sexta-feira, 30 de junho de 2017

"Para Doria, país não precisa de dois bancos públicos como Caixa e BB; um deve ser vendido", por Jornal "O Globo"

Matéria Jornal "O Globo" de hoje, 30-6-2017

Texto completo , aqui:

https://oglobo.globo.com/brasil/e-agora-brasil-privatizar-palavra-de-ordem-21537366

E Agora, Brasil?: Privatizar, a palavra de ordem

Para Doria, país não precisa de dois bancos públicos como Caixa e BB; um deve ser vendido

POR O GLOBO 30/06/2017 4:30

RIO — Defensor da diminuição da presença do Estado na sociedade, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou durante o “E agora, Brasil?” que o país não precisa de dois bancos públicos e que privatizaria o Banco do Brasil ou a Caixa Econômica Federal. Ele afirmou ainda que, gradualmente, faria o mesmo com a Petrobras.

— Por que precisa ter a Caixa e o Banco do Brasil? Basta uma instituição. Elas competem entre si, até razoavelmente bem, mas não há necessidade. É um custo enorme para o Estado ter duas instituições financeiras. Faça uma, competente, eficiente — disse ele, ao participar, na última terça-feira, do encontro.

Já o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi defendido pelo prefeito de São Paulo como um importante instrumento de fomento:

— Não pode é cometer equívocos, erros, parcialidades e mau caminho, fazer o que não pode fazer, mas, como banco de desenvolvimento, é importante em um país moderno e desenvolvimentista.

Doria defendeu ainda que, de tempos em tempos, se diminua a presença do Estado e seja aumentada a atuação do setor privado dentro da administração da Petrobras.

— Isso fará bem à Petrobras e não vai gerar desemprego, falta de oportunidades, ao contrário. Boa gestão gera mais empregos, oportunidades e benefícios — disse Doria.

PARCERIA COM FUNDOS PRIVADOS

O tucano disse que viajou para o Oriente Médio, os Estados Unidos e a Coreia do Sul em busca de investimentos de fundos soberanos, que são áreas de investimento administradas pelo governo de um determinado país. Esses recursos seriam aplicados em programas de privatização da prefeitura de São Paulo.

— Fomos propor: venha para o Brasil, independentemente da situação política. O Brasil não vai acabar nem hoje, nem amanhã, nem depois de amanhã — relatou.

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

— Eu defendo um Estado menor. Um Estado eficiente tem que atuar prioritariamente onde é necessário: saúde, educação, transporte e segurança pública. No restante, se tiver o setor privado para fazer, melhor. Com mais eficiência, mais transparência, menos corrupção — disse o tucano.

A intenção de Doria é passar, por exemplo, a administração dos 107 parques públicos da cidade para o setor privado, em regime de concessão. Ele ressaltou que a população não pagará ingresso para usar esses espaços.

— A prefeitura gasta R$ 120 milhões por ano (com os parques). São R$ 480 milhões em quatro anos, dá para fazer um hospital de alta complexidade com esse dinheiro — calculou.

Para Doria, a privatização significará uma melhor administração.

— Vamos privatizar o Anhembi, Interlagos, fazer a concessão do Estádio do Pacaembu, de cemitérios, serviço funerário. São áreas onde não tem a menor necessidade da presença do Estado. É só prejuízo, problema, corrupção. Vai tudo para o setor privado, que vai administrar melhor. Não vai aumentar o custo de nada — prometeu.

Doria disse que não se preocupa com eventual desgaste pela defesa das privatizações:

— Esse é um tema que até o PSDB, meu partido, não gosta de tratar. Trata com um certo prurido, um certo medo. O PT, então, nem se fala. É pior do que a cruz na frente do diabo.

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

No encontro “E agora, Brasil?”, Doria defendeu a profissionalização da gestão pública e a diminuição da interferência política:

— Você pode tratar bem os políticos, mas não ser subserviente. Eu aprendi no comando das empresas e olhando outros empresários bem-sucedidos que você não tem que fazer concessões onde não precisa fazer. Você tem que produzir resultados.

MENOS BENESSES

Para ele, um Estado menor diminui as chances de corrupção:

— Quanto maior o Estado, mais benesses você tem para distribuir. Com um Estado menor, você diminui a oportunidade de pedidos e de bandidagem. Fora aquela política mesquinha, pequena, de pessoas que não trabalham e ganham salário.

Ao responder a uma pergunta da plateia, Doria reconheceu que a defesa de um Estado quase mínimo não está na carta de fundação do PSDB, mas disse que o partido precisa se renovar e evoluir com o tempo.

— Não se pode imaginar que uma carta escrita no fim dos anos 1980 ainda tenha validade. O mundo muda numa velocidade extraordinária. É preciso que os partidos compreendam a necessidade dessa mudança. O próprio PSDB precisa ter uma evolução. O PSDB precisa estar sintonizado com essa nova realidade — argumentou o prefeito aos convidados do debate “E agora, Brasil?”.





Índice "EEM" (ETF Mercados emergentes) toca novamente sua LTA de 4 meses, depois de tocar o topo de 2015 no início da semana

Índice "EEM" (ETF Mercados emergentes) toca novamente sua LTA de 4 meses, depois de tocar o topo de 2015 no início da semana 

Vejam no segundo gráfico abaixo, tempo semanal, a faixa de 42,00 tocada, topo de 2015

EEM, Diário, escala logarítmica



EEM, SEMANAL, escala logarítmica, período 4 anos






terça-feira, 27 de junho de 2017

"Os preços médios de anúncio de aluguel e venda de imóveis comerciais seguem em queda, segundo pesquisa FipeZap divulgada nesta terça-feira (26). Em maio, a queda em 12 meses do valor médio de venda caiu 4,17% - o que, considerando a inflação do período, representa uma queda real de 7,5%", Por portal G1

É......

Tá ficando feia "a coisa" para algum índice por aí.....

Notícia publicada hoje pelo portal G1

http://g1.globo.com/economia/noticia/precos-de-novos-contratos-de-aluguel-de-imoveis-comerciais-caem-9.ghtml

Preços de novos contratos de aluguel de imóveis comerciais caem 9%

Já os valores anunciados para venda tiveram queda de 7,5% considerando a inflação; dados são de maio e foram divulgados na pesquisa FipeZap.

Por Karina Trevizan, G1
27/06/2017 00h00  Atualizado há 7 horas

Os preços médios de anúncio de aluguel e venda de imóveis comerciais seguem em queda, segundo pesquisa FipeZap divulgada nesta terça-feira (26). Em maio, a queda em 12 meses do valor médio de venda caiu 4,17% - o que, considerando a inflação do período, representa uma queda real de 7,5%. Já os preços dos alugueis caíram 5,82%, ou 9,09% considerando a inflação.

