segunda-feira, 10 de novembro de 2014

“Governo faz muito pouco, muito tarde”, diz André Esteves, do BTG Pactual

Abaixo, uma matéria da Revista ÉPOCA dessa semana que mostra um pouco da visão de André Esteves, presidente do BTG PACTUAL, acerca do Brasil de hoje.

Segundo a própria matéria diz, tal visão foi pinçada de sua participação no Fórum de Empreendedores do LIDE

Não gostei do que li......

Esteves já teve insights melhores.

Não sei se a matéria foi editada de forma muito resumida, limitando as considerações do Esteves, ou ele mesmo estava "fora de tom"

Parece uma visão "cansada" do Brasil......

Se minha percepção for verdadeira, temos aqui mais um exemplo gritante do que pensa os líderes do Brasil de hoje.....do que pensa quem tem dinheiro no Brasil de hoje....quem tem dinheiro pra investir......

Acho que é isso o que veremos nos próximos anos....

Embora, repetidamente, é isso o que veremos.......uma "mesmice"....

"empurra com a barriga"........

Ninguém acredita "uma vírgula" no governo atual......

Portanto, ninguém vai dar passo algum, pra direção alguma e com "gente alguma"

Década perdida dos anos 80 novamente diante de nós......


Vamos matéria....

Tirem suas conclusões......

http://epoca.globo.com/ideias/noticia/2014/11/governo-faz-muito-pouco-muito-tarde-diz-bandre-estevesb-do-bbtg-pactualb.html

“Governo faz muito pouco, muito tarde”, diz André Esteves, do BTG Pactual
O banqueiro rejeita a ideia de país dividido e aprecia a clareza das ideologias na disputa eleitoral. Mas não se anima com a economia em 2015

MARCOS CORONATO
08/11/2014 15h26 - Atualizado em 10/11/2014 13h58

O Brasil vai voltar a crescer? A inflação vai cair? Como agirá o próximo ministro da Fazenda? As questões atormentam todo brasileiro que trabalha. O banqueiro André Esteves, presidente do BTG Pactual, faz do cenário atual uma análise pouco otimista, mas ao mesmo tempo serena. Ele vê benefícios legados pelas eleições de 2014.  “Não compro a ideia de um país dividido, não tem essa de divisão entre Sudeste e Nordeste”, diz o carioca. “Saímos da eleição com campos ideológicos mais definidos, o que é bom. Isso é normal em democracias mais maduras”.

Esteves celebrou o “processo eleitoral eficiente, limpo, claro, o melhor do mundo”, e afirmou que, embora lentamente, o país se move “para frente” na política. Mencionou o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do PT, e o governador eleito do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, do PSDB, como exemplos de tentativas “válidas” de renovar o quadro de políticos. Esteves deu uma palestra no Fórum de Empreendedores do Lide (Grupo de Líderes Empresariais), para uma plateia nada simpática à reeleição de Dilma. Uma participante perguntou o que Esteves faria se fosse ministro da Fazenda. Ele deu sugestões sobre como reaquecer a produção e falou sobre o cenário econômico.

Como será 2015

“Não estou animado”, afirmou o empresário. Ele indicou que o próximo ano poderá ser um pouco melhor que 2014, especialmente ruim por ter unido os problemas macroeconômicos (falta de competitividade, baixo investimento, falta de confiança empresarial, inflação alta, juros em alta) à realização da Copa do Mundo e às eleições, ambos eventos que parecem ter contribuído com o baixo nível de atividade. “Para frente, pelo menos, vamos ficar só com a parte [dos problemas] da economia”, disse. Esteves disse que, embora aqueles com ânimos acirrados pelas eleições apreciem previsões extremas, de clara recuperação ou de tragédia econômica à frente, ele duvida de qualquer desses cenários. “Vejo mais do mesmo”, afirmou.

Como deverá ser a segunda gestão Dilma Rousseff

“Acho que o governo vai se mover na direção certa, mas muito pouco e muito tarde”, disse Esteves. O empresário duvida que haja uma radicalização ideológica do governo federal. “Pensar em [nos transformarmos na] Argentina, bolivarianismo, isso é uma bobagem. Nossas instituições são mais fortes do que pensamos”, disse. “Não vejo essa transformação em Argentina, por causa da força das instituições e por desejo da própria presidente”. Esteves afirmou considerar o ministro da Fazenda o segundo cargo mais importante do país, mas não indicou nomes que considera desejáveis. Disse não contar com grandes guinadas. Manifestou desejo de que a presidente Dilma Rousseff aceite melhor o diálogo, como prometeu logo após a eleição. Esteves deu um exemplo de como isso falhou na primeira gestão. “Dá pena ver um setor como o de etanol, em que fazemos inovação de categoria global, ser empurrado para trás por um a política (a decisão de manter a gasolina barata)”, disse o banqueiro. “Falei isso para a presidente com todas as letras. Infelizmente, não houve diálogo.”

Como deveria ser a segunda gestão Dilma Rousseff

“Precisamos voltar à disciplina fiscal. O BNDES é um bom órgão, enxuto, um orgulho para o Brasil. Os Estados Unidos querem fazer algo semelhante. Mas estamos abusando. Estamos tornando a economia dependente do BNDES”, afirmou o banqueiro. Ele se referia à piora das contas públicas, causada pela política de uso de recursos do Tesouro Nacional para que o BNDES conceda crédito subsidiado. Esteves defendeu também maior disciplina monetária, ou seja, combate firme contra a inflação. Isso, na visão dele, exige juros um pouco mais altos, por pouco tempo – nada parecido com um choque. “O mercado tem de ver que tem gente com estrela no peito. Não a estrela do PT, mas estrela prateada, de xerife”, disse, provocando risadas na plateia. Recomendou também maior liberdade para que o dólar suba além do nível atual, próximo de R$ 2,50. Isso tornaria a produção brasileira mais barata em relação ao resto do mundo e compensaria parte da nossa fraca competitividade. Além disso, o governo deveria insistir em reformas microeconômicas – Esteves mencionou, como bons exemplos de medidas que impulsionaram o mercado nos últimos anos, o crédito consignado e, no setor imobiliário, a alienação fiduciária (a entrega do imóvel pelo devedor ao credor que o financiou, em caso de não-pagamento. Essa possibilidade deu mais segurança à concessão de crédito imobiliário). O empresário arrematou sua receita de crescimento com uma prioridade para o curto prazo – investimento em infra-estrutura – e uma prioridade para o longo prazo – educação.