domingo, 4 de dezembro de 2016

O leitor do blog, Izner Garcia, do site "negociosnouruguai.com", me envia um excelente "texto-desabafo" que publico agora....""Amanhã cedo o Brasil acorda e todos os políticos são honestos e somente trabalham em busca do bem público. Neste maravilhoso cenário de Pollyanna, qual o Brasil que nos apresenta?""

O leitor do blog,  Izner Garcia, do site "negociosnouruguai.com", me enviou um email com algumas considerações.

Nelas, havia uma reflexão, um texto que nos fazia refletir sobre o Brasil de hoje.

Talvez uma reflexão, um desabafo, enfim. Em 2 ou 3 frases, há uma espécie de diálogo com a minha pessoa em face de alguns dos meus textos. Optei por mantê-las

Cabe a vocês a conclusão.

Publico agora, com sua autorização, por se tratar de um texto que vale a pena ser "pensado", discutido, compartilhado

O título do texto é o começo de sua reflexão.

Assim, vamos a ele:


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"Amanhã cedo o Brasil acorda e todos os políticos são honestos e somente trabalham em busca do bem público.
Neste maravilhoso cenário de Pollyanna, qual o Brasil que nos apresenta?"

§  A rentabilidade de nossa hora/trabalho continuará sendo muito aquém dos demais países
§  Nossa educação funcional permanecerá atrasada e também aquém das necessidades de um mundo complexo
§  Nossa infraestrutura continuará carente
§  Nossa estrutura legal (principalmente relações de trabalho e tributária) continuará como um entrave ao crescimento
§  Nossa poupança para investimento continuará aquém do necessário
§  Nossas ‘garantias fundamentais de direitos do cidadão’ continuarão além das possibilidades de nossa economia
§  A inovação tecnológica continuará praticamente inexistente
§  A economia de famílias e empresas continuará altamente endividada
§  Nossos ativos continuarão altamente ‘inflados’
§  Nosso câmbio continuará com um atraso a ser corrigido
§  Nossa participação no comércio mundial continuará sendo somente em produtos primários
§  Etc

Percebe o que quero dizer?

Ninguém tem coragem de dizer que o Brasil é POBRE e INEFICIENTE.
Como em um mundo globalizado, aonde o que se produz na China (aonde não há nenhuma garantia cidadã à sua população) se vende no Brasil, podemos no inserir querendo garantir direitos de 1º mundo com uma receita e eficiência de 3º?
Algumas aberrações que não nos damos conta: por que garantias e privilégios (salários mais altos, estabilidade vitalícia, etc.) ao ‘funcionalismo público’? Qual a diferença de um trabalhador que presta serviço ao governo daquele que presta serviço ao ente privado?
Como podemos garantir os “direitos fundamentais” que estão expressos na Constituição se não geramos receita para tanto?
Com isso não estou querendo dizer que sou contra à dignidade cidadã. Mas, enfim, como pagar esta dignidade?
Do lado privado como podemos ter uma classe média almejando consumo se não produz?
Você várias vezes alertou para a loucura da “bolha imobiliária”. A classe média, embasbacada com o crédito farto dos ‘bons anos PT’, simplesmente perdeu a noção da realidade, pagando o metro quadrado mais caro que em Miami. Como pode isso? Que economia que ‘fecha’ assim?

Acho que estamos em uma enrascada muito grande.
Não sei se é uma crise ou se estamos de fato descendo um degrau.
Faço-lhe uma última reflexão: a Argentina.

Los Hermanos Noestros foram um país que, na primeira metade do século XX, chegaram a ter índices de desenvolvimento de 1º mundo.  Estão “inflados” até hoje, coitados. 
Depois de 1950, com Perón e uma série de governos, a Argentina foi decrescendo e hoje é um país de 3º mundo latino-americano.
Note: a Argentina não sofreu uma “crise financeira” mas sim um queda de patamar.

Acho que o Brasil, hoje, está sofrendo a mesma situação. Acho que o Brasil está ‘caíndo de patamar’ sócio-econômico e que o país que emergirá, em anos, será um país mais próximo da Índia do que da Bélgica. 

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