No caso dos imóveis à venda, foi o 19º mês seguido de queda dos preços anunciados. Já os preços de locação estão em queda desde julho de 2014, ainda considerando o acumulado em 12 meses.
Nos 5 primeiros meses de 2017, o preço de locação e venda de imóveis comerciais também registraram queda, de 0,24% e 0,48%, respectivamente. De abril a maio, o recuo foi de 0,49% nos preços de novos contratos de alugueis e de 0,43% nos de venda.
A pesquisa considera apenas os preços anunciados dos imóveis, e não o valor final da negociação. No caso dos aluguéis, os contratos já em andamento são geralmente ajustados pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas (FGV).




segunda-feira, 26 de junho de 2017

Bovespa a 30.000, deflação e uma potranca de R$ 300 mil

No dia 22 último, quinta-feira, uma potranca de nome Trieste, com menos de 2 anos de idade, de criação da Família Peixoto de Castro (Fazenda Mondesir), um dos pilares de fundação do turfe e do Puro Sangue Inglês no Brasil, foi vendida pela vultosa quantia de R$ 300 mil no leilão da ABCPCC (Associação Brasileira de Criadores e Proprietários de Cavalo de Corrida) realizado no Tatersall do Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro.

Para terem a noção do quão esse valor é alto para padrões brasileiros, o maior prêmio concedido a um proprietário de cavalo de corrida nesse ano foi de R$ 400 mil, por conta da vitória no Grande Prêmio Brasil disputado no Rio de Janeiro há cerca de 15 dias,

Um cavalo, seja macho ou fêmea, somente pode correr o GP Brasil a partir dos 3 anos Assim, a potranca ora vendida no leilão teria ainda pelo menos 1 ano e meio pela frente de gastos, expectativas e riscos para, quem sabe, angariar os R$ 400 mil de prêmio, valor superior apenas em R$ 100 mil ao da venda no leilão. Até vencê-lo, poderia ainda recolher algo em torno de R$ 100 mil se ganhasse mais alguns páreos de maior relevância. Ademais, algum outro benefício financeiro poderia vir como reprodutora após o término de sua campanha, historicamente por volta dos 6 anos, média para um cavalo de corrida.

Ontem, dia 25 de junho, o jornal "O Estado de São Paulo" publicou em sua capa a seguinte chamada:

'Após 11 anos, Brasil pode ter deflação." 

O que parecia impossível 1 ano atrás, hoje, não mais. 

Sim...segundo o Jornal, em junho o Brasil poderá ter deflação.

Também, visto abaixo, já temos uma inflação anualizada abaixo de 4% (medida pelo IPC), praticamente metade do patamar de 1 ano atrás, momento em que captava os 12 meses anteriores sob a gestão de um governo voltado para "o trabalhador"

Fonte: pt.global-rates.com


O que há de errado então ? Quer dizer....o que há de certo ? Quer dizer.....eu mesmo me confundo.....Boas notícias ou más notícias ?

Afinal, o que vemos no dia a dia, seja na rua, entre amigos, na imprensa, nos Congressos-Simpósios, nos bares, nas festas, nos eventos, é um pessimismo nada desprezível. Nada.

Primeiro, é preciso colocar alguns "pingos nos is".

O comprador da potranca acima não foi um brasileiro, foi o treinador norte-americano Kenneth McPeek. Comprou para ele ? Possivelmente, não; comprou para algum proprietário americano. E, por que ? Ora, há muito o Brasil vem aperfeiçoando a sua criação de Puro Sangue Inglês de corrida. Não, não é coisa de 10-15 anos atrás; estamos falando de 30-35-40 anos atrás, talvez mais. Comprar um potro de criação brasileira e levá-lo para os Estados Unidos, cujos prêmios são 7,8, 10 vezes mais, tem um bom "custo x benefício". Compra-se em real e ganha-se em Dólar. 

Isso é muito diferente do que imaginar que os preços dos imóveis estão "baratos" por conta da forte alta do dólar nos últimos 3,4 anos. Nenhum investidor estrangeiro vai pegar o imóvel, colocá-lo nas costas e levá-lo para fora. Quando ele aposta nos imóveis no Brasil, ele só tem a possibilidade de explorá-lo aqui.

E quanto a deflação ? Ou a inflação anualizada abaixo de 4% ? 

A despeito de recente sofisticada discussão em torno do impacto dos juros na inflação, discussão essa amplamente divulgada pelo Jornal "Valor", e cuja referência principal atende pelo nome do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, ainda há dúvidas sobre o que de fato trouxe a inflação para níveis abaixo de 4% numa velocidade alucinante.

Foi a profunda recessão em que mergulhou o país nos últimos 2 anos ? Ou foi ,"pegando carona" na "diferente" visão de André Lara Resende, visão essa discutida em artigo no Jornal "Valor" e aprofundada em seu recente livro "Juros, moeda e ortodoxia", a queda nos juros ?

Sim....em seu mais novo approach sobre a inflação, André Lara traz à tona, ancorado em estudos e artigos acadêmicos de John H. Cochrane, até recentemente professor da Universidade de Chicago, atualmente professor na Universidade de Stanford, o conceito de que juros mais altos no longo prazo tendem a produzir uma inflação mais alta, diferente do que a teoria econômica tradicional apregoa.

Ou seja, os juros declinantes praticados no Brasil nos últimos meses corroborariam o cenário tangenciado por André Lara e Cochrane, ou simplesmente a inflação brasileira derreteu por um completo colapso da atividade econômica ?

Novas teorias e discussões à parte, o dia a dia nos atrai de volta a nuvens pesadas.

Somem-se a isso os velhos chavões; o Brasil é terra de oportunidades, o país do futuro, apesar dos pesares, o país avança, mantém suas instituições de pé, etc.

Para o mercado financeiro, a dinâmica é diferente. É preciso mergulhar em dados que parecem preciosos,principalmente num país cuja Bolsa de Valores tem uma vida medianamente curta diante do Velho Continente e dos americanos. 

Tudo é difícil, a sofisticação encontrada lá fora inexiste por aqui; os dados são rasos, muito rasos.

No início do ano passado, nesse mesmo espaço, montei e expus tabelas e gráficos que procuravam obter padrões que nos pudessem alimentar para vôos mais altos, mais precisamente, uma tentativa de antever reversões profundas, no caso, reversões de Bear-Markets seculares no Bovespa.

