sábado, 15 de outubro de 2016

Bolha da China 2015 - Bovespa pode ir aos 69.000-70.000 , pra depois cair 50% ?

Alguém ainda se lembra que o Brasil perdeu o grau de investimento em dezembro-2015 pela Agência de Classificação Fitch, e em fevereiro último pela Móody's ?

Alguém ainda se lembra que a Petrobrás ainda carrega uma dívida bilionária ?

Alguém ainda se lembra que os bancos brasileiros, principalmente os bancos públicos, carregam em suas carteiras de crédito vultosas somas de empréstimos de empresas ligadas a Lava Jato, de empresas ligadas ao setor de Construção Civil, e estão no meio do maior patamar de Recuperações Judiciais de toda a história econômica brasileira ?

Por enquanto, tudo isso foi esquecido nos últimos 8-9 meses.

Pelo menos no mercado financeiro, mais especificamente no Bovespa.

O índice Bovespa saiu de 37.000 pontos e já está em 61.800, pelo fechamento de ontem, sexta-feira, depois de bater a máxima de 62.000.

Não é a primeira vez que valorizações como essas são vistas no Bovespa depois de quedas fortes.

Desde o ínicio da Bovespa, em todos os Bear-Markets, quedas de 80% ou 90% em dólar provocaram, em suas posteriores recuperações, pernas de alta gigantes.

Cada uma dentro de um contexto econômico.

O atual momento é outro.....e põe "outro momento" nisso

Experiências surreais de política monetária de "taxas de juros quase zero eternas" em todo mundo estão em curso, distorcendo várias classes de ativos

Mais....no Brasil, tivemos, e ainda estamos nele, o maior e mais intenso terremoto financeiro de toda sua história econômica. 

2 anos seguidos de queda de PIB em torno de 3,5% (o ano de 2016 ainda por fechar) provam isso, Não há registro em toda a história econômica brasileira, nem mesmo na Crise de 29, tamanha queda do PIB em 2 anos.

Esses 2 componentes é que jogam todos na seguinte dúvida:

A recuperação do Bovespa vale tudo isso ? Até onde podemos ir ?

Tudo isso faz sentido ?

Numa outra direção, alguns dos principais investidores do mundo  estão sendo recorrentemente questionados por insistirem na tese de que o mundo vive uma situação "fora do comum", e de que crashes nas diversas classes de ativos são iminentes.

É claro , em se tratando de mercado financeiro, o "timing" do investidor pode não ser o mesmo do algoritmo, correto ?

Muitos desses investidores sobrepõem dados econômicos pra não justificar o otimismo corrente dos mercados de ações em várias partes do mundo.

Praticamente todo o mundo acionário, segundo esses mesmos investidores,  vive situações esdrúxulas, com correlação de "Ativos-lucros", "Preços de ações e previsões de lucros", avanço dos mercados acionários e tantos outros "fora do lugar"

Bem.....por questões políticas óbvias, o Brasil havia passado longe desse "otimismo mundial" até 6-7-8 meses atrás.

Esqueçam.......havia....

Hoje, o Brasil faz parte desse otimismo....

As questionáveis "correlações" vistas nas empresas lá fora, sejam elas quais forem, "ativos-lucros", "endividamento-previsão de lucros", "preços de ações-lucros",passam a ser vistas aqui também, 

A que mais chama atenção, é a do setor bancário.....

Vamos tangenciá-la......

A próxima reunião do COPOM se aproxima no Brasil....

Deu-se nos últimos dias um frenesi em torno dela como há muito não se via....

Parece reunião do FED....

Há uma forte expectativa de que as taxas de juros começarão a cair....

Nossa !!! Não era pra tempo, correto ?

O que os analistas estão ensaiando ?

9 entre 10 analistas vão dizer, e já estão dizendo, que os bancos vão se beneficiar com a queda, pois o crédito vai crescer...etc...etc....etc......

Como assim ?

Vejam abaixo o gráfico e a evolução da receita com "Títulos e Valores mobiliários" dos bancos "Banco do Brasil" e "Bradesco"  na linha vermelha

No caso do BB, um aumento de 4 vezes....isso mesmo.....300% de 2013 para 2016....
No caso do Bradesco, um aumento de 2 vezes....100% de 2013 para 2016....










"Títulos e Valore Mobiliários" , em sua "boa parte", carregam operações de mercado aberto....operações com títulos públicos, ou seja, operações atreladas a evolução e dinâmica da SELIC

Enquanto o setor bancário no mundo todo "sofria" pra ganhar dinheiro com "taxas de juros quase zero", o setor bancário brasileiro ganhava e ganha muito dinheiro com taxas de juros nas alturas, mesmo com o país em ruínas, o brasileiro perdendo o emprego, e parte considerável da sociedade brasileira  passando fome.

Os quadros acima nos mostram que, diferente do que "promulgam" 9 entre 10 analistas, uma queda na SELIC não beneficia diretamente o setor bancário.

