets ETFs means buying China.

I’ll wait for the indexers to come to their senses. Until then, which may be a while, investing in broad global index ETFs that already have nearly 20% of their assets in emerging markets or in U.S. multinationals that get lots of revenue from emerging markets will be good enough for me.

Howard R. Gold is a MarketWatch columnist and founder and editor of GoldenEgg Investing, which offers exclusive market commentary and simple, low-cost, low-risk retirement investing plans. Follow him on Twitter @howardrgold.

"A salgada conta de Dilma", por Editorial Jornal "O Estado de São Paulo"

 Editorial Jornal "O Estado de São Paulo, hoje, 28-02-2017

Todo o texto aqui: http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,a-salgada-conta-de-dilma,70001681484

A salgada conta de Dilma

Até hoje o voluntarismo da presidente afastada por crime de responsabilidade gera nefastos efeitos para a população        
O Estado de S.Paulo

28 Fevereiro 2017 | 05h00

No dia 23 de janeiro de 2013, a presidente Dilma Rousseff fez um pronunciamento em cadeia nacional para anunciar, em tom de campanha eleitoral, a prometida redução nas contas de luz em todas as regiões do País. Ela apresentou a medida como sendo o final feliz de sua política para o setor elétrico, cuja implantação havia se iniciado no ano anterior, com a controvertida Medida Provisória (MP) 579/2012.


No pronunciamento oficial, Dilma Rousseff fez troça de seus críticos. “Estamos vendo como erraram os que diziam meses atrás que não iríamos conseguir baixar os juros nem o custo da energia e que tentavam amedrontar o nosso povo, entre outras coisas, com a queda do emprego e a perda do poder de compra do salário”, disse a presidente. Como agora é mais que evidente – quatro anos depois do episódio –, os críticos de Dilma estavam certos e ela, errada. Até hoje o voluntarismo da presidente afastada por crime de responsabilidade gera nefastos efeitos para a população.

Proximamente o consumidor sentirá na pele mais uma consequência da desastrada política de Dilma Rousseff. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o pagamento na conta de luz de indenizações às transmissoras de energia elétrica, no valor de R$ 62,2 bilhões. A origem desses valores está relacionada a investimentos em melhoria e expansão de linhas e subestações anteriores ao ano 2000, que até hoje não foram integralmente pagos. A questão envolve Dilma Rousseff, já que mais da metade do atual valor – R$ 35 bilhões, segundo cálculos da Aneel – está diretamente relacionada aos efeitos financeiros de sua política para o setor elétrico.

Para reduzir a conta da energia elétrica em 2013, Dilma atrasou o pagamento dessas indenizações. No seu pronunciamento na TV, Dilma omitiu esse ponto, mas agora a conta chegou. “O fato de não ter sido pago naquela época imputou hoje valor considerável para o consumidor, que não teve gestão na decisão de pagar ou não”, disse Reive Barros, diretor do órgão regulador. A Aneel estima um aumento entre 1,13% e 11,45%, com um impacto médio de 7,17% na conta de luz.


Há ainda outro ponto importante. O custo para o País da política implantada pela presidente Dilma Rousseff para o setor elétrico foi bem mais alto que os R$ 35 bilhões. Além do que o consumidor pagará agora em razão do atraso no pagamento das indenizações às transmissoras, o Tesouro Nacional bancou, por um longo período, parte da redução da conta de luz. Ou seja, recursos públicos, oriundos da arrecadação de impostos, foram utilizados para custear a artificial diminuição no valor da conta de luz.
Tratava-se de uma ilusão a redução do preço da energia, que continuava custando o mesmo valor. A única mudança era que parte do valor era paga pelo contribuinte de maneira indireta, por meio dos recursos do Tesouro Nacional. Esse modo inventado por Dilma para maquiar o valor real da conta de luz agravou ainda mais o déficit fiscal, com os conhecidos efeitos desse desequilíbrio nas contas do governo – mais inflação, juros mais altos, menos confiança na capacidade de o Estado honrar suas dívidas, menos investimentos.

A presidente Dilma Rousseff não reduziu a conta de luz. Na verdade, o que ela fez foi obrigar o País a pagar, com altos juros, o preço de sua política populista e eleitoreira. A conta, na verdade, só ficou mais salgada. Até 2025.

Aquela primeira LTA curtinha destacada aqui da VALE5 foi perdida.....então, passaremos a focar uma segunda LTA que vem de set-2016.....isso fará com que a VALE3 entre em sintonia com a VALE5, pois ela também tem uma LTA de set-2016, inclusive, mais clara

Aquela primeira LTA curtinha destacada aqui da VALE5 foi perdida.....então, passaremos a focar uma segunda LTA que vem de set-2016.....isso fará com que a VALE3 entre em sintonia com a VALE5, pois ela também tem uma LTA de set-2016, inclusive, mais clara

Vejam abaixo as 2 marcadas pela linha azul....

A linha branca da VALE5 é que representava a LTA curtinha perdida semana passada, quando a VALE5 caiu mais forte.

Assim, teremos 2 LTA's de médio prazo pra monitorarmos, e que podem ser o último sinal do crash em torno das ações das 2 mineradoras.

Dentro do meu pensamento defendido já há algumas semanas, a VALE5 ainda teria que ir até a faixa de 37.50-40,00 pra pensar num crash....

Portanto, essa LTA dificilmente sera perdida antes da VALE5 ir lá nessa faixa..

Hoje, a LTA da VALE5 passa ali na faixa de 29.50

VALE5, Diário, escala logarítmica

VALE3, Diário, escala logarítmica

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Ao clicar sobre a série "saldo de crédito-PIB" no site do Banco Central, você encontra a seguinte mensagem :" Série temporal revisada integralmente em fevereiro de 2017"........Por que o BC está revisando agora, fevereiro-2017, uma série que envolve 2 variáveis importantes ou mais do que importantes, num momento em que a Bolha de Crédito brasileira parece em estágio de "estouro" ? Alguma preocupação especial com o sistema bancário brasileiro ?

 Ao clicar sobre a série "saldo de crédito-PIB" no site do Banco Central, você encontra a seguinte mensagem :

" Série temporal revisada integralmente em fevereiro de 2017"

Por que o BC está revisando uma série que envolve 2 variáveis importantes ou mais do que importantes, principalmente num momento em que a Bolha de Crédito brasileira parece em estágio de "estouro" ?

Alguma preocupação especial com o sistema bancário brasileiro ?

Abaixo, a tela exata com a mensagem acima no exato momento em que clica sobre a primeira "série" mostrada na tela, isto é, "saldo de crédito-PIB"

Tentem fazer isso.....o link para as várias séries que o BC disponibiliza é: https://www3.bcb.gov.br/sgspub/localizarseries/localizarSeries.do?method=prepararTelaLocalizarSeries

O atalho é :

Indicadores de crédito
Saldos percentuais em relação ao PIB

"Dólar x Real"......nunca tão próximo de sua LTA de 5 anos

"Dólar x Real"......nunca tão próximo de sua LTA de 5 anos

"Dólar x Real", semanal, escala logarítmica, período 12 anos

"O descompasso", por Miriam Leitão

Ótimo artigo publicado ontem na coluna de Miriam Leitão, no Jornal "O Globo"


O descompasso

26/02/2017 06:00

O país está vivendo um enorme contraste entre os indicadores do mercado financeiro e a economia real. De um lado, a bolsa bate recorde em vários anos, o risco-país despenca, as previsões de juros são cada vez menores. De outro, o desemprego continua em alta, a crise dos estados passa por momentos dramáticos, as empresas permanecem com dificuldades e sem capacidade de investimento.