Assim, enquadrei o Bovespa em 4 grandes Bear-Markets desde o seu começo:

1971-1983 (81% de queda em dólar desde o topo)
1986-1991 (90% de queda em dólar desde o topo)
1997-2002 (82% de queda em dólar desde o topo)
2008-Atual 

Ou seja......2 dos 4 Bear-Markets envolveram aproximadamente 81% de queda do topo até o fundo em dólar. No Bear-Market de "86-91", uma queda de 90%

Assim, poderíamos especular que o atual giraria em torno disso. Naquele momento, o Bovespa já atingira aproximadamente 79% de queda em dólar; portanto, para os mais otimistas, o Bovespa estaria colado a seu fundo do Bear-Market secular; para os mais pessimistas, ainda não.

Cerca de 30 dias depois, o Bovespa,, depois de cair apenas mais 3%-4%, inicia um rally que somente foi parar, por enquanto, nos 69.500 pontos.

Resumo da queda, se supormos que o fundo foi lá nos 37.000 ? 80% de queda em dólar.

Sim.....praticamente o mesmo nível de 71-83 e 97-2002

Parafraseando o "Tropa de Elite", nosso inimigo agora é outro.

Ora.....se tá tudo bom.....ou não.....ou......se uma potranca é vendida por R$ 300 mil e caminhamos para 4% de inflação anual, a parada do Bovespa até aqui é parada para "respirar", pra ganhar músculo para buscar 74.000, topo histórico, depois 80.000, depois 100.000 ou, depois de cair aos 60.300, vamos continuar  "ladeira abaixo" em quinta marcha, buscar 58.000, 52.000, 48.000, 42.000, 37.000 e finalmente os 29.200 do fundo de 2008 ?

Vamos fuçar os dados...... garimpar o tão sonhado ouro que todo mundo busca

O que dizem os dados ?

O que temos que procurar ?

Temos de procurar o "penúltimo ato"....isto é, o fundo anterior ao fundo de cada Bear-Market passado e dissecar o que aconteceu entre esse "instante T-1" e o "instante T"

Algo aconteceu entre o "instante T-1" e o "instante T" de cada Bear-Market para que o fundo anterior não correspondesse definitivamente ao fundo do Bear-Market em questão.

Abaixo, os 4 Bear-Markets em dólar......os "instantes T-1" e os "instantes T" de cada 1










Novamente o atual Bear-Market , nesse momento, se assemelha, no que tange aos fortes repiques antes de NOVAS quedas, MAIS com os Bear-Markets de "1971-1983" e "1997-2002".

Vejam que  em "1971-1983", o Bovespa sobe cerca de 100% (271 para 547) de 81 para 82, para depois visitar um novo fundo em 1983 e finalizar seu Bear-Market. O repique durou 1 ano e 3 meses

Vejam que  em "1997-2002", o Bovespa sobe cerca de 70% (de 3.627 para 6.220) de 2001 para início de 2002, para depois visitar um novo fundo no final de 2002, e finalizar seu Bear-Market. O repique durou rápidos 5 meses.

E o atual ? Por enquanto, subiu cerca de 150% ( de 8.992 para 22.712) de jan-2016 para fev-2017. Um repique que durou cerca de 1 ano e 1 mês

No Bear-Market de 1986-1991, tivemos um repique insano de 600% aproximadamente, para depois o Bovespa afundar e fazer um novo fundo abaixo do anterior, na faixa de 387 pontos. Abaixo, na tabela, é possível ver toda a pontuação com as mínimas e máxima atingidas em cada ano nesse período. Isto é, o índice cai até 455 pontos em jun-1987, sobe até 3.179 pontos em dez-1989 e volta a entrar em "modo crash" até 387 pontos em jan-1991





De outro modo:

O fundo do Bovespa atingido em jan-2016, 37.000 pontos, ou 8.992 pontos em dólar, foi definitivamente o fundo do atual Bear-Market, ou assim como nos outros 3 Bear-Markets, ainda visitaremos um outro fundo abaixo desse fundo de 8.992 pontos ?

Para avançarmos, vamos a nova pergunta.

O que aconteceu nesses intervalos acima destacados, isto é, entre o final do repique e o fundo definitivo de cada dos 3 Bear-Markets mencionados ?

Primeiro, é de fundamental importância registrar que, em apenas 1 Bear-Market, o Bovespa guarda relação com os Bear-Markets americanos.

O atual Bear-Market pode até ter começado com um  Bear-Market americano; a Crise americana de 2008 jogou os mercados americanos num Bear-Market insano, porém, foi rápido; o do Brasil ainda se encontra em curso.

Abaixo, 100 anos de Dow Jones. Vejam que o único Bear-Market que marcou similaridade foi o primeiro, destacado no primeiro retângulo mais à esquerda


Fonte Dow Jones: macrotrends.net

Então, vamos lá. O que aconteceu nos intervalos ?

Os anos 70, apesar de serem marcados pelo Milagre econômico brasileiro, também foram marcados pelo que se convencionou chamar de: "A Crise da Dívida da América Latina". 

Com os Choques do Petróleo de 1973 e 1979, o governo americano se viu numa situação de jogar a taxa de juros na estratosfera para controlar a inflação; os dólares escassearam no mundo todo, levando a paises latinoamericanos altamente endividados a verdadeiros colapsos em suas reservas,

O fundo de abril de 1981, marcado acima em 271 pontos, parecia ser o fundo desse verdadeiro terremoto financeiro jogado sobre o Brasil; ledo engano. Os EUA voltariam a subir abruptamente suas taxas de juros em 1982 de 10% para a faixa de 20%. Em agosto de 1982, o México decreta a moratória de sua dívida externa levando mais caos sobre toda a América Latina, ainda combalida pelos anos anteriores. 

Voltem a atenção para o quadro acima e reparem na data do topo do repique de 1982 do Bovespa; julho de 1982; depois, o índice volta a cair, e só para lá nos 249 pontos em agosto de 1983


Bear-Market 1971-1983 em dólar




Em matéria de 01-09-2012, por ocasião dos 30 anos da "Crise da Dívida da América Latina", o Jornal "O Globo" resume assim o quadro dramático da época:


________________________________

"A crise da dívida externa chegou ao auge após a moratória do México, em agosto de 1982, que foi seguida de uma severa restrição de liquidez nos mercados financeiros, e a brusca interrupção dos fluxos de empréstimos do sistema bancário internacional para os países em desenvolvimento. O período, conhecido como “setembro negro”, foi marcado por vários eventos: choques do petróleo, aumento das taxas básicas de juros dos EUA e a guerra entre Irã e Iraque.

O Brasil, que se sustentava às custas de uma política dependente de capital externo, até então bem-sucedida, revelou-se uma nação insolvente. Em uma reunião do FMI na cidade de Toronto, no Canadá, a equipe econômica descobriu que, após a moratória do México, o Brasil era considerado a “bola da vez” pela banca internacional. O país só conseguiu evitar um calote generalizado porque teve a ajuda dos EUA, que haviam contribuído para o caos que se instalou na América Latina, ao elevarem os juros a uma taxa de quase 20% ao ano, após uma nova crise do petróleo."

