quinta-feira, 20 de abril de 2017

"Crise econômica e fatores locais prejudicam o setor imobiliário na Barra e nos bairros vizinhos......Pedido de recuperação judicial da PDG e fracasso de vendas da Ilha Pura são alguns dos exemplos", por Jornal "O Globo"

Boa matéria publicada hoje pelo Jornal "O Globo" analisando o que sobrou do otimismo em relação ao mercado imobiliário brasileiro, mais especificamente, carioca, após as Olimpíadas e o prolongamento da crise econômica pela qual passa o país.

Como toda "bolha", no início, aquele entusiasmo....

"Vai subir pra sempre"....é o sentimento generalizado.

E todos vão atrás do "pote de ouro".......nada os fazem pensar sobre o que de fato "faz sentido", se é que alguma coisa "faz sentindo" ao longo de todo o processo de "bolha".

Depois, o encontro com a realidade...

Realidade que ainda está longe de terminar....

Muitos ainda insistem em preços de imóveis surreais.....acreditam que uma queda de apenas 20%-30% pode resolver o problema

Sinto muito em lhes dizer......ou baixam os valores ou vão amargar prejuízos gigantescos com tais valores atuais por anos...anos......perdendo para inflação e para outras oportunidades de investimento

Abaixo, parte da matéria....aqui, o texto completo: http://oglobo.globo.com/rio/bairros/crise-economica-fatores-locais-prejudicam-setor-imobiliario-na-barra-nos-bairros-vizinhos-21231209

Crise econômica e fatores locais prejudicam o setor imobiliário na Barra e nos bairros vizinhos

Pedido de recuperação judicial da PDG e fracasso de vendas da Ilha Pura são alguns dos exemplos

 
POR LUCAS ALTINO / STEFANO SALLES 20/04/2017 4:30

RIO - Em 2013, os investimentos feitos por toda a cidade para a realização da Rio-2016 inspiraram o então prefeito Eduardo Paes, que, apostando em uma espiral de valorização dos imóveis, encomendou à Estrela uma versão carioca de um clássico dos jogos de tabuleiro. Assim surgiu o Banco Imobiliário Cidade Olímpica, distribuído para crianças da rede municipal de ensino. Contrariando o prognóstico, porém, um ano após o megaevento esportivo, o segmento enfrenta o momento mais delicado de uma crise prolongada, facilmente perceptível na Barra da Tijuca. O bairro, que abriga o Parque Olímpico, foi também o que mais recebeu empreendimentos comerciais e residenciais. Boa parte deles segue vazia, à espera de compradores e ocupação.

O pedido de recuperação judicial da PDG contribuiu para que um cenário crítico se desenhasse na Barra da Tijuca. Fica no bairro o principal empreendimento da construtora na cidade, o The City Business, na Avenida Embaixador Abelardo Bueno. O complexo reuniria três prédios comerciais, atualmente semiprontos, e um shopping que ainda não começou a ser erguido. Ao todo, são 1.044 salas. Do total, 640 já foram compradas. Os proprietários se organizam para enfrentar o momento de crise enfrentado pela empresa com a Associação de Defesa dos Condôminos e Credores da PDG (ADCPDG), constituída em fevereiro deste ano.

A entidade já representa cerca de 140 proprietários. E, aos poucos, começa a receber também a adesão de compradores de imóveis da construtora em outros empreendimentos da região, como o Expert Suite Services, na Estrada dos Bandeirantes, em Jacarepaguá; e o Grand Family Condomínio Club, em Vargem Grande. Advogado do grupo, que recorre à Justiça para garantir a entrega das unidades, José Roberto Soares de Oliveira explica que a intenção é fazer com que uma outra empresa dê continuidade às obras.

— Desde a quebra da Encol, as incorporações são protegidas pelo patrimônio de afetação: uma legislação que determina que o dinheiro arrecadado pelas construtoras em lançamentos vá diretamente para as obras. Assim, os proprietários não estão entre os 23 mil credores da PDG; as compras não estão atreladas à recuperação judicial. O ideal é que outra empresa assuma as obras e as conclua, uma vez que a recuperação judicial pode durar entre 180 e 360 dias, antes de uma possível transformação em falência — analisa.

O cirurgião geral Armindo Fernando Costa, presidente da Associação de Médicos da Barra da Tijuca (Amebarra), adquiriu em 2014 uma sala comercial no The City Business. A ideia era que o espaço, avaliado em cerca de R$ 300 mil, fosse utilizado pelo filho, recém-formado em Medicina, como consultório. Indignado com o tratamento dado pela empresa aos clientes e com a paralisação das obras, ele decidiu mobilizar outros clientes da PDG.

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Na ocasião, houve um lançamento cinematográfico de tão impressionante. Muita gente foi enganada. Sinceramente, não acredito que a PDG vá sair dessa. A dívida da empresa é muito grande — afirma.

Em nota, a PDG diz que tem atualmente 20 obras, a maioria em São Paulo e no Rio. Dessas, três devem ser entregues aos clientes em breve e três estão em andamento, entre elas, a do The City Business. As outras 14, esclarece, estão paralisadas, aguardando a negociação entre a construtora e os bancos financiadores, no âmbito da recuperação judicial.

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. Embora o número de lançamentos em toda a cidade tenha crescido, sobretudo os de imóveis residenciais, que passaram de 5.857 para 7.329, no bairro ele diminuiu de 409 para 87. Entre as unidades de perfil comercial, a queda foi abrupta: foram 142 lançadas em 2015, contra nenhuma em 2016.