sexta-feira, 30 de junho de 2017

"Para Doria, país não precisa de dois bancos públicos como Caixa e BB; um deve ser vendido", por Jornal "O Globo"

Matéria Jornal "O Globo" de hoje, 30-6-2017

Texto completo , aqui:

https://oglobo.globo.com/brasil/e-agora-brasil-privatizar-palavra-de-ordem-21537366

E Agora, Brasil?: Privatizar, a palavra de ordem

Para Doria, país não precisa de dois bancos públicos como Caixa e BB; um deve ser vendido

POR O GLOBO 30/06/2017 4:30

RIO — Defensor da diminuição da presença do Estado na sociedade, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou durante o “E agora, Brasil?” que o país não precisa de dois bancos públicos e que privatizaria o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal. Ele afirmou ainda que, gradualmente, faria o mesmo com a Petrobras.

— Por que precisa ter a Caixa e o Banco do Brasil? Basta uma instituição. Elas competem entre si, até razoavelmente bem, mas não há necessidade. É um custo enorme para o Estado ter duas instituições financeiras. Faça uma, competente, eficiente — disse ele, ao participar, na última terça-feira, do encontro.

Já o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi defendido pelo prefeito de São Paulo como um importante instrumento de fomento:

— Não pode é cometer equívocos, erros, parcialidades e mau caminho, fazer o que não pode fazer, mas, como banco de desenvolvimento, é importante em um país moderno e desenvolvimentista.

Doria defendeu ainda que, de tempos em tempos, se diminua a presença do Estado e seja aumentada a atuação do setor privado dentro da administração da Petrobras.

— Isso fará bem à Petrobras e não vai gerar desemprego, falta de oportunidades, ao contrário. Boa gestão gera mais empregos, oportunidades e benefícios — disse Doria.

PARCERIA COM FUNDOS PRIVADOS

O tucano disse que viajou para o Oriente Médio, os Estados Unidos e a Coreia do Sul em busca de investimentos de fundos soberanos, que são áreas de investimento administradas pelo governo de um determinado país. Esses recursos seriam aplicados em programas de privatização da prefeitura de São Paulo.

— Fomos propor: venha para o Brasil, independentemente da situação política. O Brasil não vai acabar nem hoje, nem amanhã, nem depois de amanhã — relatou.

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— Eu defendo um Estado menor. Um Estado eficiente tem que atuar prioritariamente onde é necessário: saúde, educação, transporte e segurança pública. No restante, se tiver o setor privado para fazer, melhor. Com mais eficiência, mais transparência, menos corrupção — disse o tucano.

A intenção de Doria é passar, por exemplo, a administração dos 107 parques públicos da cidade para o setor privado, em regime de concessão. Ele ressaltou que a população não pagará ingresso para usar esses espaços.

— A prefeitura gasta R$ 120 milhões por ano (com os parques). São R$ 480 milhões em quatro anos, dá para fazer um hospital de alta complexidade com esse dinheiro — calculou.

Para Doria, a privatização significará uma melhor administração.

— Vamos privatizar o Anhembi, Interlagos, fazer a concessão do Estádio do Pacaembu, de cemitérios, serviço funerário. São áreas onde não tem a menor necessidade da presença do Estado. É só prejuízo, problema, corrupção. Vai tudo para o setor privado, que vai administrar melhor. Não vai aumentar o custo de nada — prometeu.

Doria disse que não se preocupa com eventual desgaste pela defesa das privatizações:

— Esse é um tema que até o PSDB, meu partido, não gosta de tratar. Trata com um certo prurido, um certo medo. O PT, então, nem se fala. É pior do que a cruz na frente do diabo.

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No encontro “E agora, Brasil?”, Doria defendeu a profissionalização da gestão pública e a diminuição da interferência política:

— Você pode tratar bem os políticos, mas não ser subserviente. Eu aprendi no comando das empresas e olhando outros empresários bem-sucedidos que você não tem que fazer concessões onde não precisa fazer. Você tem que produzir resultados.

MENOS BENESSES

Para ele, um Estado menor diminui as chances de corrupção:

— Quanto maior o Estado, mais benesses você tem para distribuir. Com um Estado menor, você diminui a oportunidade de pedidos e de bandidagem. Fora aquela política mesquinha, pequena, de pessoas que não trabalham e ganham salário.

Ao responder a uma pergunta da plateia, Doria reconheceu que a defesa de um Estado quase mínimo não está na carta de fundação do PSDB, mas disse que o partido precisa se renovar e evoluir com o tempo.

— Não se pode imaginar que uma carta escrita no fim dos anos 1980 ainda tenha validade. O mundo muda numa velocidade extraordinária. É preciso que os partidos compreendam a necessidade dessa mudança. O próprio PSDB precisa ter uma evolução. O PSDB precisa estar sintonizado com essa nova realidade — argumentou o prefeito aos convidados do debate “E agora, Brasil?”.