Dos EUA, onde mora e dá aulas na Universidade Johns Hopkins, a economista Monica de Bolle enxerga nessa contradição um grande risco. Avalia que o principal indicador para se medir a saída da crise é a taxa de desemprego e não há sinais no horizonte de que o problema melhore a curto prazo. Com isso, a insatisfação com o governo e a economia permanecerão elevados, o que tornará mais difícil aprovar a agenda de reformas e os ajustes necessários para reequilibrar as finanças públicas do país.

— O Brasil corre um sério risco de viver um efeito semelhante ao que aconteceu nos EUA com a eleição de Trump. Obama colocou a economia nos trilhos, mas a recuperação foi desigual e não houve criação de empregos para todas as classes sociais. Isso pode se repetir por aqui em 2018, e o mercado financeiro parece ignorar esse cenário — afirmou.

No caso dos EUA, o desemprego estava baixo quando Trump foi eleito. O problema é que ele levantou a bandeira de que no passado os americanos tinham sido mais felizes e prometeu “fazer a América grande de novo”. Na avaliação de Monica, esse sentimento de nostalgia pode ser explorado no Brasil pelo ex-presidente Lula, que na memória de muitos brasileiros está associado ao período de bonança, apesar de ter sido parte do problema que nos atingiu.

Monica diz que a crise de superendividamento no Brasil afetou todos os setores da economia: governo federal, estados, empresas e famílias. Em uma situação dessas, a recuperação é sempre lenta. Foi assim com os EUA após o colapso do sistema financeiro em 2008 e também com países da Europa, como Grécia, Espanha, Portugal e Espanha. O que agrava a nossa situação é a descrença nos políticos provocada pelo que tem sido revelado na Lava-Jato, e que coloca na berlinda os responsáveis por conduzir o ajuste:

— Em 2014, a gente tinha uma economia desarrumada, mas com sensação de bem-estar porque a inflação e o desemprego eram baixos. Por isso a presidente Dilma se reelegeu. Em 2018, ao contrário, teremos uma economia já um pouco ajustada, mas com uma sensação de mal-estar, por causa do desemprego. A chance de um governo de descontinuidade é grande e o que foi aprovado, como o teto de gastos, pode ser revertido.

Semana passada ficou claro esse descompasso entre o Brasil que o mercado comemora — de alta na bolsa e queda dos juros, do dólar, do risco-país — e o Brasil que ainda enfrenta uma recessão severa onde o desemprego não dá trégua. A taxa chegou aos 12,6%. Mesmo que o país aumente o número de pessoas empregadas, como prevê a FGV, o desemprego continuará afetando os indicadores de confiança e de consumo.

Monica elaborou um gráfico para medir o grau de insatisfação econômica, com a soma da taxa de desemprego e a taxa de inflação. Em 2015, esse índice de mal-estar atingiu o ápice, em 19,2%, com inflação de 10,7% e desemprego de 8,5%. Para este ano, a expectativa é de uma taxa de 16,43%, ainda muito elevada. O conforto com a queda da inflação será neutralizado pela continuidade do desemprego. Esse é o Brasil real.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Há 10 meses, escrevi um artigo cujo título era: "Teremos uma crise bancária no Brasil ?".....pois sim......voltarei em breve a escrever sobre isso......mas, antes, discutirei peças que nos levarão a mesma pergunta....assim, a didática e percepção melhoram.....primeira peça: "A PDG é a "New Century" americana de 2007 ?

Há 10 meses, em 03-04-2016, escrevi um artigo cujo título era: 

"Teremos uma crise bancária no Brasil ?"

Aqui, o link :http://pracompraroupravender.blogspot.com.br/2016/04/pelo-brasil-os-questionamentos-textos.html

Pois sim......voltarei em breve a escrever sobre isso......

Mas, antes, discutirei peças que irão forma um "quebra-cabeças completo" que nos levarão a mesma pergunta....

Assim, guardamos, o suspense,  e a didática e percepção melhoram.....

A primeira dessas peças é o post-artigo com o seguinte título:

A PDG é a "New Century" americana de 2007 ?

Antes de começar o artigo, interessante destacar um diálogo que faz parte do filme "The Big Short", no Brasil, chamado "A Grande aposta", o filme que é inspirado no livro "The Big Short", do escritor Michael Lewis, e que mostra como alguns poucos investidores perceberam e ganharam dinheiro com a Crise do Subprime americano em 2007-2008

O Diálogo começa com um dos maiores investidores do fundo gerido por Michael Burry (no filme não mudaram o nome, diferente de outros personagens) questionando sobre a estratégia iniciada por Burry em apostar contra o mercado imobiliário americano

Aqui, identificarei o investidor como "investidor" e Michael Burry, como "Burry"


"Todo mundo vê que há uma bolha imobiliária"


"Na verdade, ninguém vê uma bolha. É por isso que é uma bolha"


"É uma besteira isso....Há sempre sinais envolvidos"

O Diálogo pode ser visto no vídeo abaixo.....ele se concentra a partir dos 25 segundos:

Dito isso, vamos a parte mais interessante do artigo.....

Havia uma "inquietude" nos mercados financeiros, na imprensa, no meio acadêmico, ali já por volta de 2004, 2005, 2006 acerca da evolução dos mercados e o quanto os preços de imóveis tinham avançado.

Quase tudo, ou tudo, girava sobre o tema "bolha imobiliária", "bolha dos mercados"m enfim....

A "coisa" não surgiu do nada.....foi uma evolução....um "crescente"....

Falar em retrospectiva é mais fácil.......quando vemos o filme "The Big Short", facilitado por um ótimo roteiro, a visualização "dessa coisa", fica mais fácil ainda.....

Mas, quando estamos no "meio da coisa", é sempre mais difícil....até porque, o que parece, é que, quando estamos "contra o senso comum", estamos "contra o mundo"

Mas, prestem atenção.....se tem uma coisa que aconteceu de forma um pouco mais intensa, naquele momento "Pré-Crise Subprime", foi o anúncio de que a empresa "New Century", uma das maiores empresas americanas de crédito imobiliário de alto risco , havia entrado com o pedido de proteção contra a falência, algo muito semelhante a "recuperação judicial brasileira".

O anúncio foi feito no dia 02-04-2007

Abaixo, texto do portal G1 da época:

02/04/2007 - 14h51m - Atualizado em 02/04/2007 - 14h50m  Reuters

RSSImprimirImprimir Enviar Enviar por e-mail Receber NewsletterReceber Newsletter 

Tamanho da letra A-A+
NOVA YORK (Reuters) - A New Century, empresa norte-americana de crédito imobiliário de alto risco, informou nesta segunda-feira que entrou com pedido de proteção contra falência, atingida por aumento na inadimplência de clientes e corte de financiamento por seus credores, no maior colapso de uma empresa do setor nos Estados Unidos.

A empresa demitiu 3.200 funcionários --54 por cento de sua força de trabalho-- e disse que irá vender seus ativos durante o processo de proteção judicial conhecido como Chapter 11.

A falência da New Century ocorre menos de dois meses após a empresa noticiar dificuldades com seu portfólio de empréstimos. A companhia era a maior empresa independente dos EUA de financiamento imobiliário a pessoas com histórico ruim de crédito. Muitas outras empresas do setor, conhecido como "subprime", também enfrentam dificuldades com aumento da inadimplência.

"Estamos apenas no início dos problemas no setor subprime", disse Brad Hintz, analista da Sanford Bernstein. "O que estamos vendo é que a crise de liquidez continua no mercado."

