sexta-feira, 31 de outubro de 2014

"No vermelho, país pode ser rebaixado se não cortar gastos, dizem analistas", por Portal G1

Matéria crédito portal G1

http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/10/no-vermelho-pais-pode-ser-rebaixado-se-nao-cortar-gastos-dizem-analistas.html

31/10/2014 14h16 - Atualizado em 31/10/2014 14h21
No vermelho, país pode ser rebaixado se não cortar gastos, dizem analistas
Governo austero pode preservar o grau de investimento, veem economistas.
Contas públicas do país tiveram o pior resultado da história em setembro.

Com o pior resultado da história nas contas públicas em setembro, o Brasil está a um passo de perder o grau de investimento se o governo não sinalizar que cortará gastos no próximo ano, avaliam economistas ouvidos pelo G1. Um possível rebaixamento pode desqualificar o país para receber investimentos estrangeiros.
Para o especialista em contas públicas da Tendências Consultoria, Felipe Salto, o déficit primário de R$ 20,39 bilhões no mês passado – somado ao rombo de R$ 15,7 bilhões desde janeiro –, “foi pior que as expectativas dos mais pessimistas”.
O resultado, em sua avaliação, aumenta o risco do país de perder o grau de investimento, embora acredite que ainda há tempo de o governo agir para evitar esse cenário antes de as agências baterem o martelo.

As agências de classificação de risco não tomarão qualquer medida antes de o governo anunciar o rumo de sua política econômica para o próximo ano, diz o ex-secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento e especialista em contas públicas, Raul Velloso.
Tudo vai depender da disposição do governo em cortar gastos em 2015, acredita Velloso. “Nenhum governo é suicida para negar austeridade em um momento como este”.

Rombo acima do esperado

Em setembro, esperava-se um impacto negativo em torno de R$ 10 bilhões nas contas públicas devido aos pagamentos sazonais do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Mas o aumento de gastos com custeio e investimentos em período eleitoral, e o crescimento menor na arrecadação da Receita, podem ter agravado o rombo.
Para o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, o possível rebaixamento da nota de crédito está mais ligado ao rumo da nova política econômica de Dilma Rousseff que ao último resultado fiscal.
O governo precisaria economizar, pelo menos, R$ 70 bilhões no próximo ano para recuperar a saúde das contas públicas, calcula Perfeito. Até o fim de 2014, o economista enxerga como "impossível" uma reversão do déficit primário.
Salto, da Tendências, acredita contudo que 2014 pode terminar sem déficit primário. “De outubro a dezembro, o governo ainda conta com receitas extraordinárias, como o Refis, dividendos e o leilão de 4G que entrará no resultado deste mês”.