________________________________

Aqui,o gráfico dos juros americanos com a alta súbita em 1982

Fonte: tradingeconomics.com


O que podemos dizer do mesmo intervalo no Bear-Market de 1986-1991 ?

Bem.....também é preciso dizer que, dos 4, talvez o de 1986-1991 tenha sido o mais "sobressaltado"; isso porque assistimos a execução de vários planos de estabilização inflacionária, todos fracassados; não só não estopavam a dinâmica inflacionária, como ainda conseguiam piorá-la, a ponto de jogá-la no limite da hiperinflação. Mas, também assistimos a um crash da Bolsa de Nova York em outubro de 1987, e ao impeachment de um Presidente da República, Fernando Collor de Mello.

Mas foi exatamente o que Fernando Collor de Melo fez, ao assumir o governo, que parece ter sido o grande responsável, o fato determinante para que o Bovespa viesse a fazer um novo fundo, depois do repique de 600% de 1987 a 1989.

Vejam acima que o repique vai até 3.179 pontos em dezembro de 1989, véspera da posse do Presidente recém eleito Fernando Collor. 

Collor decreta o congelamento de cerca de 80% do meio circulante, numa proposta pra lá de heterodoxa, com o intuito de acabar com a inércia inflacionária. 

Os tubos por onde passavam o meio circulante da economia brasileira ficaram praticamente congelados da noite para o dia, paralisando comércio, indústria e serviços, jogando a economia na recessão.

O impacto no mercado financeiro foi o crash do índice de 3.179 pontos até 387 pontos em janeiro de 1991

Bear-Market 1986-1991 em dólar



E o de 1997-2002 ? Esse parece mais fresco na cabeça de muitos.

Há um repique do fundo em 3.627 em out-2001 até 6.220 em março de 2002.

E o que acontece depois ?

Lula, o principal símbolo do Partido dos Trabalhadores, aquele que passou boa parte de sua vida até então sugerindo um calote na dívida externa, passa a favorito nas eleições presidenciais de 2002. Os meses seguintes a março consolidavam o crescimento da "candidatura Lula", pressionando dólar e juros pra cima e Bovespa para baixo.

O medo e a aversão a uma vitória de Lula jogaram o Bovespa de volta a um novo fundo, abaixo do fundo anterior, agora em 2.160 pontos,

Bear-Market 1997-2002




Com isso, reduzimos a questão no seguinte panorama

Em 1971-1983, uma questão EXTERNA, a alta nos juros americanos e posterior recrudescimento da Dívida Externa da América Latina, Brasil incluso, essencialmente, jogou o Bovespa para UM NOVO FUNDO para finalizar o seu Bear-Market

Em 1986-1991, uma questãoINTERNA, politico-econômica, o congelamento de 80% do meio circulante da noite para o dia, jogou o Bovespa para UM NOVO FUNDO para finalizar o seu Bear-Market

Em 1997-2002, também uma questão INTERNA, politico-econômica, a real possibilidade de vitória de Lula nas eleições presidenciais e suas idéias controversas na área econômica, jogaram o Bovespa para UM NOVO FUNDO para finalizar o seu Bear-Market


3 Bear-Markets, 1 questão EXTERNA e 2 questões INTERNAS.

No atual Bear-Market, a ida aos 22.712 pontos em dólar representa um repique nos moldes dos 3 Bear-Markets analisados acima ?

Isto é, carrega consigo uma dinâmica intrínseca que poderá empurrar o Bovespa num novo fundo abaixo do anterior de 8.992 atingido em janeiro de 2016 ?

Parece-me que sim......

O que valida tal argumentação ?

Diferente dos outros 3, não temos apenas questão externa ou interna. Temos um cenário desafiador nos meses adiante que podem nos trazer ambas em simultâneo.

Sim.....temos 2 questões que podem pressionar o Bovespa para UM NOVO FUNDO abaixo do fundo anterior de 8.992 pontos em dólar

Temos uma mudança clara na política monetária americana que afeta os fluxos financeiros mundiais.

E temos um quadro político completamente embaçado e, num certo grau, aterrorizador nos próximos meses, com um Presidente "pós impeachment" fragilizado, e eleição presidencial em 2018 imprevisível, recheada por candidatos possíveis tanto à esquerda como à extrema direita; populistas de vários naipes, enfim, uma torre de babel.

Portanto, os dados aqui colhidos nos levam a uma alternativa real de uma ida do Bovespa a um fundo abaixo do fundo anterior de 8.992 pontos em dólar; o que, por conseguinte, abriria uma possibilidade real de uma ida próxima à faixa de 30.000 pontos.

Alguns gráficos já começam a dizer que as peças começam a se mexer nessa direção.

O principal deles é o do índice "BZQ", um "hedge do Bovespa operado pelos estrangeiros"

Depois de 6 meses de congestão, o índice rompeu no fechamento da semana a faixa fundamental de 14,80-15,00.....fechamento em 15,10

BZQ, Diário



BZQ, SEMANAL




E o que dizer dos 3 principais papéis do setor bancário brasileiro, 2 deles, os 2 principais pesos do Bovespa ?

Reparem abaixo os canais de alta claros......os topos da linha superior tocados para os 3 papéis.....movimentos executados.....ITUB4 (ITAU PN), BBDC4 ( BRADESCO PN) e BBAS3 (Banco do Brasil ON)

Resta agora, voltarem a linha inferior.....correção básica ? Não.....

ITUB4, semanal, escala logarítmica




BBDC4, semanal, escala logarítmica




BBAS3, semanal, escala logarítmica






Ainda não sei se vender uma potranca por R$ 300 mil é um bom sinal; também não sei se uma deflação em junho é um sucesso decorrente da nova política monetária do Banco Central ou apenas reflexo de um colapso sem precedentes no nível de atividade econômica

Ajuda pensar que, pelo menos na "academia" algo se mexe

André Lara Resende, Persio Arida e Edmar Bacha, 3 ex-professores da PUC-RJ, às vésperas de ingressarem no Governo do então Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso em 1993, aceitaram voltar do exterior para formular o que seria conhecido posteriormente por "Plano Real", um divisor de águas no Brasil que conhecemos hoje

Voltavam cheios de idéias, após o período de caos político-econômico dos anos 80 e início dos anos 90.

