domingo, 21 de agosto de 2016

"Uma visão equivocada", por Editorial do Jornal "O Estado de São Paulo".....ou......"O Amanhã" , Samba-Enredo União da Ilha do Governador, 1978

"O Amanhã", samba-enredo consagrado e eternizado ao longo dos anos, das últimas 4 décadas, cantado pela escola de samba União da Ilha do Governador, em 1978, na Avenida Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.....

Como será "o amanhã" ?

Acabaram as Olímpíadas.....voltamos a dura realidade brasileira.....

Sem oba oba.....sem "é ouro !!"......
Sem os "mais emocionantes jogos da história moderna".....sem "o mais fantástico jogos da era moderna".....sem o blá blá blá....

Bolhas de imóveis....endividamento de Estados, União, do Rio de Janeiro, do Estado do Rio de Janeiro....

Os parcos empregos que ainda resistiam irão sumir....a inadimplência continuará rondando os bancos....as empresas, por conseguinte, os bancos......a inflação continuará à espreita...

E o Setor público ?

Ah......o setor público....

Continuará o "seu amanhã"......esperando o próximo feriado de "7 de Setembro".....o feriado de "12 de Outubro".....o "15 de novembro"...0 "20 de novembro"......Natal, Ano Novo....Carnaval....bem...

Depois da Olimpíadas......agora, só em Março......e com sorte....

E quem vai pagar essa farra toda ?

O setor privado....ou, como diz Rodrigo Constantino....o "brasileiro otário"

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"Samba Enredo 1978 - O Amanhã
G.R.E.S União da Ilha do Governador (RJ)
  
A cigana leu o meu destino
Eu sonhei
Bola de cristal, jogo de búzios, cartomante
Eu sempre perguntei
O que será o amanhã?
Como vai ser o meu destino?
Já desfolhei o mal-me-quer
Primeiro amor de um menino
E vai chegando o amanhecer
Leio a mensagem zodiacal
E o realejo diz
Que eu serei feliz 
Como será o amanhã
Responda quem puder (bis)
O que irá me acontecer
O meu destino será como Deus quiser





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http://www.estadao.com.br/noticias/geral,uma-visao-equivocada,10000070964

Uma visão equivocada

O Estado de São Paulo
21 Aug 2016

Três meses depois d e a c l a ma r c o m grande entusiasmo o afastamento da presidente Dilma Rousseff, os agentes do mercado financeiro começam a demonstrar um pessimismo crescente com relação à atuação do governo chefiado pelo presidente em exercício Michel Temer. As duas reações contêm pelo menos alguma carga de exagero. Por seu impacto sobre a vida das pessoas, a atuação das empresas e o funcionamento do setor público, os graves e extensos problemas produzidos ao longo dos 13 anos da administração populista chefiada pelo PT exigem a busca rápida de soluções. Mas, dada sua gravidade, eles não serão resolvidos em semanas ou meses, como parece ser a expectativa daqueles que viram na evolução do processo de impeachment de Dil- ma o fim de todos os males políticos, econômicos, sociais e morais que afligem o País.
A ansiedade excessiva de muitos agentes do mercado financeiro parece turvar-lhes a visão da realidade, impedindo-os de ver mudanças relevantes que já ocorrem e os fazendo imaginar que a guerra contra a crise nacional, que é de todos os cidadãos responsáveis, está sendo perdida.
É preciso levar em conta, em primeiro lugar, que, nas circunstâncias atuais, o governo Temer é de transição. Do ponto de vista formal, sua continuidade até 2018 está condicionada à aprovação, pelo Senado, do impeachment de Dilma Rousseff, o que deverá ocorrer até o fim do mês. Certamente o governo, bem como a imensa maioria dos brasileiros, receberá com alívio essa decisão. Mas ela apenas dará ao governo Temer melhores condições para cumprir uma tarefa duríssima, a de recolocar o País no trilho do crescimento, sem o qual não será possível promover a recuperação do emprego, da renda dos brasileiros, dos ganhos das empresas e da receita pública.

Trata-se de uma tarefa de grande complexidade, cuja responsabilidade Temer sabiamente atribuiu a pessoas com competência e talentos que foram reconhecidos pelo próprio mercado quando anunciadas as suas escolhas. Mesmo assim, para uma parte dos operadores do mercado, os escolhidos parecem não inspirar mais o mesmo grau de credibilidade e confiança com que contaram quando assumiram seus cargos. Caberia perguntar aos que começam a manifestar desencanto com o governo: como estaria o País hoje se, por exemplo, o ministro da Fazenda fosse Guido Mantega e não Henrique Meirelles? Quais seriam as expectativas com relação ao déficit primário do setor público?

Decerto nem tudo saiu ou está sain- do como queria o governo. Talvez pouco do que se esperava foi aprovado ou caminha com segurança para a aprovação no Congresso. Há um tempo e há um rito na política que nem sempre condizem com a velocidade muitas vezes exigida pelas decisões na esfera puramente econômico-financeira. Em momentos de grave crise, como é este período de transição pelo qual o Brasil passa, esse descompasso pode gerar frustrações, interpretações equivocadas, desânimo.

Fatos naturais da atividade política, decorrentes da indispensável negociação entre Executivo e Legislativo, passam a ser interpretados como recuos, derrotas ou abandono de programas e princípios. O exemplo mais evidente desse fenômeno talvez seja o episódio da negociação da dívida dos Estados com a União e das medidas complementares dessa negociação.
O texto aprovado, que permite o alongamento da dívida dos Estados por 20 anos, impôs aos governos estaduais um rigoroso limite para a evolução dos gastos primários. Mas o fato de, durante as negociações, o governo ter concordado com a retirada da proibição da concessão de reajustes salariais ao funcionalismo – o que, de algum modo, a imposição de um teto para os gastos já contempla – alimentou a falsa interpretação de recuo ou de derrota para o Palácio do Planalto.

O surgimento de sinais tênues, mas positivos, de recuperação em diferentes áreas – da produção industrial às expectativas do comércio – sugere que o ciclo depressivo da economia pode ter chegado a seu ponto mais baixo. É animadora a disposição do governo interino de, com o uso dos instrumentos institucionais ainda precários de que dispõe, preparar o caminho para a solução dos graves problemas do País. Mas parte do mercado parece ignorar tudo isso.