A empresa anunciou um acordo para vender seus ativos de serviços financeiros e plataformas de empréstimos para a Carrington Capital Management por 139 milhões de dólares. A New Century também obteve um empréstimo de 150 milhões de dólares com o CIT Group e o Greenwich Capital Financial Products para manter-se em operação.

As duas transações necessitam de aprovação de uma corte de falências. A empresa também irá vender ao Greenwich Capital alguns dos empréstimos e outros ativos no valor de 50 milhões de dólares.


A venda de ativos não é "a opção que eu prefiro", mas é necessária "devido aos repentinos e significativos desafios que nossa indústria e especificamente a New Century enfrentam", disse o presidente-executivo da companhia, Brad Morrice.

A New Century foi fundada há 12 anos por três homens que ajudaram a criar a Option One Mortgage Corp, uma financeira do setor de alto risco que a H&R Block controla e está tentando vender.

O setor de financiamento cresceu rapidamente nesta década, em meio a uma alta dos preços de residências e às baixas taxas de juros.

Mas os investidores começaram a sair do setor após a New Century dizer em 7 de fevereiro que iria registrar um surpreendente prejuízo no quarto trimestre e rever os resultados dos três trimestres anteriores. Mais tarde, a empresa anunciou uma investigação criminal em suas contas e na negociação de suas ações.

Entre os maiores credores da New Century estão Goldman Sachs, Credit Suisse, Morgan Stanley, Deutsche Bank, Bank of America, Lehman Brothers, UBS, Citigroup e Coutrywide Financial.


Avancemos com novas ilustrações....

Abaixo, podemos ver no vídeo de 6 minutos a surpresa de 2 dos investidores que apostaram contra o mercado imobiliário ao saberem da notícia da inclusão da New Century no "capítulo de proteção contra falência".

O Vídeo faz parte do mesmo filme acima já discutido, "The Big Short"......o momento da surpresa pode ser visto logo no início, até pouco mais de 30 segundos...


Vamos lá.....

O anúncio foi feito no dia 02-04-2007....

Vejam abaixo, e isso eu já havia discutido na última sexta-feira, o gráfico do índice Case-Shiller, o principal índice de preços dos imóveis dos EUA...

O ápice  foi atingido em abril de 2006, faixa de 206....ele cai de forma branda em seguida....em março de 2007, ele ainda está na faixa de 204

Agora, vejam como o índice se desenvolve justamente a partir de abril-2007, após o anúncio da New Century....2 anos depois, o índice colapsa para a faixa de 141, com uma queda de 30% aproximadamente

Índice Case-Shiller, período 14 anos

Alguns pontos a considerar......olhado em retrospectiva, parece óbvio que alguns pontos, ligados em conjunto, num todo, não se sustentavam.....no que tange ao "Case-Shiller", ele havia subido cerca de 100% de 2000 para 2006.....

Assim....o sistema parecia andar em terreno "frágil", nebuloso".....faltava um "empurrão" para todo o quadro desmoronasse.....

Vamos tomar um outro exemplo pra encerrar o artigo....

Qual o empurrão para que a bolha de commodities estourasse a partir de meados de 2015 ? Principalmente, commodities metálicas....


Como podemos ver isso ?

Vejam o gráfico abaixo....o gráfico reproduz a evolução do crescimento anual do PIB Chinês....

Ele tem uma alta considerável do final dos anos 80 até 1993-1994...cai até 1997....volta a engatar uma forte alta até 2007.....sofre com a Crise americana....e tem forte reversão até 2010-2011.....Dali em diante, ele só faz cair.....as taxas de crescimento que giravam em torno de 12% anuais atingem o fundo do poço no final de 2015 próximas a 6% anuais...

Taxa anual de crescimento PIB-CHINA

Fonte: tradingeconomics.com

Vejam os gráficos do índice "CRB Commodities", embora esse tenha um peso forte do "barril de petróleo", e da VALE5 " e da ADR VALE em Nova York e comparem com o gráfico acima; as dinâmicas são idênticas

CRB Commodities, semanal, período 10 anos

VALE5, semanal, período 10 anos

ADR VALE semanal, período 10 anos

A semana que passou foi marcada pelo anúncio da "Recuperação Judicial" da Construtora PDG, aquela que já foi a maior construtora do Brasil.....ainda, até o anúncio da "Recuperação", com um alto número de obras em execução.

Abaixo, o índice IVG-R, o índice formatado pelo Banco Central do Brasil para esclarecer a evolução dos preços dos imóveis no Brasil, já que espelha os preços dos imóveis dados como garantia para os respectivos financiamentos imobiliários.


O índice, como já aqui demonstrado, apresenta, desde o topo em setembro-2014, uma queda de 18% nominal acumulada.

A New Century nos EUA não era uma construtora; era uma empresa de crédito imobiliário de alto risco.

Assim, PDG e New Century são de segmentos distintos; porém, inegável constatar que, em algum ponto, se entrelaçam e espelham questões-problemas iguais.

Podemos, diante disso, especular que o cenário daqui para os próximos meses será o mesmo cenário visto nos EUA em 2007-2008-2009 ?

Qual cenário ?

Ora....eu que estou perguntando, agora......qual cenário ?

"Corporações também têm de pagar a conta do ajuste dos Estados", por Samuel Pessoa, no Jornal "Folha de São Paulo" de hoje

Excelente artigo do economista Samuel Pessoa, hoje no Jornal "Folha de São Paulo"


Corporações também têm de pagar a conta do ajuste dos Estados

26/02/2017  02h00

O Executivo enviou na semana passada ao Congresso Nacional o PLP (projeto de lei complementar) 343, que institui o regime de recuperação fiscal (RRF) dos Estados, incluindo o Distrito Federal.

O PLP 343 visa gerar alívio de caixa para os Estados que se enquadrem em três características: dívida maior do que a receita corrente líquida (RCL); gasto com pessoal ativo e inativo e juros acima de 70% da RCL; e caixa inferior às obrigações a pagar.

São Estados com gasto rígido, endividamento excessivo e sem caixa. Estão insolventes. Apesar da gravidade da crise, até o momento somente Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais encaixam-se nesses critérios.

Em troca de suspensão do pagamento da dívida com a União por até 36 meses (com possibilidade de renovação) e de algum alívio para endividarem-se, também para alguns fins específicos, os Estados elegíveis que quiserem participar do programa terão de aprovar em suas Câmaras ajustes da legislação estadual às exigências do RRF.

Para conseguir alívio maior do seu caixa, os Estados terão de aprovar a privatização de empresas da área financeira, de saneamento ou energia. As receitas da privatização poderão ser antecipadas para a contratação de crédito.

Os Estados que aderirem ao plano não poderão conceder aumentos de salários, novos incentivos tributários e fazer novos concursos. Adicionalmente, terão de reduzir os atuais incentivos tributários em 20% ao ano no período de adesão ao RRF e aumentar a contribuição previdenciária para 14%, além de implantar alíquota adicional ao longo do mesmo período, entre outras medidas.

O desequilíbrio fiscal que tem nos assolado de forma crescente desde 2012, cuja expressão aritmética é crescimento do gasto público nos últimos 25 anos à velocidade acima do crescimento do PIB, tem duas componentes.

A primeira é o desejo da sociedade de enfrentar a agenda da inclusão social. Desde a estabilização econômica, em razão de inúmeros dispositivos constitucionais, o gasto social, com saúde e educação, tem crescido sistematicamente.

