sábado, 3 de dezembro de 2016

Um outsider é alternativa para o Brasil ? Acho que não

Não quero falar sobre o PIB do terceiro trimestre anunciado essa semana.
Não quero falar sobre os rumos do Bovespa ou do Dow Jones para os próximos dias ou semanas.
Não quero falar sobre as novas operações e etapas envolvendo a "Lava Jato"

Falemos do Brasil de hoje....ou o Brasil dos dos próximos meses....

Eu não sei como vocês leitores o enxergam; mas falta "algo"

Claro.....talvez "menos corrupção"..."menos caixa 2".....menos "medidas e votações pirotécnicas" no Congresso Nacional.....

Tenho uma sensação de "dejá vu".......

Depois do Impeachment de Dilma Rousseff, uma "boa ação" aqui, outra ali.....uma boa decisão aqui, outra ali......uma boa sinalização aqui, outra ali.....

Mas, parece que o motor "engasga"......e "não vai"....

E, por que "não vai" ? Não sei.....

Aliás......sei........quer dizer.....talvez saiba.....ou melhor.....expliquemos um pouco mais...

No final dos anos 80, "Pós-Ditadura", tudo ou quase tudo estava "fora do lugar" no Brasil.....hiperinflação, desperdício público, caos nas Finanças Públicas, endividamento externo, e um país à deriva, sem líderes e ainda machucado por um regime que não dava muita margem a "gritos de liberdade".

Todo esse "caldo" produziu anomalias, desde Planos Econômicos que se resumiam a, essencialmente, congelamentos de salários e preços, assim como "cortes de zero" nas moedas vigentes, até líderes aos quais chamamos comumente de "outsider"

Sim......Fernando Collor de Mello era um outsider...

Em 1989, na Primeira Eleição Presidencial depois da Ditadura Militar, Collor "criou" um partido político pra se candidatar a "Presidente", falava como "um não-político" e não dialogava nem com a "direita" nem com a "esquerda"

E, assim, ganhou......ganhou pra se tornar um ator político onipresente e onisciente.

Deu no que deu......um Impeachment

O caldo produzido por 13 anos do Governo do PT talvez tenha criado um cenário mais grave do que vimos no final dos anos 80......

A inflação não virou hiperinflação ? Sim....não virou.....mas o "quadro menos grave" da Inflação não retira a sensação de caos em que foi jogado o país, sob vários aspectos e variáveis.

Por incrível que pareça, o provérbio aqui não se aplica; as coisas podem ficar piores sim, tanto se compararmos com os anos 80, como se olharmos 12-24 meses adiante.....Sim.....o caos em que foi jogado o país pode ainda piorar.

Agora, a pergunta....

Teremos um novo outsider como protagonista da cena política em 2017-2018, às vésperas das eleições de 2018 ?

Talvez......

O cenário mais provável é que tenhamos um outsider com chances de vencer a disputa 

Um "Novo Trump" ?

Aqui, paramos para refletir no "significado" do conceito, reflexão essa que sustentará todo o raciocínio.

Trump não foi exatamente um outsider. Talvez apenas um "não político" que gosta de ter uma "visão menos política" das coisas.

Mas Trump estava dentro de um dos maiores partidos americanos, o Republicano; com todo seu apoio logístico, assim como dentro do seu perfil econômico-político. Portanto, não sei se podemos conceituá-lo como um "outsider"

Alguns mais "afoitos" talvez nos remetam para a vitória de João Doria para Prefeitura de São Paulo.

Não.....mais uma vez, Doria é um "não-político", mas pertence ao PSDB, um dos maiores partidos do Brasil, e foi eleito por e pela sua estrutura partidária, amparado por um de seus 3 maiores representantes, o Governador de SP, Geraldo Alckmin.

Assim, Doria também não pode ser considerado um "outsider"

O "outsider legítimo" cai de "para-quedas", sem compromisso com partidos políticos, tende a ações exageradas, "ações-limite", autoritárias.

Não sei se isso é bom ou ruim; mas acho que cabe o conceito

Não sei se é o melhor para o Brasil

Talvez o Brasil precise de um líder, que saiba ter idéias ousadas, montar equipes, quebrar paradigmas, conversar, dialogar, se expressar, para, através delas, desatar várias amarras que insistem envolver o Brasil, seja a quem doer,

O Brasil em 1994 não precisou de um "outsider" para dar início a uma virada que parecia promissora e duradoura.

Não acho que precise agora