sábado, 29 de outubro de 2016

Nada como um dia após o outro.....antes, 1 analista em 100 dizia que a economia não iria reagir tão cedo....agora......começou a virar todo mundo....

Nada como um dia após o outro.....antes, 1 analista em 100 dizia que a economia não iria reagir tão cedo....agora......começou a virar todo mundo....

Uma enxurrada de analistas começa a "mudar de lado"

Agora, a economia só volta a melhorar em 2017.....

É......pode ser, né ?

2017.....2018.....2019......2020


Vejam a matéria abaixo da Revista Época publicada no meio da semana, dia 26-10

http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2016/10/retomada-da-economia-ainda-esta-distante.html

A retomada da economia ainda está distante

A fraqueza de setores produtivos e do mercado de trabalho indica que a “hora da virada” foi adiada e só deverá vir em 2017

LUIS LIMA
26/10/2016 - 08h00 - Atualizado 26/10/2016 13h52

A aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, em agosto, trouxe calma e otimismo aos mercados. Após meses de incerteza, a confiança em relação ao futuro da economia aumentou, em sintonia com o arrefecimento da crise política. No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) do país teve queda de 0,6%, mas houve boas notícias. As principais foram a recuperação da indústria, que vinha recuando havia cinco trimestres, e a do investimento, que caíra por dez períodos seguidos. Na esteira dos sinais animadores, analistas cogitaram que o ponto de virada da economia poderia acontecer no terceiro trimestre.

Hoje, a percepção mudou. O ânimo arrefeceu e a previsão de recuperação está sendo adiada. As expectativas de melhoria não estavam ancoradas no dia a  dia da economia. “Não conheço momentos no passado em que todos os dados de expectativa haviam crescido tanto sem haver uma repercussão real na atividade”, diz Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados. A consultoria agora espera uma recuperação da atividade apenas em 2017, na mesma linha de outras instituições.


Para 2016, o Bradesco prevê retração do PIB de 0,8% no terceiro trimestre e queda de 0,2% entre outubro e dezembro. O Santander espera retração de 0,5% no terceiro trimestre e estabilidade no quarto. “A recuperação da atividade não virá no terceiro trimestre. Projetamos uma queda de 0,4% entre julho e setembro e uma possível recuperação de 0,3% no último trimestre”, diz Luiz Castelli, da GO Associados. Para ele, a recuperação econômica segue em marcha lenta, afetada por fatores como o crédito escasso e a queda da renda do brasileiro.

Em agosto, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, espécie de sinalizador do PIB, intensificou seu ritmo de queda. É um reflexo do mau desempenho da indústria, do comércio e dos serviços, que  amargaram queda na comparação com julho. Os resultados vieram aquém das expectativas do mercado. 

No setor de serviços, o recuo foi o maior registrado num mês de agosto desde 2012. O maior tombo, porém, foi da indústria, que registrou a maior retração desde janeiro de 2012. A queda, avaliada como pontual, foi provocada pela paralisação da produção de carros em São Paulo e anulou os ganhos do setor registrados nos cinco meses anteriores. A produção de veículos deverá voltar a subir ao longo do semestre, mas não a ponto de compensar os resultados ruins – num eloquente sinal de que a volta da confiança, às vezes, não é uma garantia da retomada do crescimento.

No mercado de trabalho, os números também são igualmente decepcionantes. Entre junho e agosto, a taxa de desemprego subiu de 11,6% para 11,8%. No total, já são 12 milhões de desocupados no país. Sem emprego, a demanda do consumidor por crédito está paralisada em relação ao ano passado. A demanda por parte das empresas acumula queda de 1,4% na mesma base de comparação. Esses indicadores projetam mais números negativos para os setores de serviços e comércio nos próximos meses.

Nesse cenário de terra arrasada, a reativação da economia está condicionada à queda dos juros. Por isso, na semana passada, o Banco Central (BC) resolveu, por unanimidade, reduzir a Selic, pela primeira vez desde 2012. Na reunião de outubro, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. O avanço do ajuste fiscal no Congresso Nacional e o enfraquecimento da inflação motivaram a decisão. “A aprovação da PEC 241 em primeira votação na Câmara clareou o horizonte dos investidores, aumentou a confiança e abriu caminho para o ciclo de queda da Selic”, diz Mauro Rodrigues, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). A médio prazo, juros menores barateiam o custo do crédito bancário e também da dívida da União e de pessoas físicas. No limite, também deverão estimular o investimento, a geração de empregos e, consequentemente, o crescimento.

A guinada na política monetária está diretamente relacionada à desaceleração da inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,08% em setembro, o menor resultado para o mês desde 1998 (0,22%). Em alimentos e bebidas, grupo com peso significativo no índice, houve deflação. Para ajudar, a Petrobras, na sexta-feira (14), reduziu o preço dos combustíveis, o que pode aliviar a inflação no médio prazo. Nas previsões do mercado, o IPCA deve desacelerar de 7% em 2016 para 5% em 2017.

Para que a recuperação seja estimulada, os economistas esperam que o BC acelere o ciclo de cortes na Selic. Aguarde-se uma possível redução de 0,50 ponto na próxima reunião do Copom, em novembro. Essa decisão está condicionada, sobretudo, ao comportamento dos preços do setor de serviços e à  aprovação da PEC do teto de gastos públicos pelo Senado, que deverá ser votada no dia 29 de novembro. “Veio tarde e tímido [o corte dos juros]. Mas antes tarde do que nunca”, diz o presidente do Conselho Federal de Economia, Júlio Miragaya. Ele considera que, mesmo que o BC acelere o ritmo de cortes na Selic, os efeitos benéficos na aceleração do PIB só serão sentidos em 2017. As decisões do Copom sobre os juros, em geral, começam a surtir efeito depois de seis a nove meses.

A decisão do BC de cortar apenas 0,25 ponto a Selic em outubro foi cautelosa. Dá à autoridade monetária a chance de testar a queda da taxa de juros, com um olho na inflação e outro no crescimento. Essa cautela se deve também às muitas dúvidas que persistem em relação ao ajuste fiscal. Após a aprovação da PEC do teto de gastos, o governo terá de encampar uma batalha ainda mais dura, a da reforma da Previdência. Sem mudanças no sistema previdenciário, a PEC será inócua. Os efeitos colaterais de uma contínua piora no rombo das contas públicas serão o aprofundamento da recessão e a volta de uma inflação crônica, o que pode inviabilizar os planos do BC de reduzir a Selic a 11% até 2017, como projeta o mercado.

Não bastasse todos os indicadores econômicos pouco alvissareiros, a prisão preventiva do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha criou mais uma nuvem negra a pairar sobre o governo Michel Temer. Dependendo do que Cunha vier a falar aos procuradores da Operação Lava Jato, a estabilidade política do governo poderá ficar em risco, com o comprometimento da aprovação no Congresso das reformas em curso. Uma volta aos tempos turbulentos do governo Dilma provocará mais incertezas e desconfianças em relação ao futuro da economia.