A segunda componente é o poder das corporações, principalmente dos servidores públicos, de criar dispositivos legais que garantam fatias do Orçamento para si. O poder das corporações tem sido particularmente forte no nível estadual, mais insulado do escrutínio da sociedade do que a esfera federal.

É necessário aprovar medidas que limitem o crescimento do gasto dos Estados, com salários e benefícios de ativos e inativos, à capacidade de arrecadação. Como os governadores têm aprendido a duras penas, somente alívio da dívida estadual não resolve: é fundamental ajustar a folha de pagamento e as despesas previdenciárias. E o RRF tem uma série de exigências adicionais de ajuste no regime previdenciário estadual, além dos ajustes promovidos pela PEC da reforma da Previdência.

Até o momento, as corporações têm sido vitoriosas. Elas impediram que contrapartidas fossem exigidas, mesmo após elas serem negociadas pelo Tesouro com os secretários da Fazenda estaduais, na renegociação no ano passado das dívidas dos Estados com a União. As corporações do setor público estaduais pressionaram as bancadas na Câmara dos Deputados e levaram.

O mês de março promete. Previdência e Regime de Recuperação Fiscal. Saberemos se alguma parcela do ajuste recairá sobre as corporações ou se o resto da sociedade terá de pagar a conta sozinho. 

sábado, 25 de fevereiro de 2017

"Construtora PDG tem dívida de R$ 3,9 bi com bancos nacionais", por Jornal "O Estado de São Paulo"

Matéria de hoje publicada no Jornal "O Estado de São Paulo" mostra o total de R$ 3,9 B de dívida da PDG com os bancos nacionais.

Mas, não é isso que quero ressaltar na matéria, embora o número por si só seja muito alto.

Vejam a seguinte parte da matéria :

"Apesar de ser o maior pedido de recuperação do setor imobiliário, a PDG tende a fazer menos estrago, uma vez que a exposição dos bancos à empresa é menor comparado aos casos de Sete Brasil e Oi."

Como assim "menos estrago" ???

A Recuperação Judicial da PDG cria um efeito cascata.....vejam a matéria por exemplo do Jornal "O Globo" de ontem, que publiquei hoje......24 horas após o anúncio da Recuperação Judicial da PDG, outras 4 construtoras devem pedir também "Recuperação Judicial"

E isso é só o começo......vai haver um "banho de sangue"......

A corrida aos distratos, se já era alta antes, agora vai se intensificar. E vejam que coisa curiosa.....a corrida aos distratos vai se intensificar, não apenas por uma voluntariedade das pessoas, e sim, pelos próprios bancos.....ora......se todas as variáveis que rondavam o setor imobiliário já eram nebulosas, imaginem agora.....muitos financiamentos imobiliários que ainda estavam por ser analisados serão recusados.....e ainda que parte da sociedade não queira distratar seus respectivos financiamentos, ela o fará pela vontade do banco.....

Outro ponto...

Imaginem uma situação hipotética, daqui 2 anos, em que a PDG saia da "Recuperação Judicial"...no momento em que ela colocar o pé fora da "Recuperação", uma nova enxurrada de pedidos de distratos irá acontecer....e mais corrosão do caixa, que, obviamente, nem temos idéia do seu patamar lá na frente......

A situação é dramática para o setor imobiliário em qualquer cenário que pensemos e especulemos

Vamos a parte da matéria.....

Todo o texto, aqui: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,construtora-pdg-tem-divida-de-r-3-9-bi-com-bancos-nacionais,70001679267

Construtora PDG tem dívida de R$ 3,9 bi com bancos nacionais

Recuperação judicial deve pressionar balanços de instituições como Bradesco, Itaú, BB, Votorantim, Caixa e BTG
Aline Bronzati , 
O Estado de S.Paulo

25 Fevereiro 2017 | 05h00

A dívida da incorporadora PDG, que pediu recuperação judicial na quarta-feira, com os grandes bancos soma cerca de R$ 3,9 bilhões, apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O pedido de proteção à Justiça do grupo, se aprovado, será o maior do setor imobiliário, que tem dívidas totais de R$ 7,8 bilhões.

Por causa da crise na PDG, os bancos – Bradesco, Itaú Unibanco, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Santander, Votorantim e BTG Pactual – devem elevar as despesas para crédito inadimplente no primeiro trimestre. O valor considera apenas as dívidas inseridas no processo de recuperação e não os valores extraconcursais.

Na prática, porém, esses bancos já vinham elevando as provisões para a PDG, considerando que a construtora já considerava pedir recuperação judicial desde o fim do ano passado, apurou o Broadcast.

Apesar de ser o maior pedido de recuperação do setor imobiliário, a PDG tende a fazer menos estrago, uma vez que a exposição dos bancos à empresa é menor comparado aos casos de Sete Brasil e Oi. Mesmo assim, o caso é considerado complexo. “A PDG é muito grande, com vários sócios e credores. Pela complexidade, a solução da empresa não seria encontrada fora de um ambiente jurídico. A recuperação judicial pode ser muito positiva”, diz um dos credores.

De olho nas recuperações judiciais, os bancos têm feito provisões em seus balanços. Juntos, Bradesco, Itaú, Santander e BB haviam separado R$ 132,6 bilhões, em dezembro, cifra 14,3% superior à registrada um ano antes, de R$ 115,9 bilhões.

Procurados, Caixa, Santander e BB não comentaram. Os outros bancos não retornaram.

Rossi. Em processo de reestruturação iniciado há dois anos, a Rossi Residencial continua a conversar com os bancos credores, como Bradesco e Banco do Brasil, para realongar suas dívidas de curto prazo, de cerca de R$ 320 milhões. Os débitos totais somam cerca de R$ 2,4 bilhões – quase metade deste valor refere-se à dívida corporativa (da holding com os bancos). A outra parte é de financiamento de projetos com bancos, que têm os imóveis como garantia.

"Crise da PDG deixa setor de construção em alerta", por Jornal "O Globo"

Matéria excelente do Jornal O Globo publicada ontem, 24-02-2017


SÃO PAULO e RIO - O pedido de recuperação judicial da PDG, que já foi a maior incorporadora do país listada na Bolsa de Valores de São Paulo, deve ter consequências para o setor de construção, um dos mais afetados pela recessão. A crise da PDG — com mais de 23 mil credores, dívidas totais de R$ 7,8 bilhões, dos quais R$ 6,2 bilhões foram incluídos no pedido à Justiça de proteção contra credores — deve tornar o crédito mais caro para as empresas, além de aumentar a cautela dos consumidores em relação à compra de imóveis na planta.

— O crédito deve ficar mais caro, principalmente para empresas de porte intermediário. Os bancos vão começar a olhar com um pouco mais de cuidado o segmento na hora de emprestar, porque o risco de crédito do segmento aumenta com esse movimento — explicou Marcelo Motta, analista do JPMorgan. — Tem ainda um impacto, que é menos óbvio, junto aos consumidores. Quem vai comprar imóvel na planta pode ficar com o pé atrás por causa da repercussão de notícias como essas.

Os grandes bancos lideram a lista de principais credores da PDG, já que são eles os principais financiadores dos empreendimentos imobiliários no país. Ao menos R$ 2,2 bilhões em dívidas foram originadas em operações de empréstimo com Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e GDC Partners. A parcela referente às instituições financeiras pode ser ainda maior, já que o valor se refere apenas aos créditos classificados com e sem garantia. Há muitas operações ainda que estão em nome de 56 sociedades de propósito específico (SPEs) incluídas no documento apresentado à Justiça.