André Lara Resende está hoje em Nova York, como pesquisador na Columbia University, e tem contribuído intensamente nos últimos meses para o debate sobre os juros
Persio Arida deixou recentemente o Banco BTG Pactual, onde era CEO e sócio, para retornar, segundo ele, à vida acadêmica em Oxford, Inglaterra
Mônica de Bolle está em Washington, no Peterson Institute for International Economics, e também tem contribuído intensamente em vários artigos, com vários insights sobre a situação econômica brasileira corrente

3 ex-Professores da PUC-RJ

Quem sabe, não voltam daqui 2 anos, também cheios de idéias, para finalizar o Bear-Market secular em que se encontra o Bovespa, seja com o fundo em 8.992 em dólar ou abaixo dele.










domingo, 25 de junho de 2017

"Como olhar a crise", por Editorial do Jornal "O Estado de São Paulo"

Excelente Editorial  do Jornal "O Estado de São Paulo" publicado hoje, 25-06-2017

http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,como-olhar-a-crise,70001861086

Como olhar a crise

A crise política, econômica, social e moral que tanto abate o ânimo dos brasileiros começou com o sr. Lula da Silva
      
O Estado de S.Paulo
25 Junho 2017 | 03h00

A atual crise brasileira vem de longe. Com uma seletiva falta de memória, alguns falam dos maus tempos que o País atravessa como se eles tivessem começado no ano passado, com a chegada de Michel Temer à Presidência da República. Outros, ainda menos afeitos aos fatos, comentam as instabilidades nacionais como se sua origem pudesse ser encontrada no mês passado, com o vazamento da delação do sr. Joesley Batista. Tais visões são evidentemente deformadas. A crise política, econômica, social e moral que tanto abate o ânimo dos brasileiros começou com o sr. Lula da Silva, com a apropriação da administração federal, de alto a baixo, para fins partidários. Foi na chegada do PT ao governo federal, há mais de uma década, portanto, que o cumprimento da lei, o interesse público e o respeito às instituições perderam relevância na tomada de decisões.

Logicamente, uma crise com essas feições, cevada ao longo de tantos anos e especialmente turbinada pela ignorância e o voluntarismo de Dilma Rousseff, semeia muitas dúvidas a respeito da viabilidade do País e de suas instituições. E não foram apenas erros na condução da política econômica. Os escândalos de corrupção e as licenciosidades com a lei, também por parte de quem deveria cumpri-la exemplarmente, contribuem para pôr em questão a capacidade de o Brasil retornar aos trilhos do desenvolvimento econômico e social.

Nesses momentos de horizonte opaco, em que recai sobre o futuro nacional densa neblina de incertezas, é preciso redescobrir os fundamentos sobre os quais seja possível construir soluções efetivas. Ao contrário do que alguns dizem, nem tudo está perdido. Nessa tarefa de olhar o cenário da vida nacional com serenidade, pode ser útil aprender com os investidores estrangeiros, como aponta Zeina Latif, em sua coluna de quinta-feira passada no Estado. “Os estrangeiros, menos contaminados pelo noticiário local, avaliam de forma mais serena e pragmática os riscos pela frente”, diz a economista.

Para essa avaliação mais serena, não é preciso fechar os olhos à realidade. O que faz falta é justamente olhar mais longe, ampliando os limites da vista. “Os estrangeiros têm visão mais global e não veem o Brasil como caso isolado de país problemático. Depois de Brexit e Trump, esses investidores parecem um pouco anestesiados. Nada os surpreende tanto assim. Muitos minimizam os riscos para a eleição de 2018, dizendo que, nos EUA, eles têm o Trump”, afirma Zeina Latif.

Outra característica valiosa dos estrangeiros, que afeta o seu olhar sobre o Brasil, é a tendência ao pragmatismo e à ação. Os estrangeiros “querem saber mesmo o que vem pela frente: como fica a agenda de reformas, o time econômico, a política econômica, o risco de deslize fiscal e o espaço para cortar a taxa de juros. Querem discutir as oportunidades”.

Certamente, tal pragmatismo é muito importante para que o País possa reencontrar os rumos do desenvolvimento. Sem esse dinamismo, até mesmo o que é em si positivo, como a investigação de crimes praticados por agentes do Estado, dando oportunidade para interromper a prática criminosa e punir os culpados, torna-se ocasião para simples lamúria e letargia. “Ainda que o quadro recomende cautela, é importante não se deixar contaminar excessivamente pela crise política na tomada de decisões. Cautela sim, retranca não”, diz Zeina Latif.

A saída da crise não virá, como alguns parecem fazer crer, de uma decisão judicial pondo o último corrupto na cadeia. Além de utópica, já que nunca chegará esse dia, tal crença só conduz à passividade, como se a população tivesse de esperar o fim da crise para empreender, trabalhar, contratar, etc. A esse respeito, deve-se aprender também com o governo de Michel Temer, por muitas que sejam suas deficiências. Mesmo com o cenário conturbado, realizou significativos ajustes na economia e continua disposto a levar adiante as tão necessárias reformas. O País está hoje melhor do que estava um ano atrás. E talvez os estrangeiros percebam esse fato mais facilmente do que os próprios brasileiros.








sábado, 24 de junho de 2017

VALE5 volta a salvar sua LTA de 1 ano no fechamento da semana

VALE5 volta a salvar sua LTA de 1 ano no fechamento da semana

Muito clara a LTA de 1 ano destacada abaixo...Papel bateu nela no dia do '"circuit breaker" e vem "quicando" nela por dias....

Até perdê-la, ainda resta a esperança de uma nova ida aos 27,50-27,80, pra tentar romper e buscar a faixa de 29,20-30,30

VALE5, Diário, escala logarítmica






quarta-feira, 21 de junho de 2017

Índice "BZQ", o "Hedge do Bovespa operado pelos estrangeiros", fecha o dia de ontem acima da faixa de 14,80-15,00, rompe uma congestão de 5 meses e sacramenta o final do rally que levou o Bovespa até 69.500. Agora, olhamos no longo prazo para 37.000

Índice "BZQ", o "Hedge do Bovespa operado pelos estrangeiros", fecha o dia de ontem acima da faixa de 14,80-15,00, rompe uma congestão de 5 meses e sacramenta o final do rally que levou o Bovespa até 69.500. Agora, olhamos no longo prazo para 37.000

Fechamento de ontem em 15,28

Vejam no gráfico semanal mais abaixo uma LTB Longa também rompida há cerca de 1 mês

BZQ, Diário, escala logarítmica



BZQ, SEMANAL, escala logarítmica






domingo, 18 de junho de 2017

Novo IVG-R não evitará o colapso dos preços dos imóveis

Se alguém no Brasil, ou no mundo,  suspeitava de que o Banco Central do Brasil  estava preocupado com o eventual estouro de uma também 'eventual bolha imobiliária", não há mais surpresas.

O Banco Central anunciou há 17 dias, no dia 01-06-2017, por meio de uma coletiva de imprensa, mudanças na metodologia do IVG-R (Índice dos Valores de Garantia dos imóveis financiados ).

