domingo, 21 de dezembro de 2014

Voltamos aos anos 70-80..."Tudo ao Estado".......2015:Bear Market continua

Ler, estudar e analisar Economia sempre fica mais fácil quanto temos a perspectiva histórica.

Digamos que Economia e História estão sempre ligadas, conectadas,

O índice da Bolsa de Valores de um país acaba, quase que por uma ação natural, refletindo tanto o estado da Economia como a própria História em curso.

Nos últimos 35 anos o Brasil teve momentos de "altos e baixos". Muito mais "baixos" do que "altos"

Um deles, o período "1994-2002", momento em que, de fato, penso que tivemos razão para comemorar.

O mercado de alta do Bovespa estava ancorado em reformas profundas (praticamente apenas a Reforma Tributária ficou de fora). Privatizações foram feitas, contas públicas foram gradualmente postas em ordem diante do descalabro visto em anos anteriores, inflação controlada e tratada sem tolerância e, principalmente, o "Estado em seu devido lugar".

Não tenho dúvida que, se continuássemos nessa direção, em 20-30 anos teríamos um quadro diferente do Brasil.

Vejam abaixo a alta do Bovespa entre 1992 e 2000 .


Bovespa, fechamento anual em US$ - período 1982-1999



Não esqueçam que, ao final de 1992 tivemos o impeachment de um Presidente da República. No entanto, nem por isso o mercado deixou de reverter o "mercado de baixa" da década anterior, visto no próprio gráfico.

E por que já em 1993 isso era "perceptível" ?

Porque Fernando Henrique Cardoso já assumira o Ministério da Fazenda com uma equipe que sinalizava "respeito aos contratos" e profunda mudança de atitude.

O Plano Real e a dinâmica apresentada acima apenas ratificaram "a percepção do mercado" de forma a fazer com que o Bovespa subisse cerca de 6 vezes nos anos seguintes até 1999. E isso com obstáculos não desprezíveis ao longo do caminho. Mercados emergentes foram duramente atingidos com a Crise do México em 1994, a Crise da Ásia em 97 e a Crise da Rússia em 1998.

O espaço é curto pra ampliarmos e aprofundarmos a discussão.

Porém, é preciso dizer que não estamos bem.

O ilusório bom momento pelo qual passamos nos últimos 10 anos foi construído em bases frágeis. A começar por uma das mais espetaculares bolhas de commodities dos últimos anos. O preço do minério de ferro subiu praticamente 5 vezes entre 2004 e 2010.

Isso fez com que nossas Reservas Internacionais explodissem, jogassem o câmbio lá pra baixo e distorcessem e maquiassem qualquer outra variável macroeconômica que insistisse "fugir do lugar".

Tudo aparentava estar bem......Mas era ilusão

Demos um "cavalo de pau de 360 graus" no perfil do "Estado"....

No curto espaço de tempo entre 1994 e 2002, começou-se a pensar o "Estado" como "secundário", como "apenas estimulador".

O que vemos hoje é tudo, menos um "Estado secundário".

As ineficientes estatais continuam aí firmes e fortes sugando uma carga inimaginável de recursos via impostos ou via corrupção

As privatizações praticamente estancaram, saindo do lugar apenas pra "tapar buracos" frente a eventos de grande porte, como Copa do Mundo e Olimpíadas.

A "União" continua interferindo das formas mais imprevisíveis e incoerentes possíveis.

As alocações de recursos dentro da Economia começam a escancarar os erros cometidos ao longo do percurso, tornando o ciclo econômico perverso.

Bolhas de ativos, como a imobiliária, são criadas, o desejo de um "emprego público" se sobressai frente ao desejo de "empreender e gerar emprego", a "inflação" sobe, a despeito de um "crescimento zero" da Economia; enfim, tem muita coisa "fora do lugar".

Não tenho esperanças de que esse quadro possa ser revertido no médio ou longo prazo.

Por isso, os topos e fundos descendentes vistos abaixo a partir de 2010 no gráfico do Bovespa devem continuar em 2015 e no longo prazo. Parece um "belo canal de baixa". Acrescentei o gráfico do "EWZ", operado pelos "Estrangeiros"; reflete a visão deles sobre o Bovespa. Vejam que a dinâmica é a mesma.

Atenção aos suportes de 45.000, 44.100 e 42.000. Resistência principal em 62.500-63.500

No curto prazo, correções e ajustes acontecem; afinal, exageros na queda e na alta acontecem.

Fica claro que "1994-2002" foi "um ponto fora da curva" no Brasil Republicano.

Voltamos aos anos 70.....80......."Tudo ao Estado"..... nada ao cidadão classe média, ao contribuinte, aos pagadores de impostos, aos empreendedores.




Bovespa, semanal, escala logarítmica, período 10 anos



Bovespa, MENSAL, escala logarítmica, período 15 anos




EWZ, MENSAL, escala logarítmica, período 15 anos