As SPEs que entraram na recuperação judicial são sociedades criadas para cada empreendimento de responsabilidade da PDG. Isso é feito para maior controle das obras, mas serve também como uma espécie de proteção ao comprador, já que os créditos e débitos de um determinado empreendimento não se misturam com outros no chamado patrimônio de afetação. Estas sociedades entram no pedido de recuperação porque seus terrenos ou unidades que não foram vendidas servem como garantia aos bancos credores. Há uma lista de SPEs que não entraram na recuperação porque têm sócios que não autorizaram o processo, estão inativas ou têm condições financeiras e posição jurídica que não justifica ingressar no processo.

Desde o ano passado, o governo tenta incentivar o setor da construção. Uma das medidas mais significativas foi o aumento do limite do valor do imóvel que pode ser financiado com FGTS para R$ 1,5 milhão. O esforço não é a toa. Relatório recente do JPMorgan calcula que, entre as nove maiores empresas listadas na Bolsa, os estoques somam 24 meses, totalizando R$ 23,4 bilhões. Os problemas se concentram nos ramos de média e alta renda. Para o fim deste ano, estima-se que o prazo cairá para 19 meses, valendo R$ 22,4 bilhões. Apesar da queda dos juros, a expectativa é que os preços dos imóveis continuem a cair pelo terceiro ano seguido. Nos últimos dois anos, a queda real foi de 14%. Para este ano, o recuo deve ficar entre 2% e 3%, calcula o banco.


Segundo fontes do setor, no Rio de Janeiro, haveria ao menos quatro construtoras de médio porte que já estudam entrar com pedido de recuperação judicial. No ano passado, foram registrados 1.863 pedidos de recuperação judicial, dos quais 259 foram feitos por grandes empresas. Uma delas foi a incorporadora Viver, com dívida em torno de R$ 1,2 bilhão.

— Um dos grandes benefícios da recuperação judicial é que você ganha a suspensão de ações contra a empresa. Até a aprovação do plano, que ainda vai levar uns 30 dias úteis, nada pode ser feito. Agora a empresa tem uma chance real de se recuperar e voltar a fazer lançamentos — explicou Rafael Carlos, executivo da consultoria Alvarez & Marsal que está tocando a Viver durante o processo de recuperação.

Um especialista do setor que pede para não ser identificado diz que a falta de liquidez das companhias é geral diante da queda nas vendas e da explosão dos distratos.

— Se o plano da PDG for inteligente, vai estimular outras construtoras a pedirem proteção à Justiça para blindarem suas operações e seguirem em atividade — avalia.

Na avaliação de Motta, do JPMorgan, as empresas de construção e incorporação passaram por uma “tempestade perfeita” nos últimos anos, prejudicadas pelo rápido aumento dos juros a partir de 2013 e pela desaceleração da economia, que levou à alta do desemprego e, consequentemente, à explosão dos distratos (desistência do imóvel). O movimento atingiu o setor como um todo, mas características próprias da gestão da PDG tornaram mais aguda sua crise em comparação com a das rivais.

Apenas no terceiro trimestre de 2016, o percentual de distratos sobre o total de imóveis vendidos da PDG foi de 101%, já que as rescisões podem ser referentes a vendas feitas anteriormente àqueles três meses. Nesse mesmo período, a taxa de distratos no mercado foi de 44,8%. Diante do pedido de recuperação, as ações da PDG voltaram a desabar ontem e fecharam em baixa de 30,56%, a R$ 2.

Para Motta, o único caminho para a PDG é a negociação de um desconto expressivo da dívida:

— A dívida atual nos parece impagável. Então, em nossa visão, duas coisas têm que acontecer: uma delas é que a dívida precisa sofrer uma redução da ordem de 50% a 60% para que a PDG, com os estoques e projetos que têm para gerar caixa, tenha condições de pagá-la. Hoje a PDG está sem dinheiro até para pagar distratos. E, obviamente, obter a redução dos juros associados a essa dívida.

Para sair dessa situação, a empresa espera levantar recursos com a venda de alguns bens, como terrenos. No entanto, eles também servem como garantia de créditos tomados no passado.

Os clientes que compraram imóveis ainda não entregues pela PDG têm uma chance de se livrar do processo de recuperação judicial da empresa, que implicaria entrar na fila de seus credores. A empresa espera ganhar fôlego durante os próximos 60 dias para conseguir dar continuidade a parte das 14 obras que estão paralisadas em seis estados (Amazonas, Bahia, Maranhão, Pará, Rio de Janeiro e São Paulo).

“A PDG envidará todos os seus esforços para acabar as obras o quanto antes. Assim, a princípio esses clientes não entrariam na categoria de credores. Via de regra, a PDG priorizará os interesses de consumidores nessas situações”, informou a empresa.


O plano que vem sendo costurado para manter a PDG de pé está sendo construído para maximizar a recuperação de crédito dos credores por meio de diferentes opções de negociação. Entre as opções estão o alongamento do fluxo de pagamentos, a conversão da dívida da companhia em capital e a criação de mecanismos que incentivem os credores a liberar dinheiro novo para a PDG, explicou uma fonte próxima ao grupo.

— A PDG pode oferecer aos próprios clientes cotas de ativos ou dos empreendimentos em garantia aos pagamentos. Com a retomada do mercado, podem ser vendidos e usados para indenizar as pessoas. A partir do momento que a empresa pede recuperação, todo cliente com valores ou imóvel a receber já é credor — explica um especialista em recuperação de empresas.

A PDG suspendeu os pagamentos de multas e distratos devidos a consumidores, afirmam fontes de mercado. A companhia poderia recorrer a seu banco de terrenos, vendendo áreas para obter recursos ou realizando, posteriormente, lançamentos que renderiam vendas a partir da retomada da economia. Na petição enviada à Justiça, porém, a incorporadora explica que esses terrenos estão “onerados em favor de alguns credores do Grupo PDG”.

— Não se sabe de qualquer negociação de ativos ou terrenos no mercado. A questão é que, além do momento econômico ruim, os terrenos e projetos da PDG não são atrativos para as empresas do segmento — diz um empresário que atua no mercado imobiliário

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Vamos fazer uma "pesquisa" com o Google Trends ?...Quando foi o pico do termo "housing bubble", o equivalente a "bolha imobiliária" nos EUA, nos últimos 12 anos ? E quando os preços dos imóveis colapsaram ? E no Brasil ?

Vamos fazer uma "brincadeira-pesquisa" séria com o Google Trends ?...Quando foi o pico do termo "housing bubble", o equivalente a "bolha imobiliária" nos EUA,  nos últimos 12 anos ? E quando os preços dos imoveis  colapsaram ?  E no Brasil ?

Abaixo, o gráfico do Google Trends mostra que o ápice da pesquisa do termo "housing bubble" foi em agosto-2005......

Logo abaixo, o gráfico do índice Case-Shiller, o principal índice de preços dos imóveis nos EUA, mostra que o ápice foi atingido em abril de 2006,,,portanto, 1 ano depois.......durante 5 anos e meio seguidos, os preços cairam 30%

Índice Case-Shiller

Agora, vamos ver o Universo Brasileiro ?

Termo de pesquisa......"Bolha Imobiliária",,,,Vejam que o ápice é atingido em março de 2014....

Lembram que eu coloquei o gráfico do "IVG-R" do Banco Central no fim de semana mostrando o ápice dos preços dos imóveis em setembro-2014 ?

Pois sim......nos EUA, a diferença do ápice do "Google Trends" para o "Case-Shiller" foi de 1 ano.....no Brasil, de um para o outro, 6 meses......relações bastante interessantes....

o "Case-Shiller" continuou caindo mais 5 anos e meio até o fundo...