Mais....anunciou a criação de um outro indicador, o "MVG-R" (Mediana dos valores de Garantia dos imóveis financiados ), que, assim como o IVG-R, tem como objetivo traçar um quadro mais preciso da tendência dos preços dos imóveis no Brasil

Assim, publicou a imprensa:

Fonte: Revista Isto é, 01-06-2017

http://istoe.com.br/bc-anuncia-mudancas-em-indice-de-precos-imobiliarios-e-novo-indicador/

______________________________________

"O Banco Central publicou nesta quinta-feira, 1, nota em que anuncia o aperfeiçoamento do Índice de Valores de Garantia de Imóveis Residenciais Financiados (IVG-R). Além disso, a instituição informa sobre a criação de outro indicador, a Mediana dos Valores de Garantia de Imóveis Residenciais Financiados (MVG-R).

De acordo com o BC, o IVG-R tem o objetivo de mensurar a tendência de longo prazo dos preços dos imóveis. “A nova série resulta de aperfeiçoamentos no cálculo do indicador, que é apurado desde 2013 com base nas garantias recebidas pelos bancos em operações de financiamento imobiliário para pessoas físicas registradas no Sistema de Informações de Crédito (SCR)”, informa o BC.

Entre os aperfeiçoamentos, a instituição afirma que houve uma ampliação da quantidade de operações consideradas e a inclusão de mais duas regiões metropolitanas no cálculo do IVG-R: Vitória e Campo Grande.

“A incorporação dessas duas regiões teve como objetivo abarcar as mesmas regiões usadas no cálculo do IPCA. Com as mudanças, o Banco Central busca também eliminar o viés observado no índice devido à maior incidência de operações imobiliárias de baixo valor”, cita o BC.

Já o MVG-R é baseado na mediana de todas as garantias registradas no SCR. “O MVG-R possibilita o cálculo de novos indicadores, como preços dos imóveis comparados a métricas de renda, uma vez que traz os valores em reais, diferentemente do IVG-R, que é apresentado em número índice”, informa o BC."

_______________________________________


Além da nota à imprensa, o Banco Central fez questão de destacar que não vê uma situação de bolha imobiliária no Brasil, assim como, não vê perda generalizada do valor dos imóveis

Assim, registrou a imprensa:

Fonte: Revista Isto é, 01-06-2017

http://istoe.com.br/bc-nao-ve-bolha-nem-perda-generalizada-do-valor-de-imoveis-no-pais/

________________________________________

"O chefe do Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro (Desig) do Banco Central, Gilneu Vivan, afirmou nesta quinta-feira, 1, que no Brasil não existe atualmente situação de bolha imobiliária, nem processo de perda generalizada do valor de imóveis residenciais. Conforme os números apresentados hoje pelo BC, o valor mediano de todos os imóveis financiados no País no trimestre encerrado em março foi de R$ 160 mil."

________________________________________


No dia 17-02-2017, publiquei um artigo meu nesse espaço cujo título era: 

"O Banco Central me diz que os Preços dos Imóveis Já Estão em Colapso"

http://pracompraroupravender.blogspot.com.br/2017/02/o-banco-central-me-diz-que-os-valores.html

Qual era a essência do artigo ?

Era destacar a queda de aproximadamente 18% do IVG-R, o mesmo índice que agora o Banco Central modifica

Vejam um trecho do artigo:

____________________________________________

"O índice IVG-R mostra uma queda nominal de aproximadamente 18% de set-2014 até nov-2016.

Mais.... é possível perceber que a velocidade de queda de 2015 para 2016 aumentou sobremaneira. Até meados de 2015, o índice caía a uma velocidade aproximada inferior a 0,5% a cada mês. De final de 2015 para o final de 2016, o índice cai a uma velocidade aproximada média superior a 1% mensal. (no final do texto, disponibilizo os números numa tabela)

Não podemos classificar essa dinâmica de queda do IVG-R como "normal"; a velocidade de queda acima de 1% a cada mês ao longo de praticamente 1 ano é suficiente para não ignorarmos um fato; os valores dos imóveis não estão caindo, estão em colapso."


___________________________________________

O Gráfico que refletia tal queda pode ser visto abaixo, isto é, uma queda de 540,70 em set-2014 até 444,90,registrado pelo BC em nov-2015

Fonte: Banco Central do Brasil


Bem.....

E, agora, o que aconteceu com o novo IVG-R ?

Com a nova metodologia anunciada pelo Banco Central do Brasil, o IVG-R passa a apresentar uma queda de 5,1% do topo atingido em jan-2015 até mar-2017, último dado compilado

Ou seja, antes, um colapso de 18%; agora, uma queda de 5,1%

Todos nós poderíamos ir para casa contentes, tranquilos e felizes, já que não temos em que nos preocupar. 

Não temos mais uma bolha imobiliária; aliás, nunca a tivemos, Muito menos, o estouro dela.

Agora, os preços dos imóveis cairam apenas 5%. Tudo normal

Não é bem assim......se olharmos a história, e aqui, uma história recente, pra lá de recente, a dinâmica não nos leva a nenhum quadro tranquilo, nada tranquilo....

Comecemos pelo óbvio.

Apresentemos 2 economias em absoluto colapso nos últimos 6-7 anos.

Não....não é o Brasil......Grécia e Chipre....economias não muito grandes, tampouco, muito sofisticadas, mas que nos servem para "início de conversa"

Abaixo, o quadro de evolução do PIB e dos valores dos imóveis em paralelo
PIB em colapso, valores dos imóveis acompanham e colapsam também

O PIB da Grécia cai 26% de 2008 a 2015.....
Valores dos imóveis caem aproximadamente 42% no mesmo período (gráfico colado ao lado da tabela)

Fonte: www.tradingeconomics.com, www.globalpropertyguide.com e www.countryeconomic.com


O PIB do Chipre cai 9% de 2008 a 2015.....
Valores dos imóveis caem aproximadamente 29% no mesmo período (gráfico colado ao lado da tabela)

Fonte: www.tradingeconomics.com, www.globalpropertyguide.com e www.countryeconomic.com




Bem.....então tudo se resume ao PIB.....Enquanto o PIB vai bem, imóveis também.

Tentador estabelecer tal correlação, porém, uma análise mais cuidadosa nos leva a outras direções.

Os 2 casos acima não guardam apenas semelhanças na evolução do PIB de 2008 a 2015.
Ambos os países têm como moeda, o EURO

Olhemos para fora da "Zona do Euro" então.

