quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Na semana passada, Pedro Malan, ex-Ministro da Fazenda no Governo FHC, deu uma palestra na PUC-RJ....nela, resgatou 2 parágrafos de um artigo do Economista e Professor da PUC-RJ, Rogério Wernek, publicado há 1 mês no Jornal "O Globo".....peço desculpas por eu ter "passado" por esse artigo....reproduzo agora, dada a extraordinária capacidade do Professor Werneck em situar a figura do "Estado Brasileiro"

Na semana passada, Pedro Malan, ex-Ministro da Fazenda no Governo FHC, deu uma palestra na PUC-RJ....

Já na parte final do texto que apresentou, Malan resgatou 2 parágrafos de um artigo do Economista e Professor da PUC-RJ, Rogério Wernek, publicado há 1 mês no Jornal "O Globo"

Título do Artigo:

"A conta da pilhagem do Estado"

É possivel que alguns já tenham lido o artigo

O artigo é tão brilhante que, além de pedir desculpas, passo a reproduzi-lo abaixo

Não se incomodem em lê-lo e relê-lo.....

A profundidade do que está ali escrito é tamanha, que é necessário, muitas vezes, voltar no texto, relê-lo, falar em voz alta, se possível, pra nos darmos conta do quão perfeito tudo ali se encaixa no quadro brasileiro

Quando eventualmente digo que tivemos uma chance durante o Governo FHC, os 8 anos de seu governo, ainda com alguns erros aqui e ali para os mais perfeccionistas, quero dizer exatamente que foi exatamente ao longo dos 8 anos do Governo FHC, que chegamos próximos de tudo que está posto no artigo do Professor Rogério Werneck

O Brasil não precisa desse texto apenas por 8 anos....precisa por 16, 24, 32 anos; o tempo que for necessário, pra que a sociedade entenda, de uma vez por todas, o quanto a figura do Estado é nociva quando ela se sobrepõe ao resto.

Novamente, peço desculpas por ter "passado batido" por esse extraordinário artigo publicado em 27-01-2017 pelo Jornal "O Globo"

Antes, a passagem que Pedro Malan resgata são os 2 parágrafos abaixo:

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“Da Colônia à República, é com o governo que quase sempre foram feitos os melhores negócios. Não é de hoje que boa parte da elite vem sendo formada na crença de que o segredo da prosperidade é estabelecer sólidas relações com o Estado. Vender para o Estado, comprar do Estado, financiar o Estado, ser financiado pelo Estado, apropriar-se de patrimônio do Estado, receber doações do Estado, transferir passivos para o Estado, repassar riscos para o Estado e conseguir favores do Estado.

A natureza dos favores variou no tempo, mas a lógica permaneceu a mesma. Quem não tinha condições de voar tão alto, com frequência sonhava apenas com se tornar empregado do Estado e, especialmente, aposentado do Estado”.

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http://oglobo.globo.com/opiniao/a-conta-da-pilhagem-do-estado-20831867

27/01/2017 0:00
A conta da pilhagem do Estado

Houve muito mais que propinas e preços abusivos. Projetos não faziam sentido ou tinham escala maior do que seria razoável

O ano de 2017 não promete ser fácil. Entre outras razões, porque será o ano em que o país, afinal, terá de começar a enfrentar o penoso ajuste que, aos poucos, lhe permitirá superar a gigantesca crise fiscal em que foi metido.

Já não há mais espaço para autoengano. Irresponsabilidade fiscal deixou de ser um conceito abstrato. Suas consequências afloram agora com dramática concretude, num quadro sinistro de folhas de pagamento impagáveis, serviços essenciais suspensos e órgãos do governo paralisados.

Em boa medida, a falência das finanças públicas, nos três níveis de governo, decorre de um processo de pilhagem sistemática do Estado, agravado, desde meados da década passada, pela restauração do nacional-desenvolvimentismo, fundado na crença equivocada de que o Estado é a grande fonte de riqueza com que conta a economia brasileira.

Como escrevi em artigo no “Estado de S.Paulo” há 13 anos — “Balcão de negócios”, 7/5/2004 — essa noção atávica, tão arraigada no PT, na verdade, perpassa todo o espectro partidário e tem raízes profundas na história do país.

“Da Colônia à República, é com o governo que quase sempre foram feitos os melhores negócios. Não é de hoje que boa parte da elite vem sendo formada na crença de que o segredo da prosperidade é estabelecer sólidas relações com o Estado. Vender para o Estado, comprar do Estado, financiar o Estado, ser financiado pelo Estado, apropriar-se de patrimônio do Estado, receber doações do Estado, transferir passivos para o Estado, repassar riscos para o Estado e conseguir favores do Estado.

A natureza dos favores variou no tempo, mas a lógica permaneceu a mesma. Quem não tinha condições de voar tão alto, com frequência sonhava apenas com se tornar empregado do Estado e, especialmente, aposentado do Estado”.

Como já se temia em 2004, a restauração nacional-desenvolvimentista abriu caminho para um novo surto de pilhagem do Estado de proporções assustadoras. Hoje se sabe que a pilhagem envolveu todos os grandes programas de investimento do setor público federal. Da Petrobras às usinas hidrelétricas do sul da Amazônia, da construção de estradas à Eletronuclear. E também boa parte dos programas de investimento dos governos subnacionais. Houve muito mais do que propinas e preços abusivos. Com frequência os projetos não faziam sentido ou tinham escala muito maior do que seria razoável.

Tudo regado a dinheiro farto e subsidiado do BNDES, bancado por centenas de bilhões de reais do Tesouro, provenientes de emissão de dívida pública. Desse faustoso orçamento paralelo montado no BNDES, beneficiaram-se também campeões nacionais de todos os naipes, boa parte deles agraciados ainda com outras benesses despropositadas, como as da tresloucada política de conteúdo local.

Mas a combinação de pilhagem com irresponsabilidade fiscal não parou por aí. Envolveu muito mais. Da custosa e mal concebida política de desoneração de folhas de pagamento, conduzida ao sabor da grita de cada setor, à concessão de garantias do Tesouro a empréstimos tomados por governos subnacionais que sabidamente não tinham como repagá-los.

O mais grave, contudo, foi a gestão ruinosa e populista da Previdência Social, marcada, de um lado, pela insistência inconsequente na sobreindexação de grande parte dos benefícios e, de outro, pela teimosa recusa a reconhecer que as regras de acesso aos benefícios haviam se tornado insustentáveis.

Constato agora, quando a conta de tantos desmandos chegou, que os dois parágrafos finais do meu artigo de 2004 mostraram-se tristemente premonitórios.

“Para grande satisfação de certas alas do governo, o nacional-desenvolvimentismo redivivo parece a cada dia mais próximo. Está sendo aberto novo ciclo de grandes negócios com o Estado. No setor privado, os parceiros de sempre não escondem seu entusiasmo. O PMDB se abanca. Preparem-se.

Mas Lula tem razão. Talvez seja hora de indagar como é mesmo que tudo isso pode beneficiar os ‘credores de baixo’. O mais provável é que, mais uma vez, só sejam convocados para pagar a conta”.

Rogério Furquim Werneck é economista e professor da PUC-Rio