sábado, 5 de novembro de 2016

"Cenário grego", por Alvaro Gribel, na coluna de Miriam Leitão, no Jornal "O Globo"

Artigo de Alvaro Gribel, publicado hoje na coluna de Miriam Leitão, no Jornal "O Globo". A jornalista, segundo nota destacada na coluna, está de férias

http://blogs.oglobo.globo.com/miriam-leitao/post/cenario-grego.html

COLUNA NO GLOBO

Cenário grego
POR ALVARO GRIBEL05/11/2016 08:05

(*) O pacote anunciado pelo governo do Rio lembra as medidas implementadas pelos gregos no auge da crise fiscal europeia: congelamento de salários, corte em programas sociais, aumento de impostos e de contribuições de ativos e inativos. Esse é o cenário que o Governo Federal tenta evitar no país com a PEC do teto de gastos e a reforma da Previdência. O Rio demorou a agir e agora sofre um impacto mais forte.

As finanças do estado padeceram de vários males ao mesmo tempo, explica o economista Fábio Klein, da Tendências Consultoria. Houve crescimento desordenado de gastos, muitos deles com maquiagens fiscais; queda de receitas pela redução dos preços do petróleo; crise na Petrobras e nas grandes empreiteiras por causa da corrupção revelada pela Lava-Jato. A recessão derrubou a arrecadação e houve menos repasses do Governo Federal.

— Os Jogos Olímpicos também demandaram mais gastos e investimentos e houve antecipação de receitas com royalties que foram usadas para pagar inativos. Foi uma combinação de fatores para se chegar a uma situação tão crítica — afirmou Klein.

A dívida líquida chegou a 198% da receita corrente líquida, no limite do que é permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O governo está superendividado. Além disso, as contas anuais estão no vermelho desde 2013, mesmo sem considerar as despesas financeiras. O estado teve déficit primário de R$ 1 bilhão há três anos e o número saltou para R$ 3,5 bilhões no ano passado. As despesas com pessoal cresceram 52% em termos nominais entre 2012 e 2015. Já os gastos com inativos e pensionistas subiram 100% no mesmo período, de R$ 5,2 bilhões para R$ 10,8 bi (veja a tabela).

A grande dificuldade do governo será aprovar medidas duras e impopulares a toque de caixa na Assembleia Legislativa. O corte de 30% nos rendimentos dos servidores terá enorme resistência, e o aumento de impostos pode agravar a recessão e não ter o efeito que se espera na arrecadação. O PMDB do Rio deixou a crise chegar ao limite antes de começar a agir. É o erro que precisa ser evitado na esfera federal.

(*Míriam Leitão está de férias)