Se a queda da SELIC acelerar nos próximos meses e anos, o setor bancário vai ter que arrumar outro jeito de compensar aquela receita que está nos 2 quadros acima, vista pelo lado do Bradesco e BB

Ahhhhh......mas 9 entre 10 analistas estão falando do benefício indireto......do crédito......

Crédito ? Que crédito ?

Até mesmo o "consignado", os bancos estão cortando...


Bancos já suspendem crédito a aposentados e pensionistas

Com revisão de benefícios pelo INSS, clientes com menos de 60 anos perdem acesso a empréstimo com desconto em folha, que oferece juro menor que outras modalidades

Bancos de médio porte, com forte atuação no empréstimo consignado a aposentados e pensionistas, começaram a suspender o financiamento a clientes com menos de 60 anos que recebem auxílio por invalidez, informa JOÃO SORIMA NETO. Com a revisão prevista de 1,1 milhão de benefícios, quem for considerado apto a voltar ao mercado de trabalho ou faltar à perícia perderá a aposentadoria, segundo o INSS. Como o crédito é descontado da folha de pagamento, as instituições temem aumento da inadimplência. Especialistas avaliam que o movimento é negativo por afetar o acesso a uma modalidade de crédito mais barata do que as outras opções no mercado. (O Globo)

__________________________________


Mais......a parte dos consignados é apenas uma ponta do iceberg....

A Reversão e-ou estabilização no crédito pode ser vista nos 2 gráficos abaixo....

- Evolução da carteira de crédito dos bancos
- Preços dos imóveis no Brasil vistos pelo índice IVG-R , compilado pelo Banco Central do Brasil



Fonte: Banco Central do Brasil



Fonte: Banco Central do Brasil



Os 2 pontos tocados, evolução da SELIC e Crédito no Brasil, sugerem que os bancos enfrentarão nos próximos anos a maior reversão de lucros de toda sua história.

Lembro-me do início do Plano Real, onde discutia-se o novo papel dos bancos no Brasil, já que a hiperinflação seria jogada pra trás, e os  lucros bancários vindos da ciranda financeira desapareceriam juntos.

Banco teria que ganhar dinheiro com crédito, e não com "cirando financeira"

Pois é.....

As coisas não mudaram muito...mudaram um pouco.....

O Crédito veio com uma bolha de crédito moldada pela maior bolha de commodities dos últimos 100 anos somada e jogaada na estratosfera por um governo populista.

O Resultado ? Pilhas e pilhas de crédito duvidosos e perigosos rondando por aí e à espera de uma enxurrada de baixas contábeis.

Ciranda financeira ?

Bem.....acabou a hiperinflação.....mas as altas taxas de juros e spreads altos continuaram....

A evolução atual fantástica do Bovespa tem a ver com os bancos, já que bancos representam o maior peso dentro do Bovespa, os 2 maiores pesos são Itau e Bradesco....

Aqui estamos....

O mundo vive um otimismo desenfreado se olharmos os mercados acionários...

E o Brasil, idem.

Mas, esperem....

"Idem" quanto ?

O atual estágio do Bovespa reflete o otimismo lá de fora ou ainda não chegamos na "loucura" dos mercados financeiros externos ?

Talvez não....

É esse o foco do texto.

A aberração alcançada lá fora talvez ainda não esteja expressa no Bovespa.

Sim....o patamar de 62.000 pontos do Bovespa pode não ser o estágio da "loucura", ainda que, por exemplo, no que tange aos bancos, os fundamentos não se justifiquem....

O gráfico que tenho olhado nos últimos dias pra tentar entender e especular qual seria o "grau da loucura" do Bovespa está abaixo...

O gráfico do índice "SSEC", o mais importante índice de ações do mercado chinês


SSEC, Semanal, período 12 anos






Reparem a esticada do "SSEC" de meados de 2014 para meados de 2015 de 150%.....da faixa de 2.000 pontos para a faixa pouco acima de 5.000.....

Depois de cerca de 6 meses, a queda aproximada de 50%....de pouco mais de 5.000 pontos para perto de 2.500 pontos.

Como explicar isso ?

Como o mercado entende que valia 2.000 em 2014.....em 2015 vale 5.000....6 meses depois vale 2.500 ?

Como ?

É comum atribuir palavras ao mercado financeiro como "maníaco-depressivo".

Numa outra direção, mais vale a explicação popular...cassino....especulação

Nessas horas, a explicação popular é a que faz mais sentido, e provavelmente, a correta.

É cassino ou especulação...tanto faz......

Agora, colocarei o mesmo gráfico numa outra perspectiva

Com um grande canal de baixa rompido....isto é, uma LTB rompida e uma linha inferior formando o canal...





Vamos trazer o Bovespa no mesmo período de tempo.....

