quinta-feira, 30 de março de 2017

"Com todo seu petróleo, Venezuela está sem gasolina. É o socialismo", por João Batista Natali, em Diário de Comércio

Vejam as eficiências do Socialismo e do Estatismo levados ao extremo

Abaixo, parte do texto:

Aqui, a matéria completa : http://www.dcomercio.com.br/categoria/economia/com_todo_seu_petroleo_venezuela_esta_sem_gasolina_e_o_socialismo

Com todo seu petróleo, Venezuela está sem gasolina. É o socialismo

SÃO PAULO, 29 DE MARÇO DE 2017 ÀS 13:00 POR JOÃO BATISTA NATALI

A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do Planeta, encabeçando uma lista que traz em seguida a Arábia Saudita, o Canadá e o Irã.
Mesmo assim, a produção e a distribuição de combustíveis entraram em colapso. Desde terça-feira passada (21/03), filas se formam diante dos postos de gasolina em Caracas e nas principais cidades venezuelanas.

É algo inimaginável, que lembra a afirmação atribuída a Milton Friedman ou a outro economista, William Buckley, de que, se o socialismo for instituído no deserto do Saara, em poucas semanas começará a faltar areia.

Em termos de produção de petróleo, a Venezuela ocupa a nona colocação mundial. Tem óleo cru e combustível refinado para, teoricamente, jamais correr o risco de não ter oferta para sua demanda.
Mas estamos falando do “socialismo do século 21”, essa mistificação instituída por Hugo Chávez (1999-2013) e prosseguida com a mesma incompetência por Nicolas Maduro.
A situação venezuelana é hoje tão caótica que Maduro pediu há dias às Nações Unidas ajuda logística para arrumar o setor de medicamentos, que também entrou em colapso, com menos de 20% dos produtos nas farmácias.
Não acaba aí. A Venezuela é o país em que, por falta de farinha de trigo importada, não há mais pão em parte das padarias de Caracas, e onde o governo prendeu padeiros, acusando-os de participar da “guerra econômica” contra o establishment bolivariano.
Ou, como último exemplo, nos jardins zoológicos venezuelanos 50 mamíferos de maior porte deixaram de ser alimentados e morreram de inanição, algo que havia apenas ocorrido, na recente história da humanidade, em Berlim, e nas últimas semanas do regime nazista.
Mas vejamos a gasolina. Uma das provas de que o governo foi pego de calças curtas – ou seja, não tem o mínimo planejamento do qual tanto se orgulha – está na revelação da agência Reuters de que, ainda em fevereiro, o próprio Maduro autorizou o envio de petróleo refinado para Cuba e Nicarágua, dois de seus últimos regimes amigos.

INCOMPETÊNCIA DE GESTÃO, MAS POR ETAPAS

Desde então, o mercado da gasolina – leia-se, um setor controlado pela estatal PDVSA – entrou em parafuso e nada indica que a questão será satisfatoriamente resolvida a curto prazo.
A incompetência de um regime centralizador se manifestou em algumas etapas. Em primeiro lugar, as grandes refinarias estão com a produção comprometida.
O país costumava há cinco anos refinar 1,3 milhões de barris por dia. Hoje está refinando menos de 400 mil.

E não é um problema técnico, que já faz parte do histórico do óleo cru venezuelano, que é um produto “pesado” (menos querosene e mais asfalto), contrariamente ao petróleo “leve” (arabian light, brent) da região do Golfo.
O problema está na má gestão. E quem afirma isso é Ivan Freites, dirigente da Federação Unitária dos Petroleiros, em entrevista ao portal de oposição Tal Cual.

A maior refinaria do país, a de Paraguaná, está com 67 de suas 82 torres de refinamento desativadas por falta de manutenção. A refinaria de Puerto la Cruz e a de El Palito deixaram de funcionar.
Numa delas, explodiu uma caldeira para a produção de vapor (não há dinheiro para substituí-la) e na outra houve imperícia na desmontagem de torres que forneceriam peças de reposição.
Na semana passada, chegaram à Venezuela 600 mil barris de gasolina. Era um produto importado sobretudo do Brasil, Estados Unidos e Espanha, mas como a necessidade do mercado interno venezuelano é de 250 mil barris por dia, o produto praticamente já se esgotou.
O governo então lançou mão daquilo que equivaleria, literalmente nos reservatórios, ao fundo do tacho. Ou seja, o combustível armazenado a menos de um metro do piso de cada reservatório, junto ao qual se acumulam impurezas.
As quais, como é de se prever, passaram a entupir os motores dos automóveis e veículos de transportes. Dezenas de ônibus entraram em pane e deixaram os passageiros na mão.
A rigor, a estatal PDVSA teria pessoal competente para dar conta da situação. Mas os engenheiros foram substituídos por militantes do partido do governo, o PSUV, numa operação de maior efeito em abril de 2012.

O aparelhamento da estatal não era apenas para dar bons empregos aos fieis ao regime. Era também para impedir de uma vez por todas que a estatal funcionasse com a lógica de uma empresa, e canalizasse seus recursos para o financiamento dos programas sociais.
Isso funcionou no período de vacas gordas. Com as vacas magras –queda pela metade do preço internacional do petróleo, em 2014 – a mesma lógica caducou.