quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

"Banco central americano sobe taxa de juros pela 2ª vez em dez anos", por Jornal "Folha de São Paulo"

Notícia do final do dia de ontem....

A "tão aguardada" decisão do FED.....

Crédito "Folha de São Paulo"

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/12/1841408-banco-central-americano-sobe-taxa-de-juros-pela-2-vez-em-dez-anos.shtml

Banco central americano sobe taxa de juros pela 2ª vez em dez anos

ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
DE NOVA YORK

14/12/2016  17h18 - Atualizado às 20h49

O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) subiu sua taxa básica de juros nesta quarta-feira (14), apenas a segunda alta em dez anos —a outra foi em dezembro de 2015.

A taxa –equivalente à Selic brasileira e referência para a remuneração dos títulos públicos dos EUA– pulou da banda de 0,25% a 0,5% para 0,5% a 0,75%.

Já se esperava esse desfecho da última reunião de 2016 do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). Há meses o grupo sinaliza que a economia doméstica está preparada para aguentar a subida, com inflação abaixo dos 2% e o menor índice de desemprego em nove anos —4,6% em novembro, contra 10% em outubro de 2009 (o pior desempenho desde 2006).

"O ganho de empregos tem sido sólido nos meses recentes, a taxa de desemprego declinou", diz comunicado do Fed.

O que mais intrigava o mercado sobre este encontro: que pistas os conselheiros do Fomc, entre eles a presidente do Fed, Janet Yellen, deixariam sobre futuras ações da instituição.

Quando o grupo se reunir novamente, nos dias 26 e 27 de janeiro, a Casa Branca já vai ter mudado de guarda, de Barack Obama para Donald Trump.

O presidente eleito, que governará ao lado de um Congresso controlado por seu partido, o Republicano, promete incentivar o mercado com corte de impostos e um pacote bilionário para a infraestrutura.

Se o Fed manteve juros baixos por uma década, foi para encorajar gastos num momento em que o país atravessava sua pior recessão desde a Grande Depressão de 1929.

Com a expectativa de um mercado estimulado na gestão Trump, é o contrário: a economia corre o risco de superaquecer. Especialistas, portanto, apostavam numa escalada dos juros mais agressiva daqui em diante.

O Fed projetou mais três altas em 2017. A postura, contudo, foi de cautela, sinal de que os conselheiros preferem esperar para ver no que vai dar a nova administração.

"Estamos operando sob uma nuvem de incerteza no momento", reconheceu Yellen.

A expectativa pela progressão dos juros é um cenário oposto ao dos dias seguintes à vitória do empresário, quando os mercados caíram com força.

A maioria dos investidores preferia a democrata Hillary Clinton, vista como mais previsível tanto no campo doméstico quanto no internacional. A tesourada de tributos que Trump prometia era recebida com cautela, pelo risco de impulsionar o déficit orçamentário nacional.

"Aumentam as chances de que o Fed não aja em dezembro", previu um dia após à eleição o economista-chefe da Moody's Analytics, Marz Zandi.

Depois do susto inicial, contudo, o mercado está mais otimista com as políticas econômicas defendidas por Trump.

A vitória do republicano também lança dúvidas sobre o futuro de Yellen no Fed. Na campanha, ele acusou a instituição de manter a taxa de juros baixa, mantendo uma "muito falsa economia" por motivos políticos (ajudar o democrata Barack Obama, que a indicou para o cargo em 2013).

Na prática, para o americano médio, o aumento de juros vai encarecer preços imobiliários, linhas de crédito e financiamento de automóveis.

O Fed tem autonomia para formular a política monetária dos EUA, sem prestar contas à Casa Branca. Mas, a cada quatro anos, a presidência do banco central mais poderoso do mundo é indicada pelo chefe do Executivo.

O mandato de Yellen vai até janeiro de 2018. Analistas especulam se a presidente não renunciaria antes disso. "Não tenho intenção de ir embora antes do fim do meu mandato de quatro anos", afirmou. "Ainda não fiz nenhuma decisão sobre meu futuro. Reconheço que posso ou não ser reconduzida [ao cargo]. É uma decisão que eu não preciso tomar nem pensar nela agora."

Diplomática, Yellen dispensou várias deixas para criticar planos econômicos do presidente eleito. Não deixou, contudo, de defender a independência do Fed ("sou uma forte crédula nela") e o projeto regulatório pós-crise.

Trump já falou em revogar a Lei Dodd-Frank, que desde 2010 submete o mercado financeiro a uma série de regulações, na esteira do derretimento econômico do país.

"Sinto que atravessamos uma crise financeira devastadora, um grande golpe na nossa economia. A maioria dos congressistas e o público saíram dessa experiência acreditando que era importante tomar alguns passos que resultariam num sistema financeiro mais forte e seguro", disse a presidente do Fed.

Yellen foi questionada sobre as lições aprendidas com a eleição de Trump, que contrariou a maioria das pesquisas e mostrou o quão insatisfeita uma parcela da população americana estava com os rumos do país.

Disse estar "há muito tempo ciente" de tendências econômicas que alimentam o descontentamento popular, como desigualdade salarial e de renda. "Essas são preocupações de longo prazo, e não um novo fenômeno."

Ela ressaltou que a automatização do parque industrial como crucial para a perda de empregos no setor, um dos fatores considerados de peso para a vitória de Trump em Estados dependentes da indústria pesada. O presidente eleito investe na ideia de que acordos comercias com outros países e mão de obra imigrante drenaram postos de trabalho para americanos.

BRASIL

Para o Brasil, juros americanos mais robustos podem ser ruim para os negócios –a tendência é que o capital antes investido em países emergentes volte para EUA, que recuperou a boa forma após a crise dos 2000. Uma das reações é a valorização do dólar