Abaixo, 4 países que não carregam o "EURO" como moeda: Croácia, Bulgária, Romênia e Polônia, respectivamente com suas moedas, "Kuna Croata", LEV Búlgaro", "LEI Romeno" e "Zlot Polonês"

A Croácia representa o único país entre os 4 que apresentou um colapso em sua economia no mesmo período 2008-2015, uma perda de 11% de seu Produto Interno Bruto

Os países restantes, embora tenham sido fortemente impactados pela Crise Americana de 2008, engataram boas recuperações em seguida, até mesmo diante da Crise Européia 2011-2012


O PIB da Croácia cai 11% de 2008 a 2015.....
Valores dos imóveis caem aproximadamente 19% no mesmo período (gráfico colado ao lado da tabela)

Fonte: www.tradingeconomics.com, www.globalpropertyguide.com e www.countryeconomic.com




O PIB da Bulgária sobe 5,3% de 2008 a 2015.....
Valores dos imóveis caem aproximadamente 35% no mesmo período (gráfico colado ao lado da tabela)


Fonte: www.tradingeconomics.com, www.globalpropertyguide.com e www.countryeconomic.com




O PIB da Romênia sobe 5,5% de 2008 a 2015.....
Valores dos imóveis caem aproximadamente 55% no mesmo período (gráfico colado ao lado da tabela)

Fonte: www.tradingeconomics.com, www.globalpropertyguide.com e www.countryeconomic.com




O PIB da Polônia sobe 23,6% de 2008 a 2015.....
Valores dos imóveis caem aproximadamente 15% no mesmo período (gráfico colado ao lado da tabela)

Fonte: www.tradingeconomics.com, www.globalpropertyguide.com e www.countryeconomic.com





Ora.....

Alguma coisa "não bate", não é ?

Voltem os olhos para os 3 últimos países....Bulgária, Romênia e Polônia.

Os 3 países se sairam muito bem após 2008; Bulgária e Romênia chegaram a cair forte em 2009, mas se recuperaram; a Polônia não só como não cai em 2009, como embala um crescimento invejável, acumulando no período 2008-2015 um crescimento de 23,6%

A despeito dos ótimos desempenhos, os valores dos imóveis cairam !

A Polônia, mesmo com o crescimento fabuloso de 23,6%, apresentou uma queda de 15% aproximadamente nos valores dos imóveis.

O quadro coloca sérias dúvidas sobre a correlação direta "PIB x Valor do imóvel".

Curioso, pois um estudo do BIS (Banco de Compensações Internacionais) de 2002, e por mim levantado aqui há alguns meses em artigo relacionado a "bolha imobiliária", sinalizava para o PIB como um "tripé" de sustentação dos "preços dos imóveis".

O estudo também embutia no "tripé" mais 2 variáveis: Juros e "Desempenho da Bolsa de Valores".

Então, coloquemos as 2 variáveis abaixo correlacionando-as a todos esses 4 países acima, Croácia, Bulgária, Romênia e Polônia

O primeiro gráfico de cada país destacado abaixo sempre corresponde a "Taxa de juros", ou seja, a "taxa Selic" de cada país mencionado

O Segundo gráfico corresponde ao principal índice de ações de cada país.

O Estudo do BIS sinalizava que taxas de juros em queda e ações em alta tendiam a impactar positivamente nos preços dos imóveis

Não é isso que vemos abaixo. 

Todos os 4 países mostram tendência clara de queda das taxas de juros no período 2008-2015, períodos destacados.
Embora os índices de ações não apontem para grandes saltos, é inegável que todos apresetam boas recuperações pós 2008; talvez a exceção seja a Croácia, que estaciona numa "longa congestão"

Resumidamente, as quedas das taxas de juros e razoável desempenho das ações não ajudaram no desempenho dos preços dos imóveis, como vimos acima. Afinal, tivemos quedas de 19%, 35%, 55% e 15% para Croácia, Bulgária, Romênia e Polônia, respectivamente

Fonte: www.tradingeconomics.com, www.globalpropertyguide.com e www.countryeconomic.com




O objetivo do trabalho em curso não é descobrir a resposta exata, correta, que identifique o que de fato impacta nos preços dos imóveis; 

O que apresentamos até então, é um buraco enorme na predisposição inicial de ancorar uma variável em outra, isto é, estabelecer uma relação direta entre PIB, Juros e Ações e a evolução dos preços dos imóveis.

Por outro lado, começamos a encontrar novas peças, formar um novo quadro quando olhamos para o câmbio de cada país.

Continuemos a deixar de lado Grécia e Chipre, ambos com quedas expressivas em seus "PIB's" e ancorados em moedas mais fortes, o EURO

Foquemos nos outros 4 países, Croácia, Bulgária, Romênia e Polônia

Acompanhem a evolução do dólar frente a suas moedas, "Kuna Croata", LEV Búlgaro", "LEI Romeno" e "Zlot Polonês", respectivamente.

Em todos os 4 países, o dólar apresenta um expressivo aumento frente a cada moeda no período 2008-2015.

No quadro abaixo, a evolução dos preços dos imóveis e de suas moedas

É clara  a correlação "moeda" com "valores dos imóveis"

Enquanto o dólar ganha força em relação a cada moeda, ou em outras palavras, enquanto cada moeda perde força, os valores dos imóveis apresentam uma tendência clara de queda

Fonte: www.tradingeconomics.com, www.globalpropertyguide.com e www.countryeconomic.com





Para Grécia e Chipre, enquadradas logo no início separadamente, a correlação "moeda" e "valor dos imóveis" acompanha a correlação de Croácia, Bulgária, Romênia e Polônia destacada anteriormente

Vejam abaixo que, à medida que o "DÓLAR" ganha força diante do "EURO" no período 2008-2015, os preços dos imóveis, os 2 primeiros gráficos, caem no período 2008-2015

Portanto, também os países pertencentes a "Zona do Euro", explicitam uma forte correlação "dólar x preços dos imóveis"

Fonte: www.tradingeconomics.com, www.globalpropertyguide.com e www.countryeconomic.com



E o Brasil nisso tudo ?

Queda forte no PIB e força do dólar ?
Não.....não nos precipitemos...

O PIB do Brasil sobe 13,3% de 2008 a 2015.....mesmo com a queda de 3,8% do PIB de 2015

Valores dos imóveis sobem aproximadamente  170% no mesmo período; aqui, considerando o primeiro gráfico a súa direita, gráfico IVG-R compilado pelo Banco Central (nova metodologia).....caso utilizemos o FIPEZAP, a alta é ainda maior, de aproximadamente 230% (gráficos colados ao lado da tabela)

Fonte: www.tradingeconomics.com, www.globalpropertyguide.com, www.countryeconomic.com e Banco Central do Brasil




Vamos enriquecer o debate em torno do Brasil,e situá-lo diante de outras 2 economias classificadas como "emergentes", Rússia e China


O PIB da Rússia sobe 2,8% de 2008 a 2015.....
Valores dos imóveis ficam estáveis no mesmo período (gráfico colado ao lado da tabela)




Fonte: www.tradingeconomics.com, www.globalpropertyguide.com e www.countryeconomic.com



O PIB da China sobe 76% de 2008 a 2015.....
Valores dos imóveis sobem aproximadamente 25% no mesmo período (gráfico colado ao lado da tabela)


Fonte: www.tradingeconomics.com, www.globalpropertyguide.com e www.countryeconomic.com



Vamos trazer as moedas para cada país ?

