sábado, 7 de janeiro de 2017

"‘Brasil não pode se dar ao luxo de perder mais um ano", por Claudio Irigoyen, chefe para América Latina do Bank of America Merrill Lynch, em entrevista no Jornal "O Estado de São Paulo"

Abaixo, trechos da entrevista de Claudio Irigoyen, chefe para América Latina do Bank of America Merrill Lynch, publicada hoje no Jornal "O Estado de São Paulo"

Todo o texto aqui: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-nao-pode-se-dar-ao-luxo-de-perder-mais-um-ano,10000098665


ENTREVISTA: Claudio Irigoyen, chefe para América Latina do Bank of America Merrill Lynch

‘Brasil não pode se dar ao luxo de perder mais um ano’

Para executivo, País deve fazer segunda onda de reformas para facilitar investimentos, e América Latina terá ano desafiador
       
Douglas Gavras

07 Janeiro 2017 | 05h00

O Brasil tem grande potencial para atrair investimentos estrangeiros neste ano, sobretudo em setores como aeroportos, portos e estradas, avalia o chefe de Economia e Estratégia para América Latina do Bank of America Merrill Lynch, Claudio Irigoyen. Na visão do economista argentino, como o crescimento do País não poderá se embasar mais na alta do consumo, é desses aportes que o País mais precisa.

Ele diz confiar na equipe econômica e que as medidas de reajustes propostas são necessárias, mas ainda será preciso uma segunda onda de reformas, para facilitar a abertura de empresas e simplificar a área fiscal, para atrair investidores. Para a América Latina, o executivo avalia que será um ano desafiador, sobretudo para a economia mexicana, após o início do mandato de Donald Trump, no próximo dia 20, mas que os países da região devem aproveitar o momento de mudanças no comércio exterior para se posicionarem como portos seguros para receber recursos. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Estado.

A crise econômica, que ainda deverá comprometer 2017, e as denúncias de corrupção envolvendo grandes empresas afetam a disposição de grupos estrangeiros virem investir no Brasil?

Há um profundo interesse, por parte dos investidores estrangeiros, na compra de ativos do País, que ficaram baratos com a crise. O que ocorre, no entanto, é que um dos principais entraves para investimentos no Brasil ainda é o alto grau de insegurança que os empresários de fora têm em alguns setores-chave para a economia brasileira, sobretudo os mais envolvidos em escândalos de corrupção.

Quais seriam as consequências de mais um ano perdido?

O Brasil não pode se dar ao luxo de perder mais um ano. Os últimos anos foram muito difíceis, de desindustrialização, recessão, queda no consumo. O País precisa avançar logo nas reformas. O cenário não é nada fácil, mas o País superou alguns problemas de crises passadas, como a inflação, hoje controlada. Estou certo de que o Brasil tem hoje a melhor equipe gerindo a economia. O risco será maior, caso o governo não consiga avançar nas importantes reformas que estão postas na mesa atualmente, como a trabalhista e a previdenciária, e se o País não se dispuser também a promover reformas que modernizem o fiscal.

Quais setores deverão se destacar agora e nos próximos anos?

Há, sem dúvida, uma grande atração por companhias de infraestrutura, sobretudo nas áreas de portos, aeroportos, estradas. A questão que passa pela cabeça do investidor é o quão seguro é entrar em determinados negócios. O sucesso nos investimentos vai depender diretamente da sinalização de que as instituições brasileiras estão funcionando.

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O Brasil pode se destacar entre os latinos como um grande catalisador de investimentos?

O Brasil está melhorando, mas ainda é visto como um lugar difícil para se investir – e tenderá a continuar assim, sem uma reforma tributária e a implementação de políticas que facilitem a atração de negócios e abertura de empresas. Na América Latina, eu destacaria o bom momento da economia peruana. O país tem conseguido crescer com constância e tem criado um ambiente de negócio seguro para os investidores estrangeiros, deve ganhar um papel de maior importância na região pelos próximos anos. A Argentina talvez tenha hoje as melhores oportunidades de compra de empresas, em setores de grande relevância, como o de energia, deverá continuar se reorganizando sob o jeito de fazer política de Mauricio Macri.