sábado, 5 de novembro de 2016

"O Rio de hoje pode ser o Brasil de amanhã", por Fábio Klein, no Jornal "O Estado de São Paulo"

Artigo de Fábio Klein, publicado ontem no Jornal "O Estado de São Paulo"

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,o-rio-de-hoje-pode-ser-o-brasil-de-amanha,10000086517

04 Novembro 2016 | 21h10

O Rio de hoje pode ser o Brasil de amanhã

Sem uma reforma fiscal estadual capaz de equacionar o crescimento do gasto com ativos e inativos, outros Estados seguirão o mesmo caminho

O Estado do Rio vive uma crise fiscal sem precedentes. Os primeiros sinais de penúria surgiram em meados do ano, quando o governo passou a apresentar problemas na prestação de serviços de saúde, atrasar o pagamento de salários e não repassar aos bancos os descontos relacionados aos créditos consignados de seus funcionários. O duro pacote de ajuste fiscal anunciado nesta sexta-feira, 4, tenta minimizar o déficit crônico e crescente. Mas, apesar de suas particularidades, o Rio não é um problema isolado. Há alguns meses, ouvi do então Secretário da Fazenda do Estado, Júlio Bueno, a seguinte frase: “O maior problema fiscal do Rio hoje é a Previdência. Trata-se de uma bomba-relógio”.
De fato, 9,9% da população do Estado tem mais de 65 anos, mais que a média nacional de 7,9%, e continuará crescendo em função da mudança demográfica. Boa parte desses aposentados é relacionada ao funcionalismo público: em 2015, o pagamento a inativos e pensionistas consumiu 20% das despesas totais do Rio. Em 2012, era de apenas 13%.
Bombas como a do Rio estão prestes a se repetir em outros Estados. O Rio Grande do Sul, por exemplo, tem uma população idosa de 11% do total, e o governo aloca 28% das suas despesas primárias para pagar inativos e pensionistas. Sem uma reforma fiscal estadual capaz de equacionar o crescimento do gasto com ativos e inativos, outros Estados seguirão o mesmo caminho.

ESPECIALISTA EM CONTAS PÚBLICAS DA TENDÊNCIAS