Ora.....se utilizarmos as mesmas relações, o "IVG-R" ainda teria espaço para cair mais 3 anos pelo menos, já que de set-2014 para novembro-2016, último período de coleta do "IVG-R", passaram-se 2 anos e 2 meses.....

Até agora, como vimos no gráfico do IVG-R colocado no final de semana, o índice já caiu 18% nominal......mais 3 anos de queda, onde vai parar a queda ?

Vamos aos gráficos do "Google Trends" para o termo "Bolha Imobiliária" e, em seguida, o IVG-R, o mesmo colocado aqui no fim de semana


O Google tem um dispositivo interessante, que é o Google Trends, que analisa a evolução da pesquisa de um determinado "termo" ao longo do tempo...vamos ver como foi a evolução do nome "Construtora PDG", por conta do anúncio de sua Reuperação Judicial ontem ?

O Google tem um dispositivo interessante, que é o Google Trends, que analisa a evolução da pesquisa de um determinado "termo" ao longo do tempo...vamos ver como foi a evolução do nome "Construtora PDG", por conta do anúncio de sua Reuperação Judicial ontem ?

Sim....a PDG, aquela que já foi a maior construtora do Brasil

Eu utilizei o termo "construtora PDG", pois, ao longo da minha pesquisa conclui que o sistema dava sinais contraditórios ao utilizar algumas combinações com o termo "PDG"....

Exemplo ?

Descobri que em abril-2016 houve um decreto do Governo Federal que remetia para uma sigla "PDG", abreviatura de "Programa de Dispêndios Globais", que remetia para assuntos relacionados às estatais brasileiras.....

Em resumo....

O termo que utilizei foi "Construtora PDG".....No período de 1 ano, o ápice foi atingido exatamente ontem....dia da Recuperação Judicial.....

Mesmo assim, separei o período em 3 subperíodos......7 dias.....30 dias.....e 12 meses

Os últimos 7 dias.....

O ápice foi atingido às 20 horas de ontem......

Isso faz sentido.....as pessoas ao longo do dia foram se informando....a informação sobre a recuperação judicial foi se espalhando ao longo do dia.....com mais calma, ao chegarem em casa, as pessoas começaram a pesquisar tudo que envolvia a PDG......

Últimos 30 dias....

Ao andar pelo gráfico, vocês verão que o último dia é 22-02-2017...portanto, o sistema ainda não atualizou para o "tempo diário" os dados de ontem e hoje......mas, como podemos ver no período de "7 dias", o total de "views" no dia 23-02 foi superior ao do dia 22...portanto, o gráfico de 30 dias nos leva a concluir que a máxima também foi atingida ontem, dia do anúncio da Recuperação Judicial

Últimos 12 meses

Ao andar pelo gráfico, vocês verão que a última semana é 19-25 de fevereiro....como o sistema não atualizou os dias de 23 e 24 de fevereiro para o periodo de 30 dias, não deve ter carregado para cá.....mas, podemos usar a mesma analogia que usamos no período de 30 dias....é inegável que o pico também ao longo de 12 meses foi atingido essa semana  semana do anúncio da Recuperação Judicial

Em maio e outubro do ano passado, chamei a atenção para a força compradora de "SLED4" (Saraiva PN ), tanto pelo IFR14 ascendente, como pelo volume ascendente....pois sim....o papel entrou numa congestão de 1 ano e meio e manteve o volume gigantesco ascendente....hoje, fechou a semana rompendo a congestão de 3,00-5,60

Em maio e outubro do ano passado, chamei atenção para a força compradora de "SLED4" (Saraiva PN ), tanto pelo IFR14 ascendente, como pelo volume....

Naquelas  2 ocasiões, que resgato abaixo, ainda acreditava que papel se encontrasse em uma LTA......

Como se viu dias depois, a LTA foi perdida e o papel ficou claramente numa congestão 3,00-5,60....

Obviamente, a LTA ascendente e o volume ascendente forte continuaram a marcar o papel. Assim, a força compradora continuava caracterizada.....

Pois sim......hoje, SLED4 (Saraiva PN)  fecha a semana rompendo a congestão ...

Fechou em cima de uma LTB de 4 anos

Mas, voltem a olhar o volume gigantesco dos últimos meses , com o ápice nas últimas 2 semanas...díficil imaginar que , com esse volume e a congestão rompida, o papel não vá buscar pontos mais altos

Logo após o gráfico, coloco o gráfico da MGLU3 (Magazine Luiza ON), papel que subiu forte no último ano , associando-o ao volume fortíssimo concentrado quase no fundo do papel, faixa de 10,00...hoje, papel negociado a 208,00

Depois do gráfico da MGLU3, os 2 posts em que eu destaquei os gráficos da SLED4 em maio-2016 e outubro-2016, pra termos idéia da evolução

Fechamento de SLED44 foi em 5.79.....tem 2 enroscos pela frente na faixa de 6,30 e 6,70.....depois, praticamente nada.....s´lá naa faixa de 14,00, depois 15,70 e 17,50

Pra baixo, volta tudo se o rompimento de hoje for um rompimento falso e perder a faixa de 5,60

SLED4, Diário, escala logarítmica, período 5 anos

SLED4, SEMANAL, escala logarítmica, período 5 anos

MGLU3, Diário, escala logarítmica, período 5 anos


Os 2 posts do ano passado sobre SLED4



Vamos olhar um papel esquecido ? "SLED4" (Saraiva PN)....Vejam o aumento de volume no gráfico SEMANAL com o papel dentro de um triângulo

Vamos olhar um papel esquecido ? "SLED4" (Saraiva PN)....Vejam o aumento de volume no gráfico SEMANAL com o papel dentro de um triângulo

SLED4, Semanal, escala logarítmica

SLED4, MENSAL, escala logarítmica

SLED4, Diário, escala logarítmica



Querem ver uma LTA de IFR14 de "livro", tanto no diário, como no semanal, indicando força compradora do papel no curto, médio e longo prazo ? SLED4 (Saraiva PN)...Sabem quanto a empresa vale na Bolsa ? 20% do Valor Patrimonial

Querem ver uma LTA de IFR14 de "livro", tanto no diário, como no semanal, indicando força compradora do papel no curto, médio e longo prazo ? SLED4 (Saraiva PN)...

Vejam abaixo as 2 LTA'S , tanto no diário , como no semanal...

Muito, mas muito raro isso nos 2 tempos gráficos

Fechou no zero a zero...respeitou uma LTA que vai se formando.....volume vem aumentando

Sabem quanto a empresa vale na Bolsa ? 20% do Valor Patrimonial

Isso mesmo....

A empresa tem cerca de 26 milhões de ações....papel a 3,85....isso dá 100 milhões de valor de mercado

Ela tem um patrimônio de cerca de 520 milhões (ver www.fundamentus.com.br)

Portanto, apenas 20% do valor patrimonial.....

CORREÇÃO.....Quando escrevi o post, escrevi que a empresa valia cera de 25% do valor patrimonial.....na verdade, vale cerca de 20%.....corgi

SLED4, Diário, escala logarítmica

SLED4, SEMANAL, escala logarítmica

"ANÁLISE-Brasileiro só recuperará riqueza perdida com recessão em 10 anos", por Reuters

Matéria publicada hoje, crédito Reuters

Todo o texto, aqui: http://br.reuters.com/article/topNews/idBRKBN16322O

ANÁLISE-Brasileiro só recuperará riqueza perdida com recessão em 10 anos

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017 14:50 BRT Imprimir | Uma página [-] Texto [+]
Por Luiz Guilherme Gerbelli

SÃO PAULO (Reuters) - Os efeitos da crise prolongada e da expectativa de lenta retomada da economia do Brasil vão fazer com que a riqueza do brasileiro demore dez anos para se recuperar do estrago causado pela recessão.

