quarta-feira, 12 de abril de 2017

"Para Dório Ferman, gestor de um dos fundos de ações mais antigos e rentáveis do país, o Brasil vai sair do buraco e a bolsa vai subir mais.", por Revista EXAME

Abaixo, parte da entrevista de Dório Ferman, gestor da "Asset"  Opportunity, um dos ícones do mercado financeiro dos anos 80 e 90, então um dos principais bancos de investimento do país; hoje, gestor do fundo de ações Lógica

Texto completo aqui: http://exame.abril.com.br/revista-exame/compre-antes-que-seja-tarde/

“Para ganhar com o novo Brasil, compre ações agora”, diz Ferman
Para Dório Ferman, gestor de um dos fundos de ações mais antigos e rentáveis do país, o Brasil vai sair do buraco e a bolsa vai subir mais.

Por Giuliana Napolitano 
12 abr 2017, 05h55

São Paulo — O pernambucano Dório Ferman é gestor de um dos fundos de ações mais antigos e rentáveis do país, o Lógica II. Dez mil dólares investidos no Lógica em 1986, quando surgiu como um clube de investimentos, viraram 6,8 milhões de dólares hoje, rendimento quase 80 vezes maior do que o do Ibovespa. Isso apesar de os últimos cinco anos terem sido complicados — o fundo teve desempenho melhor que o do Ibovespa, mas, ainda assim, perdeu 17%. O problema, segundo Ferman, foi “não ter acreditado que a situação ficaria tão ruim” no governo de Dilma Rousseff. Hoje, porém, ele acha que o pior já passou e está apostando numa nova onda de valorização das ações de algumas das principais empresas da bolsa, como Petrobras e Vale. Um dos fundadores do banco Opportunity, que tem 25 bilhões de reais sob gestão em diferentes fundos, Ferman também aposta na queda dos juros e na valorização do real ao longo do ano. “Quem quer ganhar com esse novo Brasil deve investir em ações agora”, disse ele a EXAME em seu escritório no centro do Rio de Janeiro.

Exame – A bolsa brasileira subiu bastante no último ano. É arriscado comprar ações agora?

Ferman – Toda oportunidade embute um risco. Se as reformas que o governo está propondo forem aprovadas, viveremos um momento espetacular. Já houve uma mudança importante, a criação de um limite para o aumento dos gastos públicos, e é provável que saia do papel uma boa reforma da Previdência. Mas o investidor que esperar a aprovação das reformas para só então entrar na bolsa poderá perder a oportunidade, porque o preço das ações já terá subido. Por isso investimos na bolsa. Quem quiser ganhar com esse novo Brasil deverá investir em ações agora. Depois poderá ser tarde.

Exame – De onde vem essa sensação de que o Brasil vai dar certo?

Ferman – O país está se organizando para voltar a crescer, depois de um período muito ruim, especialmente nos governos de Dilma Rousseff. Mergulhamos no intervencionismo, que bagunçou toda a economia. O bom empresário não era o que produzia e vendia com lucro, mas o que conseguia financiamento no BNDES. Formou-se o grupo dos competentes em pedir. Fora isso, a Petrobras foi destruída e, por tabela, o Rio de Janeiro. Um inimigo não faria um serviço tão bem-feito. O Brasil, agora, está no caminho certo. A equipe econômica, comandada pelo ministro Henrique Meirelles, não poderia ser melhor, e os sinais de recuperação da economia são bons. O desafio é conseguir antecipar as empresas que vão se dar bem nessa nova etapa.



Exame – Quais ações os fundos do Opportunity estão comprando no Brasil?

Ferman – Investimos em ações de bancos, que devem se beneficiar com a retomada da economia, da mineradora Vale, que cortou custos e está mais eficiente, e da Petrobras, cuja gestão atual é excelente. O risco da Petrobras, hoje, é a dependência do preço do petróleo. Estamos otimistas também com o setor de energia elétrica: haverá muitas oportunidades para as empresas com os esperados leilões de linhas de transmissão e a privatização de distribuidoras. Uma em-presa interessante no setor é a Eletrobras: seu caso é parecido com o da Petrobras, de choque de gestão, mas a dívida é menor e não há dependência do preço de uma commodity. Ou seja, o risco é mais baixo. O Lógica teve 60% do patrimônio investido em ações do índice S&P 500, da bolsa de Nova York, de 2014 até quase o início de 2016. Hoje, temos uns 2%. Reduzimos porque estamos apostando na recuperação brasileira.

Exame – O desempenho do Lógica nos últimos cinco anos foi ruim. O que deu errado?

Ferman – Nosso erro estratégico foi não acreditar que a situação poderia ficar tão ruim. Houve uma esperança quando Joaquim Levy foi escolhido como ministro da Fazenda, no segundo mandato de Dilma. Então continuamos comprando ações, mas o país parou e, por consequência, a bolsa também. O país teve uma gestão péssima movida por uma ideologia complicada. A ideia de comandar a economia e escolher para quem vai dar o dinheiro deve ser muito agradável para quem escolhe, mas acabou com o país. Para um investidor com visão de longo prazo, errar faz parte. Já erramos outras vezes e nos recuperamos. Desta vez, vamos nos recuperar junto com o Brasil.

Exame – O que vai acontecer com os investimentos feitos pelo Lógica se a recuperação econômica demorar demais ou as reformas não saírem do papel?

Ferman – Vamos perder dinheiro, mas o risco que corremos é calculado. Não existe ganho sem risco, só que o risco tem de ser limitado. Essa é nossa grande preocupação. Se o cenário que projetamos der errado, o Lógica deverá perder algo em torno de 10% em alguns meses, porque a bolsa vai dar uma sacudida. Mas aí vamos mudar os investimentos, podemos voltar a aplicar no S&P, e o objetivo será recuperar o prejuízo.