segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

"Para reestruturar dívida, Leader pede recuperação extrajudicial", por Jornal "Estado de Minas"

Matéria parcial abaixo. crédito Jornal "Estado de Minas",

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Para reestruturar dívida, Leader pede recuperação extrajudicial

 postado em 31/12/2016 08:55
Agência Estado

São Paulo, 31 - Com apoio da maior parte de seus fornecedores, a rede varejista Leader espera concluir mais um capítulo de sua reestruturação. A companhia carioca pediu ontem a homologação de Recuperação Extrajudicial na Justiça do Rio de Janeiro. A decisão foi tomada após extensa negociação com essa classe de credores - em reuniões presenciais e individuais - o que garantiu que a companhia firmasse acordo com cerca de 75% do volume total dos débitos, acima do mínimo exigido para dar entrada ao processo.

Para o presidente da rede varejista, André Peixoto, o pedido marca a "virada de página da empresa". "Tivemos em 2016 um ano turbulento. Desde agosto estamos trabalhando no equacionamento da dívida da empresa", afirma, em entrevista ao


 Peixoto é sócio de Fábio Carvalho, conhecido em outros processos de reestruturação de empresas, como o da Casa & Vídeo. Com dívidas que superariam a marca de R$ 1 bilhão, a Leader, que era um dos investimentos problemáticos do BTG Pactual, foi vendida em abril deste ano e o negócio foi aprovado no Conselho de Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no fim de julho. A venda da varejista, afundada em dívidas, chamou atenção ao ser feita pelo valor simbólico de R$ 1.

Peixoto explica que a estratégia foi iniciar todo o trâmite sentando com cada um dos fornecedores para apresentar e debater o plano. "Percebemos que havia abertura para as negociações com os credores. Não houve discriminação dos valores das dívidas", diz o executivo.

Com as conversas travadas, a Leader conseguiu, além da anuência ao plano por grande parte dos fornecedores, recompor seu estoque e se preparar para o Natal, data preciosa para o varejo. "As negociações permitiram aproximação com os fornecedores. Estávamos com dificuldade de abastecer e entramos em dezembro com a empresa muito mais redonda", afirma o presidente da rede.

O plano de recuperação extrajudicial tem a adesão de mais de 170 fornecedores, somando uma dívida de R$ 220 milhões. Os termos previstos no acordo preveem pagamentos em 84 parcelas mensais, sem descontos.

As dívidas bancárias, que têm garantias, estão de fora desse processo e sendo negociadas bilateralmente. Grande parte dos acordos com esses credores já foi fechada e há apenas mais dois bancos para concluir as negociações, conta Peixoto.
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Sem traumas

Apesar de uma recuperação judicial ter sido uma possibilidade real para a Leader desde o começo da crise financeira vivida pela empresa, a nova gestão, que assumiu a companhia em agosto, trabalhou para evitar essa alternativa, que só seria utilizada em última hipótese. Segundo o presidente da Leader, o processo de recuperação judicial traria abalos reputacionais. "Isso seria desastroso para o abastecimento da empresa", explicou. Esse caminho afetaria negativamente ainda o crédito futuro para a empresa, além de ser mais custoso, conclui.

O plano que alonga o pagamento das dívidas para sete anos tem um viés conservador, pondera Peixoto. Evidência disso, aponta, é a projeção para crescimento em 2017, de 0% em relação a 2015. "Estamos muito otimistas. A maior ameaça é o Brasil não engrenar", diz.

A despeito da entrada do pedido, estão descartados novos ajustes na rede, que já está mais enxuta. Neste ano, o corte de custos foi da ordem de 40%, sendo que nesse movimento 40 lojas fecharam as portas. Hoje, a rede tem 128 lojas e mais de quatro mil funcionários.

Os números fechados de 2016 devem ficar no vermelho, desempenho influenciado ainda pelo custos de desligamentos, por exemplo, mas o lucro já apareceu nos dois últimos meses do ano no azul, revela o presidente da companhia. "Em 2017, os números serão bons e com geração de caixa. Vimos que a empresa tem muita capacidade de reagir a estímulos."

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Uma das atenções, afirma Peixoto, será na Seller, rede que foi comprada pela Leader em 2013, que atua no interior de São Paulo, como em Campinas, e possui lojas ainda em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Um dos focos será adequar o sortimento da loja ao seu público. Já a bandeira Leader tem atuação no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte e Sergipe.

As informações são do jornal

O Estado de S. Paulo.