segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

"‘Vejo, no mínimo, mais dois anos de reestruturações', diz Ricardo K.", por Jornal "O Estado de São Paulo"

Boa entrevista de Ricardo Knoepfelmacher ao Jornal "O Estado de São Paulo" de hoje, 02-01-2017

Abaixo, parte dela.

Aqui, toda a entrevista : http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,vejo-no-minimo-mais-dois-anos-de-reestruturacoes,10000097571


‘Vejo, no mínimo, mais dois anos de reestruturações', diz Ricardo K.

Das médias e grandes empresas brasileiras, 60% não conseguem pagar o juro das dívidas, diz o reestruturador

Mônica Scaramuzzo

02 Janeiro 2017 | 05h00

Um dos maiores reestruturadores de empresas do País, Ricardo Knoepfelmacher, conhecido com Ricardo K., vê 2017 ainda muito sombrio para muitas companhias. À frente de grandes reestruturações, como a do Grupo X, do empresário Eike Batista, e atualmente a de grupos como PDG, Bombril e Estaleiro Enseada, K. diz que o pior ainda não passou. 
Segundo ele, das 800 médias e grandes empresas brasileiras, cerca de 60% não conseguem pagar o juro de suas dívidas com a atual geração de caixa. 

Leia abaixo os principais trechos da entrevista. 

A crise golpeou grandes grupos em 2016, muitos deles estão em reestruturação e outros entraram em recuperação judicial.

O ano de 2016 foi de muita turbulência política e insegurança. Também foi de quase um colapso de toda parte de infraestrutura do Brasil porque praticamente todas as empresas do setor foram alcançadas pela Operação Lava Jato. Isso criou um apagão. Muitas estavam alavancadas, sem capital próprio. Esse cenário persistirá no primeiro semestre de 2017. Acredito que a recuperação da economia tem de passar pelas obras necessárias de infraestrutura, como água, esgoto, portos e aeroportos, que precisam de investimentos.

O sr. acredita que a Lava Jato agravará mais a crise?

A Lava Jato mostra que tem fôlego e ainda vai ser um processo longo (com novas delações). Esse momento de transição traz impactos, sob o ponto de vista do investidor internacional. Por outro lado, acredito que muita coisa vá melhorar. Acho que vai abrir espaço para empresas médias que não estão contaminadas (pelas investigações) para que consigam entrar em grandes obras.

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Muitas empresas ainda serão reestruturadas em 2017?

Sim. O problema hoje é que, se pegar as 800 médias e grandes empresas brasileiras, cerca de 60% delas não conseguem, com sua geração de caixa, pagar o juro de sua dívida. Em nossos estudos setoriais continuamos vendo fragilidade nos setores sucroalcooleiro, varejo, aéreo, imobiliário. São pelo menos mais dois anos de problemas para alguns setores.

Muitas delas vão entrar em recuperação judicial?

Não precisará na maior parte dos casos. Uma recuperação só funciona bem quando é usada como método de proteção contra um credor descontrolado, que ameaça executar uma empresa que pode colapsar. Já a recuperação como instrumento protelatório, somos contra. Acho que, em alguns casos, os empresários esperam demais para pedir ajuda. 

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Então, a crise ainda perdura?

Nos próximos dois a três anos, as empresas vão se manter endividadas. Há empresas que estão boas e saudáveis, mas que têm problema de balanço, de estrutura de capital, reduzir o endividamento. 

O pior já passou?

Depende. Do ponto de vista dos grandes casos emblemáticos – Grupo X, Odebrecht, Oi – as questões já estão postas. Em termos de volume financeiro, de casos grandes, o pior já passou. Mas todos achavam que iria ter uma recuperação mais rápida (da recessão). Mas a crise política trouxe um grau de incerteza que travou investimentos. Também vejo, no mínimo, mais dois anos de reestruturação de dívida. Há uma miríade de casos, de médias e grandes reestruturações de dívidas, entre R$ 2 bilhões a R$ 10 bilhões, que vão aparecer ao longo de 2017. Nesses casos, o pior ainda não passou