sexta-feira, 21 de novembro de 2014

"Questão fiscal: todo mundo em crise? Não.", por Mansueto Almeida

Fiquem com o excelente artigo de Mansueto Almeida publicado em seu blog

Mansueto de Almeida foi um dos fortes nomes cogitados para a equipe econômica do ex-presidenciável Aécio Neves, Senador pelo PSDB, nas últimas eleições

Formado em Economia pela Universidade Federal do Ceará e com mestrado pela USP, Mansueto tem se apresentado com força nos debates econômicos recentes

http://mansueto.wordpress.com/2014/11/21/questao-fiscal-todo-mundo-em-crise-nao/


Questão fiscal: todo mundo em crise? Não.

21 de novembro de 2014 por mansueto

Nas últimas semana o governo vem enfatizando vários países da Europa têm déficit primário maiores do que o Brasil e, assim, a deterioração das contas públicas seria um fenômeno mundial que atingiu vários países devido aos efeitos a crise financeira no crescimento dos países.

Será que isso é verdade? Não. O melhor indicador para olharmos não é primário mas sim o resultado nominal. O Brasil como tem juros muito alto precisa de um primário maior que outros países para estabilizar a sua divida em relação ao PIB. Assim, vamos olhar para o resultado nominal.

Nesta comparação dois pontos são importantes. Primeiro, a deterioração fiscal de um grupo de países da Europa (Reino Unido, Itália, França e Portugal) foi maior de 2007 a 2010. Nos últimos anos esses países vem reduzindo rapidamente o déficit nominal e se espera que esse processo continue pelos próximos anos como se observa abaixo nos dados do FMI.

Segundo, este não é o caso do Brasil. No nosso caso, o nosso déficit nominal não pirou muito no auge da crise, em 2009, mas piorou bastante neste ano e tudo indica que poderá ainda ser pior em 2015. O Brasil está perigosamente caminhando para um déficit nominal na faixa de 5% a 6% do PIB, o mesmo déficit que tínhamos em 2002 e 2003.

A nossa forte deterioração fiscal é fruto de uma combinação perversa de gasto público crescente em relação ao PIB e aumento de juros para combater a inflação. Se o governo prosseguir com a expansão das despesas e o BACEN com o aumento dos juros terá início um debate sobre dominância fiscal.

Assim, quanto mais rápido o governo sinalizar um plano sério de recuperação do primário melhor será para a economia e para todos nós. Quanto maior a leniência do governo com o fiscal maior será a chance de pagarmos mais juros, aumentar ainda mais a dívida publica e termo crescimento médias inferior a 1,5% ao ano ao longo dos próximos quatro anos. A bola está com o governo que, por enquanto, fez apenas gol contra.