Na projeção de economistas, o pico do Produto Interno Bruto (PIB) per capita alcançado em 2013 só será superado no início da próxima década, entre 2022 e 2023.

"Em 2022, o PIB per capita deve alcançar 31 mil reais (em números deflacionados) e aí supera o patamar de 2013, quando estava em 30,8 mil reais. É praticamente uma década perdida", diz o economista e sócio da consultoria 4E, Bruno Lavieri.


A assistente administrativa Andréia Zanetti, de 34 anos, é um exemplo de como o brasileiro sente os efeitos dessa diminuição da riqueza. Desempregada por sete meses, ela até conseguiu nova colocação em novembro passado, mas o salário atual equivale à metade do que recebia no trabalho anterior.

Com isso, precisou reduzir consumo e readequar o orçamento doméstico à nova realidade. "Troquei as lojas em que comprava roupa, deixei de jantar e almoçar fora e cortei o telefone fixo de casa", diz Andréia. "Mudei até a marca do leite que comprava para o meu filho."

"Recuperação judicial da PDG envolve dívidas de R$ 6,2 bilhões e 512 empresas", por Portal G1

Outra boa reportagem publicada ontem pelo portal G1 a respeito da recuperação judicial da construtora PDG

Todo o texto aqui: http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/recuperacao-judicial-da-pdg-envolve-dividas-de-r-62-bilhoes-e-512-empresas.ghtml

Recuperação judicial da PDG envolve dívidas de R$ 6,2 bilhões e 512 empresas

Ex-líder do setor imobiliário, incorporadora tenta evitar a falência com pedido de recuperação judicial; empresa culpou a crise e os distratos por problemas financeiros.

Por Luísa Melo, G1
23/02/2017 17h38  Atualizado há 14 horas

O processo de recuperação judicial da PDG envolve 512 empresas, entre subsidiárias e empreendimentos, e uma dívida de R$ 6,2 bilhões a ser reestruturada, segundo a petição inicial a que o G1 teve acesso. No pedido de recuperação, protocolado nesta quinta-feira (23), a empresa culpa a crise e o volume excessivo de clientes que desistiram da compra do imóvel para justificar seus problemas financeiros.

Ao longo do dia, diversos anexos eram incluídos no processo, que já somava mais de 35 mil páginas às 17h30 desta quinta-feira. Só a lista de credores da empresa, que relaciona fornecedores, clientes e bancos, tem mais de 2.600 páginas anexadas ao processo, apurou o G1.
Trata-se de um processo complexo, que tem 512 CNPJs como requerentes do processo de recuperação judicial. Além da própria PDG, também são autoras suas subsidiárias, como a PDG Securitizadora, a PDG São Paulo e a PDG ICUC, além da CHL, Goldfarb e Agre, empresas incorporadas no passado. Na lista estão também as sociedades de propósitos específicos (SPEs), que são empresas criadas para cada empreendimento lançado pela construtora.
A PDG justificou a solicitação conjunta de recuperação judicial devido à forte vinculação entre elas.

"Ninguém nunca viu um processo dessa magnitude, não existe um caso desses no Brasil ainda", diz Roberto Lima, sócio da Magno Consultores, especialista em reestruturação de empresas.
A título comparativo, a Viver, primeira incorporadora de capital aberto a pedir recuperação judicial, no ano passado, tem 65 requerentes no processo.

Apesar do volume expressivo de empreendimentos que são parte do processo, algumas dessas SPEs da PDG não foram incluídas no processo. Ficaram de fora aquelas que estão inativas e cujos sócios não quiseram entrar com o pedido de recuperação judicial, por exemplo. A lista desses CNPJs que fazem parte do grupo, mas não estão enquadrados na recuperação judicial será divulgada em 10 dias.

No documento, a construtora também afirma que o processo de reestruturação da dívida respeitará o regime de patrimônio de afetação, pelo qual os bens e direitos vinculados a um empreendimento, como terrenos e vendas, ficam separados do patrimônio total da empresa. Das sociedades que fazem parte do processo, 56 estão sob esse regime.
O advogado especialista em recuperação judicial Guilherme Marcondes acredita que o juiz responsável por analisar o pedido deve determinar o desmembramento dessas 56 companhias do processo. Se isso acontecer, cada uma delas terá de apresentar um plano de negociação com credores diferente, o que pode arrastar a ação.
"Mas, ainda assim, vão sobrar mais de 450 sociedades. Eu nunca vi tanta empresa como requerente de uma recuperação judicial ao mesmo tempo, é um caso inédito. Isso vai gerar uma grande discussão, estou curioso para ver o que será decidido", diz.

Os motivos

A empresa culpa a crise pela sua derrocada, e diz que "jamais presenciou recessão econômica de tal magnitude". Ela cita o desemprego, a dificuldade de acesso a financiamentos imobiliários por parte dos clientes, a inadimplência e o aumento da devolução de imóveis (os distratos) como alguns dos problemas enfrentados.
Os cancelamentos de contratos correspondiam a 23% do valor das vendas no terceiro trimestre de 2014, mas saltaram para 101% no terceiro trimestre do ano passado, de acordo com a empresa. Ou seja, a empresa recebia mais unidades de volta para seu estoque do que conseguia vender. Em 2015, 71% das devoluções ocorreram por insuficiência de renda, afirma a incorporadora.

Além da queda da receita, a companhia diz que sofreu com o aumento do custo da dívida financeira e a dificuldade de captar novos recursos junto aos bancos para concluir obras em andamento e fazer lançamentos. Além disso, os gastos com manutenção dos imóveis encalhados cresceram.

Com grande parte dos ativos e receita comprometidos para o pagamento de credores financeiros, a incorporadora ficou sem caixa para seguir com suas atividades, e mais tarde, começou a atrasar os compromissos. Reportagem do G1 mostrou nessa quarta-feira que diversos clientes que devolveram os imóveis não foram reembolsados.
"A empresa fala que chegou a esse ponto por conta da crise, mas na prática foi pela ambição de construir algo tão grande, por fazer muita aquisição, muita alavancagem", avalia Lima, da Magno Consultores.

Para se adequar à nova realidade financeira, a PDG iniciou um processo de reestruturação. Adotou orçamento base zero nos últimos 24 meses, buscando cortar gastos, alongou o perfil de sua dívida junto aos credores e deu ativos como pagamento de empréstimos.
Com isso, de 2014 a 2016, ela conseguiu abater R$ 1,8 bilhão da sua dívida líquida, mas apesar dos esforços seu passivo financeiro ainda soma R$ 5,8 bilhões.
A PDG nasceu como o braço de investimentos imobiliários do antigo Banco Pactual, em 2003, e se tornou uma empresa independente no ano seguinte.
Em 2007, se lançou em bolsa e captou R$ 648 milhões. Com esse dinheiro, a construtora fez uma série de aquisições entre 2008 e 2010, entre elas dos grupos CHL, Goldfarb e Agre, chegando à liderança do setor.
Ela chegou a valer R$ 12,5 bilhões e a lançar R$ 7 bilhões em empreendimentos, mas hoje tem apenas 1% desse valor de mercado (R$ 158 milhões, conforme dados a Economatica) e não lançou nada durante todo o ano passado.