Reparem abaixo.....o "mesmo canal de baixa"....e uma LTB semelhante rompida há 1-2 meses....



Bovespa, semanal, escala logarítmica, período 2006-2016






Se tomarmos a China como parâmetro, a evolução do Bovespa pode ir muito além do nível atual...

Eu trabalhava até mais recentemente com uma faixa forte em dólar de 20.000 pontos.

A perna gigante de alta do "SSEC" nos deu uma alta de aproximadamente 150%....

Se trouxermos o fundo do Bovespa do início do ano, que foi na faixa de 9.000 pontos em dólar, e jogarmos 150% de alta, avançariamos para algo em torno de 22.500 em dólar.

O Bovespa tem 2 pivots importantes à frente nesse momento; 62;500 e 63.500

Acima de 63.500, o mais forte não me parece ser 66.000....e, sim, 69.000, depois 70.000

22.500 pontos em dólar com o dólar na faixa de 3,00 de fato poderia significar 69.000 ou 70.000

Tentarei finalizar o texto com alguns pontos a serem destacados...

O primeiro refere-se ao próprio Bovespa...

Pra isso, utilizarei como referência o Índice "BSE", o principal índice acionário da Índia, e o "MICEX", o principal índice acionário da Rússia

Bovespa anda numa cunha....LTA....e linha superior....





Me parece óbvio que, se perder por 2 dias seguidos a LTA que o sustenta, uma correção mais forte poderá vir....

Pode romper essa cunha pra cima ?

Sim...

O BSE da Índia fez esse movimento em 2007, justamente na véspera do Crash, junto com os mercados mundiais:

Vejam abaixo a cunha e o rompimento pra cima no círculo em vermelho

BSE, Semanal, escala logarítimica, período 2004-2012

Vamos ao MICEX, da Rússia.......depois de alguns estresses nos últimos 2-3 anos, simplesmente o "MICEX" não só volta ao topo histórico, como rompe

MICEX, Mensal, período 12 anos




Por fim....

Vamos nos valer de alguns comentários sobre bancos, Petrobrás e VALE, pra especularmos o quanto de "insano" suas dinâmicas podem empurrar o Bovespa pra cima


Quanto aos bancos, BBDC4 e ITUB4 poderiam galgar niveis "mais surreais" ainda, em completo descolamento da realidade do setor bancário atual

BBAS3 pode buscar a faixa psicológica de 30,00,  próximo a seu topo histórico

Petrobrás e VALE...

Qual o fundo da Petrobrás na Crise de 2008 ?

Bem....no caso do Brasil, PETR4 atingiu 12,83, já superada no Bovespa
No caso da ADR da Petrobrás em Nova York, foi em 14.72....

Os papéis da Petrobrás em Nova York fecharam na sexta em 11,15....portanto, ainda longe dos 14,72.

Por que não pensar no pullback lá ? Nos 14.72.....se as ADR's forem lá, o que isso significa para os papéis da PETR4 ? 19,00....20,00 ?

ADR Petrobrás em Nova York, Mensal, período 15 anos




PETR4, Semanal, período 10 anos




Vamos a VALE ?

Por que VALE5 não iria a 20,00 ?

Vejam abaixo a dinâmica da BHP em Nova York, sua "irmã"

Vejam o rompimento da faixa de 32.50.....vejam o comportamento da ADR da VALE.....não parece o mesmo  ? E se romper a faixa de 6,20 ?

No Brasil, a faixa de 16.30 foi rompida...é um papel mais complicado...a faixa de 16,00-17,00 se confunde....

Mas, ainda que consideremos um pullback na faixa de 15.50,15.80, o papel tem uma disposição de seguir a mesma dinâmica da BHP lá fora...


ADR BHP em Nova York, Semanal escala logarítmica




ADR VALE em Nova York, Semanal escala logarítmica, período 4 anos


ADR VALE em Nova York, Semanal escala logarítmica, período 6 anos




VALE5, Semanal escala logarítmica, período 10 anos




Os ingredientes estão dados

Paradoxalmente, estamos num momento em que os mercados mundiais vivem grandes riscos ocultos.

Fundamentos estão descolados da realidade no mundo inteiro.

Agora, o Brasil sente isso, o Bovespa sente isso, principalmente na "pele do setor bancário"

Por outro lado, se o mundo foi capaz de produzir aberrações, por que o Bovespa não seria ?

Aliás, já os produziu, pois os dados de Crédito, Recuperações Judiciais, evolução de Selic e potencial de provisões mostram que, apesar de 9 entre 10 analistas argumentarem o contrário, o setor bancário já atingiu o nível de reversão nos lucros no horizonte de longo prazo; o tempo confirmará.

Mas, será que o Bovespa produziu aberrações o suficiente ?

Ser "Maniaco-depressivo" faz parte dos mercados acionários.

Especulação também......

Se eles "errarem na mão", não tem problema....

Depois, eles consertam, e caem 50%