Cá estamos.......abaixo, os 3 gráficos dos "valores dos imóveis" associados às moedas de cada país

Assim, temos a seguinte configuração.

Dólar, assim como diante das moedas da Grécia, Chipre, Croácia, Bulgária, Romênia e Polônia, também ganha muita força diante do "Real brasileiro" e "Rublo Russo" no período 2008-2015

No caso da China, por questões de uma política cambial "mais centralizada e menos flutuante", a força somente acontece a partir de 2014

Fonte: www.tradingeconomics.com, www.globalpropertyguide.com e www.countryeconomic.com




Assim, temos os 3 países emergentes que, a despeito de fortes reversões nos últimos 2 anos para Brasil e Rússia, Brasil principalmente, mantém seus preços dos imóveis praticamente inalterados.

Brasil, pela nova metodologia do IVG-R, com uma queda de 5%

E a pergunta óbvia:

Por que a força do dólar não provocou queda acentuada nos preços dos imóveis de Brasil , Rússia e China, assim como, "em minha tese", provocou em Grécia, Chipre, Croácia, Bulgária, Romênia e Polônia ?

Primeiro porque, embora o PIB não seja determinante dentro do contexto aqui apresentado, todos os países navegaram em dinâmicas distintas no que tange a essa variável.


Segundo, e principalmente, porque acima estabeleci uma espécie de "pegadinha"

Grécia, Chipre, Croácia, Bulgária, Romênia e Polônia começaram a apresentar reversões na tendência dos "preços dos imóveis" praticamente ao mesmo tempo, isto é, a partir de 2008.

Os países emergentes, não.

E o que pode tê-los retardado ?

A hipótese mais razoável parece nos levar para a "bolha de commodities", principalmente quando falamos de Brasil e Rússia

Abaixo, 3 gráficos que espelham o "universo das commodities", os preços do barril de petróleo, do minério de ferro e o gráfico do "CRB Commodities"

Barril de petróleo, semanal, período 12 anos




Minério de ferro, semanal, período 10 anos 
Fonte: indexmundi.com


CRB Commodities, semanal, período 12 anos 





Mais...

O que dá pra notar abaixo é que, olhados em conjunto, Grécia, Chipre, Croácia, Bulgária, Romênia e Polônia parecem ter atingido "o fundo do poço" nos preços dos imóveis após aproximadamente 6-8 anos. Grécia e Chipre, justamente os 2 países da "Zona do Euro", ainda sinalizam fortes dúvidas quanto a reversões.

Dos 3 países emergentes aqui lançados, Brasil, Rússia e China, o Brasil é o caso que apresenta um sinal de reversão mais claro, reversão essa registrada em jan-2015, quando o IVG-R atingiu 548,2 pontos. 


Da esquerda pra direita em ordem, Índices de preços de imóveis da Croácia, Bulgária, Romênia, Polônia, Grécia e Chipre


Fonte: www.tradingeconomics.com, www.globalpropertyguide.com e www.countryeconomic.com


Da esquerda pra direita em ordem, Índices de preços de imóveis do Brasil (os 2 primeiros , FIPEZAP e IVG-R), Rússia e China




Fonte: www.tradingeconomics.com, www.globalpropertyguide.com, www.countryeconomic.com e Banco Central do Brasil


A menor queda nos "preços dos imóveis" registrada entre os 9 países listados no período de 7 anos ocorreu com a Polônia, queda de 15% aproximadamente, mesmo com uma alta no PIB de 23%

A maior queda ficou com a Bulgária, queda de 55%, mesmo com uma alta no PIB de 5% aproximadamente.

Aprofundar mais ainda os estudo nessas poucas linhas torna o trabalho cansativo e talvez não tão objetivo para o propósito do texto. Cruzar as inúmeras altas nos preços dos imóveis com as inúmeras variáveis listadas, assim como novas observações, ficam de fora.

No entanto, fica a luz lançada para quem acompanha essa nova fase da "bolha imobiliária brasileira"

Diante do que foi exposto acima, difícil imaginar uma queda amena nos preços dos imóveis no Brasil, preços esses cuja alta nos últimos 7-8-9 anos superou nos indices oficiais o patamar de 170%; vimos casos não desprezíveis em regiões como RJ-SP em que tivemos altas de 400%-500%

A reversão no Brasil começou em janeiro de 2015; como destacado, se olharmos para quadros semelhantes, a dinâmica de queda tende a terminar por volta de 7-8 anos; sempre numa ótica otimista

Mesmo que o PIB se recupere nos próximos meses, não se animem. Voltem aos números acima.
Não tentem nem trazer o "crédito" para a mesa. Em tese, o "crédito" vem com uma melhora no PIB. 

E, como vimos acima, países que voltaram a engatar uma dinâmica positiva no PIB, não estoparam a inércia de queda nos preços dos imóveis; numa perspectiva positiva, podemos apenas conjecturar que o impacto é no longo prazo.

Portanto, PIB não garante melhora nos preços dos imóveis, muito menos, elimina o colapso dos preços se os mesmos estão contaminados por todos os lados

Por ora, temos uma queda de 5% no preço dos imóveis pelo IVG-R, índice compilado pelo Banco Central, segunda a nova metodologia.

Temos a publicidade gritante de descontos de 30%-40% oferecidos por várias construtoras para inúmeros empreendimentos imobiliários espalhados pelo país; temos a divulgação de devoluções recordes de imóveis, temos a recente recuperação judicial de uma construtora que já foi uma das 2 maiores construtoras do país, a PDG

Temos um longo caminho pela frente, um cenário ainda recheado de clara reversão na política monetária americana, pressão no câmbio, instabilidade política e fragilidade na teia social brasileira.

Ninguém vai dizer pra você que temos um "estouro da bolha imobiliária" em curso; muito menos o Banco Central.

Imagine o Banco Central pedindo coletiva para dizer

"Sim, nós temos um "estouro da Bolha Imobiliária" em curso".

Na verdade, na altura do campeonato, não é isso que mais me preocupa.

É, em que medida isso afetará inúmeras outras questões e variáveis.

Ainda temos muitas linhas a escrever