No fim de 2010, a empresa informava que tinha um banco de terrenos com potencial de lançamento de R$ 29,6 bilhões em 574 projetos, hoje ela toca apenas 30, segundo informações do terceiro trimestre divulgadas ao mercado financeiro.
A companhia tem mais de 1.800 reclamações registradas nos últimos 12 meses no site Reclame Aqui, a maioria delas referente a atraso de obras ou falta de pagamentos dos distratos.

Os clientes que compraram imóveis da empresa e querem rescindir o contrato, inclusive, terão de aguardar o desdobramento pedido de recuperação judicial feito pela empresa para receber o dinheiro, segundo especialistas ouvidos pelo G1.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Na semana passada, Pedro Malan, ex-Ministro da Fazenda no Governo FHC, deu uma palestra na PUC-RJ....nela, resgatou 2 parágrafos de um artigo do Economista e Professor da PUC-RJ, Rogério Wernek, publicado há 1 mês no Jornal "O Globo".....peço desculpas por eu ter "passado" por esse artigo....reproduzo agora, dada a extraordinária capacidade do Professor Werneck em situar a figura do "Estado Brasileiro"

Na semana passada, Pedro Malan, ex-Ministro da Fazenda no Governo FHC, deu uma palestra na PUC-RJ....

Já na parte final do texto que apresentou, Malan resgatou 2 parágrafos de um artigo do Economista e Professor da PUC-RJ, Rogério Wernek, publicado há 1 mês no Jornal "O Globo"

Título do Artigo:

"A conta da pilhagem do Estado"

É possivel que alguns já tenham lido o artigo

O artigo é tão brilhante que, além de pedir desculpas, passo a reproduzi-lo abaixo

Não se incomodem em lê-lo e relê-lo.....

A profundidade do que está ali escrito é tamanha, que é necessário, muitas vezes, voltar no texto, relê-lo, falar em voz alta, se possível, pra nos darmos conta do quão perfeito tudo ali se encaixa no quadro brasileiro

Quando eventualmente digo que tivemos uma chance durante o Governo FHC, os 8 anos de seu governo, ainda com alguns erros aqui e ali para os mais perfeccionistas, quero dizer exatamente que foi exatamente ao longo dos 8 anos do Governo FHC, que chegamos próximos de tudo que está posto no artigo do Professor Rogério Werneck

O Brasil não precisa desse texto apenas por 8 anos....precisa por 16, 24, 32 anos; o tempo que for necessário, pra que a sociedade entenda, de uma vez por todas, o quanto a figura do Estado é nociva quando ela se sobrepõe ao resto.

Novamente, peço desculpas por ter "passado batido" por esse extraordinário artigo publicado em 27-01-2017 pelo Jornal "O Globo"

Antes, a passagem que Pedro Malan resgata são os 2 parágrafos abaixo:


“Da Colônia à República, é com o governo que quase sempre foram feitos os melhores negócios. Não é de hoje que boa parte da elite vem sendo formada na crença de que o segredo da prosperidade é estabelecer sólidas relações com o Estado. Vender para o Estado, comprar do Estado, financiar o Estado, ser financiado pelo Estado, apropriar-se de patrimônio do Estado, receber doações do Estado, transferir passivos para o Estado, repassar riscos para o Estado e conseguir favores do Estado.

A natureza dos favores variou no tempo, mas a lógica permaneceu a mesma. Quem não tinha condições de voar tão alto, com frequência sonhava apenas com se tornar empregado do Estado e, especialmente, aposentado do Estado”.



27/01/2017 0:00
A conta da pilhagem do Estado

Houve muito mais que propinas e preços abusivos. Projetos não faziam sentido ou tinham escala maior do que seria razoável

O ano de 2017 não promete ser fácil. Entre outras razões, porque será o ano em que o país, afinal, terá de começar a enfrentar o penoso ajuste que, aos poucos, lhe permitirá superar a gigantesca crise fiscal em que foi metido.

Já não há mais espaço para autoengano. Irresponsabilidade fiscal deixou de ser um conceito abstrato. Suas consequências afloram agora com dramática concretude, num quadro sinistro de folhas de pagamento impagáveis, serviços essenciais suspensos e órgãos do governo paralisados.

Em boa medida, a falência das finanças públicas, nos três níveis de governo, decorre de um processo de pilhagem sistemática do Estado, agravado, desde meados da década passada, pela restauração do nacional-desenvolvimentismo, fundado na crença equivocada de que o Estado é a grande fonte de riqueza com que conta a economia brasileira.

Como escrevi em artigo no “Estado de S.Paulo” há 13 anos — “Balcão de negócios”, 7/5/2004 — essa noção atávica, tão arraigada no PT, na verdade, perpassa todo o espectro partidário e tem raízes profundas na história do país.

“Da Colônia à República, é com o governo que quase sempre foram feitos os melhores negócios. Não é de hoje que boa parte da elite vem sendo formada na crença de que o segredo da prosperidade é estabelecer sólidas relações com o Estado. Vender para o Estado, comprar do Estado, financiar o Estado, ser financiado pelo Estado, apropriar-se de patrimônio do Estado, receber doações do Estado, transferir passivos para o Estado, repassar riscos para o Estado e conseguir favores do Estado.

A natureza dos favores variou no tempo, mas a lógica permaneceu a mesma. Quem não tinha condições de voar tão alto, com frequência sonhava apenas com se tornar empregado do Estado e, especialmente, aposentado do Estado”.

Como já se temia em 2004, a restauração nacional-desenvolvimentista abriu caminho para um novo surto de pilhagem do Estado de proporções assustadoras. Hoje se sabe que a pilhagem envolveu todos os grandes programas de investimento do setor público federal. Da Petrobras às usinas hidrelétricas do sul da Amazônia, da construção de estradas à Eletronuclear. E também boa parte dos programas de investimento dos governos subnacionais. Houve muito mais do que propinas e preços abusivos. Com frequência os projetos não faziam sentido ou tinham escala muito maior do que seria razoável.

Tudo regado a dinheiro farto e subsidiado do BNDES, bancado por centenas de bilhões de reais do Tesouro, provenientes de emissão de dívida pública. Desse faustoso orçamento paralelo montado no BNDES, beneficiaram-se também campeões nacionais de todos os naipes, boa parte deles agraciados ainda com outras benesses despropositadas, como as da tresloucada política de conteúdo local.

Mas a combinação de pilhagem com irresponsabilidade fiscal não parou por aí. Envolveu muito mais. Da custosa e mal concebida política de desoneração de folhas de pagamento, conduzida ao sabor da grita de cada setor, à concessão de garantias do Tesouro a empréstimos tomados por governos subnacionais que sabidamente não tinham como repagá-los.

O mais grave, contudo, foi a gestão ruinosa e populista da Previdência Social, marcada, de um lado, pela insistência inconsequente na sobreindexação de grande parte dos benefícios e, de outro, pela teimosa recusa a reconhecer que as regras de acesso aos benefícios haviam se tornado insustentáveis.

Constato agora, quando a conta de tantos desmandos chegou, que os dois parágrafos finais do meu artigo de 2004 mostraram-se tristemente premonitórios.

“Para grande satisfação de certas alas do governo, o nacional-desenvolvimentismo redivivo parece a cada dia mais próximo. Está sendo aberto novo ciclo de grandes negócios com o Estado. No setor privado, os parceiros de sempre não escondem seu entusiasmo. O PMDB se abanca. Preparem-se.

Mas Lula tem razão. Talvez seja hora de indagar como é mesmo que tudo isso pode beneficiar os ‘credores de baixo’. O mais provável é que, mais uma vez, só sejam convocados para pagar a conta”.

Rogério Furquim Werneck é economista e professor da PUC-Rio